Projeto de extensão da Unicentro oferece atendimento psicológico na Agência do Trabalhador

04 de junho de 2019 às 10h14m

Atendimento gratuito é estendido tanto para quem está inserido no mercado de trabalho quanto para os desempregados

Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava 
Um projeto de extensão do curso de Psicologia da Unicentro leva à Agência do Trabalhador atendimento psicológico gratuito. Segundo o estudante Gabriel Andrade, a atividade integra o estágio da disciplina de Psicologia de Trabalho, do 5º ano do curso. 
“Estamos sendo orientados e supervisionados pela professora Claudia Magnabosco e envolve vários projetos que podem ser desenvolvidos junto aos trabalhadores e aos próprios funcionários da Agência do Trabalhador. Esse serviço envolve o apoio ao trabalhador que vem até a Agência, na elaboração de currículos, na preparação para uma entrevista de emprego – pois, muitas vezes, a pessoa fica nervosa. Nossa ideia é fazer um serviço de apoio, que estará aqui todas as quartas-feiras, das 13 às 16h”, explica. 
O serviço de plantão psicológico oferece ao trabalhador atendimentos mais breves e pontuais, diferente de um trabalho de psicoterapia. O plantão psicológico é direcionado àqueles que estão com dificuldades relacionadas ao trabalho ou à falta do trabalho – ou seja, para quem já tem uma ocupação no mercado de trabalho e para quem está à procura de emprego. 
Luana Dias, também aluna do 5º ano de Psicologia e estagiária no projeto, ressalta que o serviço é oferecido gratuitamente e que o atendimento é prestado numa sala sigilosa. “O atendimento não será feito de forma exposta ao público, mas numa sala separada, somente a pessoa e um dos estagiários, ou eu ou o Gabriel”, comenta.
Desde o início do estágio, os estudantes estão aplicando uma enquete entre os trabalhadores que procuram a Agência para levantar quais seriam as maiores demandas na área da Psicologia do Trabalho, até mesmo para compreender o perfil dos trabalhadores que frequentam a Agência. 
A questão-chave que os estagiários pesquisam durante esse projeto de extensão é qual seria a maior dificuldade enfrentada por aqueles que buscam uma inserção ou uma reinserção no mercado de trabalho. “Estamos tentando entender qual seria a maior dificuldade, se é a falta de experiência profissional, que muitas empresas exigem, ou a questão da especialização, a falta de cursos. O que percebemos, até agora, é que muitas pessoas respondem que é a falta de experiência. É importante que isso seja visto e mostrado, para que a partir dessas respostas possamos formular novas estratégias, políticas públicas, projetos de intervenção, oficinas”, afirma Luana. 
Outra atividade importante dos estagiários será a de sistematizar e analisar parte das informações produzidas pela Agência do Trabalhador de Irati, quanto às características e dos trabalhadores que buscam os serviços ali prestados e as situações que estão vivenciando em seu momento de vida, para assim fornecer subsídios para o aprimoramento de ações municipais voltadas para as necessidades específicas dos trabalhadores de Irati e região. 
No atendimento prestado pelos estagiários no plantão, o trabalhador pode, inclusive, receber encaminhamento para profissionais especializados, a depender da necessidade. Para casos mais simples, se a demanda for grande, os horários podem ser remarcados para a semana seguinte. O trabalhador também pode procurar o plantão psicológico quantas vezes desejar. 
Gabriel destaca que a importância dos projetos de ensino universitário é a oportunidade de poder entregar algo, de forma gratuita, à comunidade que, por sua vez, contribui para a existência do ensino gratuito nas universidades públicas. 
O chefe da Agência do Trabalhador de Irati, Marcelo de Ávila Francos, entende que o projeto desenvolvido pela Unicentro é de suma importância para o trabalhador. “Estamos vivendo um momento de crise, ainda vivendo um momento de crise econômica e o desemprego é latente. No primeiro trimestre de 2019, foram 1.049 desempregados na cidade de Irati. É um número extremamente alto. São dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O estágio da Luana e do Gabriel procura dar uma assistência a esses trabalhadores, que podemos classificar que estão em sofrimento, porque o desemprego é um sofrimento. Temos esse número elevado de pessoas desempregadas e, em média, gera por mês 300 seguros-desemprego só do município de Irati. São números bastante altos e o seguro-desemprego é bem passageiro, tem um período para começar e vai terminar. Essa situação que muitos dos trabalhadores vive vai causar sofrimento”, opina.
O projeto já existia na Agência do Trabalhador, mas ficou suspenso por um período de dois anos e foi retomado no início deste ano letivo. “É uma nova proposta e eles estão num novo caminho, num viés diferente agora, procurando entender essa situação que o trabalhador passa hoje, que é o sofrimento pela falta de perspectiva de um emprego”, acrescenta Marcelo. 

Este site usa cookies para proporcionar a você a melhor experiência possível. Esses cookies são utilizados para análise e aprimoramento contínuo. Clique em "Entendi e aceito" se concorda com nossos termos.