Defesa Civil emitiu parecer e aponta medidas a serem tomadas para impedir novos deslizamentos na Rua Ladislau Griczinski, onde ocorreu o incidente
Da Redação
A Defesa Civil de Irati emitiu o parecer técnico 60/2019, que avalia causas do deslizamento de encosta que afetou o trecho da Rua Ladislau Griczinski, entre o Morro da Santa e o trevo de acesso secundário à cidade de Irati pela BR-277. O deslizamento provocou interdição do trecho, nos dois sentidos da via, entre a tarde de terça (28) até a tarde desta quarta-feira (29), quando a pista foi liberada, por volta das 17h.
O fato ocorreu nas proximidades do acesso à Cachoeira Fillus, a cerca de 400 metros do empreendimento de um novo cemitério. O desmoronamento se estende por um trecho de aproximadamente 100 metros. O terreno é composto de vegetação nativa, que apresentou rupturas no solo em vários pontos, o que ocasionou queda de árvores sobre a pista de rolamento de acesso à cidade.
Na análise dos técnicos da Defesa Civil sobre a área do deslizamento, foi verificado que o terreno a montante (margem de cima da rua) é desprovido de vegetação. A conclusão preliminar é de que esse fato pode ter contribuído para um excessivo encharcamento do solo, em função das chuvas acumuladas nos últimos dias, ocasionando infiltração no terreno a jusante (margem de baixo da rua). O solo sofreu rompimento e a erosão do terreno carregou a vegetação para a pista de rolamento.
Como medidas iniciais de controle do impacto, o Corpo de Bombeiros determinou o isolamento da via e pediu uma vistoria da rede de energia. Logo que se iniciaram os trabalhos de desobstrução da pista, novos deslizamentos se desencadearam, o que demandou interrupção do trabalho de remoção dos detritos sobre a pista.
Mediante a observação do deslizamento do solo e a forma que se apresentam os pontos de ruptura, a Defesa Civil afirma que há risco de novos deslizamentos de encosta naquele trecho.
Algumas árvores ficaram suspensas, com risco de queda sobre a rede de alta tensão. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autorizou a remoção das árvores que ofereciam esse risco, em atendimento à sugestão da Defesa Civil, que orientou, como medida de segurança, que fosse removida toda a vegetação numa largura de cinco metros em cada margem, de modo que as árvores com as copas suspensas sobre a rua fossem inteiramente retiradas, não apenas podadas.
A Defesa Civil também orientou que, para estabilizar a encosta e prevenir novos desmoronamentos, a área passe por processo de retaludamento do local que sofrerá remoção de árvores. Esse terreno deve receber nova vegetação a fim de proteger o solo descoberto.
Nos próximos dias, ainda serão estudados outros fatores que possam ter contribuído para a infiltração de água naquele trecho e proceder o estancamento dela na parte a montante da via, a fim de impedir novos deslizamentos.
O parecer da Defesa Civil Municipal é assinado pela engenheira agrônoma Rozenilda Romaniw Bárbara e pelo comandante da Guarda Municipal de Irati, Averaldo Lejambre.
Moradora questiona quem arca com prejuízos
A ouvinte Jocelene Juce Raichet, moradora de uma área aos fundos do local onde ocorreu o deslizamento de encosta questionou, via mensagem encaminhada para a Najuá, que providências serão adotadas e a quem compete a responsabilidade pelos danos ocasionados pela erosão da encosta.
Ela teme ser prejudicada pelo fato de que tem vindo muita enxurrada da parte de trás da rodovia, em função da construção de um novo cemitério nas proximidades.
O secretário municipal de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Adriano Batista, informa que os donos dos terrenos ou empreendimentos de onde surgirem os desmoronamentos devem ser responsabilizados em caso de algo mais grave nesse sentido. Entretanto, por enquanto, não há como mensurar o impacto e os danos ao terreno, em função das chuvas recentes.
“Legalmente, o caso do empreendimento do novo cemitério já teve aprovação do órgão ambiental, estudos de impactos de vizinhança, aprovação no Concidade, audiência pública e obedece ao rito de aprovação de fases subsequentes de construção do empreendimento. Neste momento, a Secretaria de Meio Ambiente avalia os impactos gerados pelas chuvas recentes”, respondeu o secretário Adriano, via Ouvidoria Municipal.