Empreendedor do Cemitério Parque da Colina fala sobre deslizamento de encosta

01 de junho de 2019 às 10h39m

João Batista de Oliveira nega relação entre a obra e o deslizamento de encosta que interditou o acesso secundário à cidade de Irati

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 
O empreendedor do Cemitério Parque da Colina, João Batista de Oliveira, diretor da Maxi Empreendimentos e Euroamérica Investimentos, conversou com a reportagem da Najuá a respeito das licenças e documentação para o cemitério e nega relação da obra com o deslizamento de encosta ocorrido nesta semana. “Tenho plena convicção e afirmo que [o deslizamento] não tem nada a ver com a obra do cemitério. Ali é, de fato, uma área de declividade considerável, mas é um conjunto de áreas e a área do cemitério está sendo conduzida com a maior segurança possível. Esse deslizamento ocorreu a 100 metros da faixa de divisa do cemitério. Faz parte da mesma inclinação”, alega.
O empreendimento fica a cerca de 100 metros do ponto onde ocorreu um deslizamento de encosta, na Rua Ladislau Griczinski, acesso secundário à cidade de Irati, na terça (28), o que ocasionou a interdição da via, que foi liberada no fim da tarde de quarta-feira (29).
“Infelizmente, ocorreu esse deslizamento, alheio à nossa vontade, mas não temos nenhuma responsabilidade com referência ao deslizamento. Um dos fenômenos que não conseguimos controlar é a chuva e tem chovido torrencialmente. Irati sofre com muita chuva e as galerias não dão conta. Mas são coisas da natureza que nós, muitas vezes, não temos como conter, num espaço curto de tempo. Mas todas as medidas de prevenção foram tomadas e o deslizamento não ocorreu no terreno do cemitério. O cemitério não é o culpado por esse deslizamento”, justifica.
João Batista argumenta que, para evitar o tipo de impacto promovido pelas chuvas desta semana, o interessante seria que houvesse ações em conjunto, também dos vizinhos do cemitério, no sentido de minimizar os efeitos, com a adoção dos mesmos cuidados do empreendimento, no que se refere às medidas de redução de danos.
“Com referência à documentação para aquela área, tivemos o cuidado de, ao adquiri-la, passar pelos órgãos competentes – IAP e Prefeitura – para ver se suportaria o projeto que tínhamos a intenção de implementar. Verificados esses órgãos, foi concluído que era possível, sim, esse empreendimento. Lá não pode ser fracionado menos do que 2,5 mil metros [quadrados], porém, não pode ser feito loteamento. Mas um cemitério ou qualquer coisa do gênero, desde que não fracione a área e que não permita a impermeabilidade de mais de 60% da área, o projeto pode ser implantado”, diz.
O empreendedor defende que o Cemitério Parque da Colina possui todas as licenças necessárias frente aos órgãos competentes, como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Prefeitura e Vigilância Sanitária, e garante que é um empreendimento regular. A decisão sobre o local para a construção do cemitério, segundo ele, foi auxiliada por profissionais especializados.
“Contratamos uma consultoria, de Curitiba, para vir a Irati e fazer todo um trabalho de viabilidade econômica do projeto, fez o plano de negócios, fez o payback para mim [cálculo do período de retorno do investimento]. Após a aquisição do terreno e sua legalização, contratei dois advogados, dois engenheiros civis, dois arquitetos, um geólogo e um engenheiro florestal. Tem uma gama de profissionais de alta competência trabalhando nesse projeto, que está seguindo seu curso normal, com todas as licenças. É um projeto em andamento ainda”, ressalta o responsável pelo empreendimento.
O empresário diz compreender que haja questionamentos acerca da implantação do cemitério naquela área, até mesmo em função do deslizamento de terra, mas assegura que todo o cuidado possível tem sido adotado na implantação e andamento do projeto. Segundo João Batista, ninguém questionou o projeto conforme os requisitos sanitários. Entretanto, entende que podem surgir questionamentos referentes à legislação, por se tratar de um empreendimento inedito na cidade. Mesmo assim, ele garante que o projeto está amparado tanto na legislação municipal, quanto na estadual e federal. “Ele obedece e está suportado por todos os parâmetros técnicos e legais”, acrescenta.
Recentemente, o Cemitério do Parque da Colina foi tema de audiência pública e passou por apreciação do Conselho da Cidade de Irati (Concidade). “A reunião tinha a presença de 13 membros e, como o presidente não vota, foram 12 votos a zero [a favor do projeto]. Depois, houve a audiência pública e foram convidados todos que quisessem participar. Na oportunidade, trouxe todos os profissionais envolvidos: os engenheiros, os advogados, os arquitetos, o geólogo, o engenheiro florestal. Enfim, cada um fez sua explanação”, afirma. Questões como uso e ocupação de solo e estudo de impacto de vizinhança foram apresentados nessa audiência.
“Fizemos uma terraplanagem no local e aplicamos recursos para que não haja erosão. Temos cinco curvas de nível feitas com retroescavadeira, está toda vegetada, o barranco foi todo rampeado, colocado grama, paver e calçamento em toda a extensão do empreendimento e o próximo passo é começar as obras efetivas”, relata João Batista.
Este site usa cookies para proporcionar a você a melhor experiência possível. Esses cookies são utilizados para análise e aprimoramento contínuo. Clique em "Entendi e aceito" se concorda com nossos termos.