Redução da velocidade máxima de 60 para 40km/h em trecho urbano da BR-153 gera controvérsia
Da Redação, com reportagem de Jussara Harmuch
A repercussão dos comentários do vereador José Bodnar (Zequinha) (PV), na sessão da Câmara de Irati de terça-feira (22), contra a redução da velocidade máxima permitida no trecho urbano da BR-153 (Avenida Expedicionário João Protzek), levou manifestantes a articularem um protesto na manhã desta quinta (24) no local onde está instalado um radar.
Durante a sessão, Bodnar relatou que foi procurado por vários motoristas que transitam pela rodovia com frequência e que receberam várias multas num curto período, desde que o limite de velocidade foi reduzido de 60 para 40km/h e caracterizou o radar como “caça-níquel”. O vereador também reclamou da ausência de sinalização horizontal indicando a velocidade máxima permitida.
Na esteira da repercussão, o vereador Edson Luiz Elias – o Soldado Elias (PSDB) encaminhou mensagens de uma convocação, que segundo ele, foi feita por veículos de comunicação para realizar uma manifestação na manhã desta quinta (24). A mensagem criticava a falta de divulgação na imprensa local e regional, por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), sobre a mudança no limite de velocidade na via.
Elias atribuiu a iniciativa do manifesto junto ao radar à Folha de Irati. Ele também afirmou que os motoristas que circulam pelo local já haviam se acostumado ao limite de velocidade anterior, fiscalizado eletronicamente por um radar fixo. “O pessoal passa aqui a 50km/h, a 55km/h, mas não passa a 60km/h. Da noite para o dia, um funcionário, provavelmente do DNIT, veio aqui e trocou essa placa de 60km/h para 40km/h, mas o povo não percebeu que houve essa mudança”, comenta, informando que está auxiliando os motoristas infratores no processo de anulação das multas.
O vereador destaca que esse segmento da via é bastante utilizado por estudantes e funcionários da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e por outros trabalhadores que moram nos bairros Engenheiro Gutierrez e Riozinho. Segundo ele, a redução da velocidade pode contribuir para intensificar congestionamentos e causar acidentes como colisões traseiras.
“A intenção do movimento, segundo Elias, é reunir as pessoas que foram multadas desde a mudança no limite do radar e encaminhar um recurso coletivo contra as multas. “Uma pessoa só recebeu 18 multas, ou seja, suspensão do direito de dirigir, que é a ferramenta de trabalho dela. Ela recebeu as 18 multas nesse mesmo local, desde que foi trocado o limite para 40km/h”, afirma.
Defensor contumaz da segurança no trânsito, o vereador parece se contradizer ao solicitar a reversão do limite de velocidade superior. “As estatísticas mostram que, enquanto o limite era de 60km/h, o pessoal passava a 50km/h. E, com 50km/h, não acontecem acidentes”, argumenta. Calçadas praticamente não existem e são poucos os trechos da BR 153 que têm acostamento, este do radar é um deles. O movimento de caminhões, bicicletas, motocicletas e pedestres é intenso o dia todo, aumentando nos horários de início e final de expediente. Contrariando as regras, alguns veículos estacionam na área de acostamento.
“Os vereadores estão fazendo seu papel, que é defender a coletividade. Essa área pertence a uma rodovia federal; já houve uma tentativa de municipalização, no governo federal tramita um pedido da Prefeitura para que esse trecho urbano seja municipalizado e temos observado que não houve um prévio aviso. Entre as pessoas protestando, algumas têm dez multas dos últimos dias”, comenta o secretário municipal de Segurança Pública, Luiz Carlos Ramos. Ele discorda da proposição de que a velocidade máxima retorne aos 60km/h e acredita que o limite de 50km/h seria o mais prudente.
Bodnar frisa que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no que diz respeito aos limites de velocidade, estabelece que, nas estradas, a velocidade máxima permitida é de 60km/h. Enquanto isso, nas vias arteriais, caso da Avenida Expedicionário João Protzek – que corresponde a esse segmento do trecho urbano da BR-153 em Irati – o limite deve ser de 50km/h. “A rodovia passa por dentro do nosso município e ela, sendo federal ou estadual, deve seguir ao que diz nosso Plano Diretor, que diz que essa é uma via arterial, em que o limite deve ser de 50km/h. Não é um ‘meio-termo’, é o que diz nossa legislação”, pontua.
