Manifesto está agendado para a próxima quinta-feira, dia 11, motivação partiu depois da agressão sofrida por uma professora da rede pública
Da Redação Najuá
O caso de agressão ocorrido na noite do dia 25 de junho, em Irati, que envolveu uma professora da rede pública, atingida pelo seu ex-namorado com golpes de barra de concreto, serviu de estopim para alimentar a indignação de um grupo de mulheres, liderados por Amanda Griczinski, Divair Martini (Diva) e Marli Traple.
“O Silêncio Mata”, foi o nome dado ao movimento que reuniu nesta semana diversas lideranças das áreas de educação, justiça, polícia, saúde, setor comercial e política da região, a nível estadual e municipal. No total, mais de 40 pessoas participaram da reunião. A data de 11 de julho, quinta-feira, foi escolhida para marcar o episódio com a realização de um manifesto, com concentração na Rua da Cidadania, às 9h, e posterior caminhada até a delegacia de Irati.
A motivação do crime contra a professora teria sido ciúmes, de acordo com o Delegado, Paulo César Eugênio Ribeiro. A professora foi internada na Santa Casa de Irati em situação de extrema gravidade. Ela sofreu ferimentos na cabeça, rosto e várias partes do corpo, seu estado de saúde no momento é estável.
O diretor da 4ª Regional de Saúde, Walter Trevisan, participou do encontro e apresentou os índices de violência contra a mulher que compreendem o período de 2014 a 2019. Foram registrados 1.122 casos, mais de 700 são de Irati. De acordo com a Polícia Civil, representada pelo investigador Régis Tiago Rodrigues, 80% dos boletins de ocorrência são de violência doméstica. O Comandante da Guarda Municipal, Averaldo Lejambre, relatou que a maioria dos casos atendidos pela corporação envolvem o consumo de bebida alcoólica em excesso.
Além do manifesto, outras questões pontuais foram abordadas, como a necessidade de sensibilização política para a criação da delegacia da mulher na região Centro-Sul e a difusão dos canais e fóruns de participação como o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e outras entidades que compõe a Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência.
Também foi relembrado o ato em homenagem a Ivanilda Kanarski, caso de feminicídio onde a esposa foi morta na frente dos filhos em plena luz do dia, no Parque Aquático de Irati, e que completa um ano no próximo dia 26.
O número de agressões contra a mulher pode ser ainda maior dos que se tem registro, afirmaram, em unanimidade, as autoridades presentes na reunião. Policiais, educadores e profissionais da saúde afirmam que a subnotificação é grande devido às circunstâncias complexas que envolvem a condição feminina na sociedade e a forma como é abordada pelas instituições.
Diversos relatos são encontrados nas páginas policiais, como o caso do homem que ateou fogo na casa com a esposa dentro.