Roda de conversa discute uso terapêutico de canabinóides

04 de julho de 2019 às 07h26m

Evento será realizado na sede da APP-Sindicato na segunda (8), às 19h

Da Redação, com reportagem de Rodrigo Zub 
Uma roda de conversa na sede da APP-Sindicato, na próxima segunda (8), às 19h, vai discutir o uso terapêutico de canabinóides. O evento, promovido pela Associação Cannábica do Brasil (Mãesconhas), é voltado a mães experientes, profissionais de saúde, assistentes sociais, pacientes e famílias de Irati e de toda a região. A roda de conversa recebe o médico e pesquisador Paulo Fleury, de Belo Horizonte/MG, que é um dos poucos profissionais no Brasil que prescreve esse tipo de tratamento e estará fazendo consultas.
Ainda tratado como tabu, o uso medicinal da maconha tem sido recomendado para autistas, pacientes com náuseas, esclerose múltipla, ansiedade, depressão, artrite, fibromialgia, insônia, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, doença de Crown, epilepsia, glaucoma, espasticidades (independente da causa), doenças neurológicas em geral (demências, paralisia cerebral – PC, hidrocefalias), dores crônicas, HIV, dependência química (de álcool, nicotina, cocaína, crack, opiáceos, diazepinas), distúrbios psíquicos (TDAH e transtornos de humor, como ansiedade, pânico, estresse pós-traumático, bipolaridade, psicose, esquizofrenia) entre outras aplicações.
Pesquisas da área médica indicam que os canabinoides possuem efeitos anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, analgésicos e sedativos. No tratamento do câncer, pode contribuir para impedir a metástase. Essas mesmas pesquisas alegam que a maconha é uma planta medicinal de baixa toxicidade, que não gera overdose. Entretanto, sua utilização terapêutica depende de orientação, devido à interação com alopáticos e com a alimentação.

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Conforme a técnica em agroecologia e estudante de Agronomia com ênfase em Agroecologia pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), Jessika Oliveira, o objetivo do evento é, justamente, apresentar aos pacientes e seus familiares as alternativas de tratamento com o uso de canabinóides. “As pessoas devem ter direito a uma alternativa de tratamento e saber que o uso de canabidiol e dos extratos da maconha têm, sim, tratamento eficaz, desde que seguidos de maneira correta”, defende Jessika.
Segundo ela, muitos desses pacientes buscam na maconha uma substituição a tantos produtos químicos e sintéticos que a indústria farmacêutica oferece como via de tratamento a todos esses males. “Quem tem convulsão ou Parkinson toma vários remédios. E o canabidiol trata isso de uma forma bastante natural. Já é cientificamente comprovado que é um tratamento que restabelece qualidade de vida. É importante que a sociedade se conscientize”, exemplifica.
“Sabemos que moramos numa cidade conservadora, onde muitos assuntos ainda são tabus, mas a sociedade precisa pensar que as pessoas estão morrendo, estão padecendo. Pela lógica do SUS, ele não apenas não consegue tratar, como também não consegue diagnosticar algumas coisas. É para desmistificar, é para tratar e também para abrir a mente da sociedade. É para isso que faremos a roda de conversa”, justifica a professora de História, Milene Aparecida Padilha Galvão, que está envolvida na organização da roda de conversa.
As consultas com o médico Paulo Fleury, que serão realizadas na segunda (8) e na terça (9), ainda têm vagas disponíveis e custam R$ 200. Entretanto, elas serão feitas em um esquema de solidariedade, ou seja, quem não tiver condições não precisa pagar. A palestra é gratuita, mas gera custos à organização, como o transporte e a estadia do palestrante. Para cobrir esses custos, os organizadores estão promovendo uma ação entre amigos, que admite doações financeiras de qualquer valor e terá sorteio de brindes.
Uma listagem completa dos médicos brasileiros que prescrevem o uso de cannabis em tratamentos está disponível no site da Associação de Apoio à Pesquisa e a Pacientes de Cannabis Medicinal (APEPI): http://apepi.org/medicos-2/.
Mais informações sobre a reserva de horários para consulta com o médico Paulo Fleury, em Irati, podem ser obtidas com Jessika, pelo telefone (42) 9-9975-7254.

Inscrições

A sede da APP-Sindicato de Irati, onde ocorrerá a roda de conversa, fica na Rua Barão do Rio Branco, 43, Centro. As inscrições devem ser feitas mediante preenchimento de formulário online.
Outras informações pelo e-mail eventosmaesconhas@gmail.com.

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