O vereador considera que a sinalização vertical (placas) confunde o motorista, ao demonstrar limites de velocidade diferentes num curto espaço. No ponto em questão, a placa do limite de velocidade a 60km/h foi substituída por uma de 40km/h. O radar foi instalado entre duas lombadas. “A maior parte das multas que vi é de 42km/h, 44km/h. Inclusive, a de 42km/h está errada, pois são sete quilômetros de tolerância. Tem outras de 49km/h, 52km/h, 60km/h. Inclusive, quem passou de 60km/h pode ter a carteira suspensa por dois meses e a multa é de R$ 880”, afirma.
Bodnar encaminhou ofício à Superintendência do DNIT em Ponta Grossa, em que solicita a adequação da sinalização do radar no quilômetro 336 da BR-153, no perímetro urbano de Irati, com a instalação de sinalização horizontal e vertical e que a velocidade máxima permitida seja de 50 km/h.
Prefeito
“Não sou contra lombadas eletrônicas, pois é uma maneira de evitarmos acidentes. O que eu sou contra é que esta lombada está mal localizada. Quando estavam colocando essa lombada, solicitei, via ofício ao DNIT, para que não fosse colocada naquele local, porque já existem duas lombadas na BR-153, a uma distância de aproximadamente 200 metros uma da outra, o que já é uma maneira de reduzir a velocidade naquele trecho. Temos várias lombadas do posto do Gadens até a Engeprocons”, afirma o prefeito Jorge Derbli (PSDB).
Segundo ele, a lombada eletrônica seria bem aplicada na entrada para o bairro Ouro Verde, onde há a bifurcação da Avenida José Galicioli, outro segmento do trecho urbano da BR-153, com a Rua Coronel Pires. “Gostaria que tirassem a lombada dali e colocassem nesse outro local para evitar acidentes. Infelizmente, o DNIT não acatou esse pedido da Prefeitura e colocou ali com uma velocidade abaixo de 40km/h. O cidadão passa de uma lombada, dá uma acelerada e, quando vê, em 41km/h já é multado. Virou uma ‘indústria da multa’ essa lombada nessa localização. Não sou contra a lombada, mas gostaria que ela estivesse onde há um índice maior de acidentes”, argumenta.
Empresário multado
O empresário Edenilson Voronhuk, mais conhecido como Geleia, que atua no ramo de fretes e mudanças, afirma que recebeu uma multa referente ao dia 5 de outubro, um sábado, por volta de 11h da manhã. “Levei uma multa só, por enquanto, mas em apoio eu vim. Ando para tudo quanto é canto e não existe uma rodovia federal [com limite de velocidade a] 40km/h. Agora que eles colocaram essa placa, não tinha. É uma via arterial, não existe 40km/h”, diz.
Geleia sugere que a velocidade máxima deveria ser de, no mínimo, 50km/h e compara a Avenida João Protzek com a Linha Verde, de Curitiba, onde a velocidade permitida é de 70km/h. “O fluxo de veículos é bem maior e a velocidade é 70km/h. Por que em Irati tem que ser 40km/h?”, questiona. “A gente anda para tudo quanto é canto. Levar uma multa no quintal de casa é meio constrangedor”, completa.
Na comparação com a Linha Verde cumpre observar que o projeto urbanístico transformou o trecho urbano da BR-116 e da BR-476 em um corredor de via expressa, que interliga o bairro Pinheirinho, no sul de Curitiba, ao Atuba, na região norte da capital. A Linha Verde é formada por uma pista central, exclusiva para o ônibus biarticulado e é margeada por pistas para a circulação de veículos. Entre as pistas, foram projetados canteiros de flores e árvores, além de ciclovia e via para pedestres, com áreas de descanso, barras para exercícios e “Estações Tubo”.


