Deslizamento de encosta ocorreu no fim da tarde da última terça-feira, 28, na Rua Ladislau Griczinski, entre o Morro da Santa e o trevo secundário de acesso à BR 277
Paulo Henrique Sava
© Arquivo Najuá
Ex-presidente do CMMA, João Luís Veríssimo, acredita que desmatamento em uma área próxima pode ter causado deslizamento de encosta na Rua Ladislau Griczinski
Erramos: parágrafos corrigidos, vide explicação no final do texto
O ex-presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Irati (CMMA), João Luís Veríssimo, acredita que o desmatamento pode ter sido a causa principal do deslizamento de encosta ocorrido na última terça-feira, 28, que interditou a Rua Ladislau Griczinski entre o Morro da Santa e o trevo secundário de acesso à BR 277, na saída de Irati para Guarapuava. Um novo cemitério está sendo construído nas proximidades de onde ocorreu o incidente.
Em nota, Veríssimo comenta que parte dos documentos de liberação da área para este empreendimento foram apresentados durante Audiência Pública sobre o impacto de vizinhança, realizado em novembro de 2018. “Sobre a liberação está tudo certo”, ressaltou.
O CMMA teve acesso à documentação expedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que liberou a área para construção do cemitério. No entanto, segundo o ex-presidente do Conselho, a Prefeitura teria liberado o terreno para receber uma capela mortuária.
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O engenheiro acredita que o desmatamento de uma área próxima pode ter causado o deslizamento de terça-feira, 28. “Onde existem árvores e a serapilheira, que é a massa orgânica morta no solo, há um amortecimento na energia das águas pluviais e também funciona como uma esponja, dando tempo do solo absorver a água da área. Sem as árvores ou a cobertura florestal, as águas descem com maior energia o que acarreta a lixiviação do solo. Isto aumenta o poder de erosão e pode desestruturar o poder de apoio das árvores”, frisou.
Veríssimo diz que é possível apresentar um projeto de empreendimento do mesmo nível naquela área. Porém, ele deve levar em consideração a legislação, as normas, os custos e os impactos que poderão ser causados com o mesmo. “Pode sim, pela engenharia, se executar um empreendimento como cemitério na área, mas as ações de contingência na área elevam o custo da obra”, comentou.
Para o ex-presidente do CMMA, a construção de um muro de arrimo poderia ter evitado ou mesmo amenizado o deslizamento. Entretanto, seria necessário realizar um Plano de Controle Ambiental (PCA), documento que é exigido pelo IAP. “Este plano deveria ditar o que seria melhor para evitar que a área sofresse com os possíveis impactos”, pontuou.
Nossa reportagem entrou em contato com o secretário de Planejamento e Coordenação, João Almeida Júnior. Ele relatou que todos os documentos relativos ao novo cemitério estão sendo analisados pela Vigilância Sanitária.
Erramos: Na publicação anterior desta reportagem, afirmamos que João Luís Veríssimo era o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA). Na verdade, ele deixou o cargo no dia 28 de março. Ele se afastou da presidência do CMMA por conta de questões familiares e profissionais. Desde então, a presidente é Edevane Mance de Souza, que deve seguir no cargo até o final do mandato, em dezembro de 2019. Ela exercia o cargo de vice-presidente do órgão. Edevane não quis se pronunciar sobre a obra do novo cemitério. Ela justifica que Veríssimo ainda era o presidente quando o projeto foi iniciado.
© Arquivo Najuá
Pista foi liberada no fim da tarde desta quarta-feira, 29