Candidato do PL alegou que encontro seria um “jogo marcado” para atacá-lo; Requião Filho e Sandro Alex participaram do debate realizado pela Band em Curitiba/Paulo Sava, com informações das rádios CBN e BandNews Curitiba

Resumo:
-Moro justificou ausência dizendo que encontro seria um “jogo marcado” entre os demais participantes com objetivo de ataca-lo;
-Ausência do candidato se tornou um dos principais assuntos do debate;
-Ponte de Guaratuba, Copel e educação estiveram entre os temas debatidos pelos participantes.
O candidato ao Governo do Paraná pelo PL, Sérgio Moro, não participou do primeiro debate entre os concorrentes ao Palácio Iguaçu, realizado na noite deste domingo (9), na sede da TV Bandeirantes, em Curitiba. Convidado pela emissora, Moro justificou a ausência afirmando que o encontro seria um “jogo marcado” entre os demais participantes com o objetivo de atacá-lo.
“Você está cansado de jogo sujo em época de eleição? Parece que a eleição vira uma rinha de galo, só de brigas e ataques. Ninguém quer discutir com franqueza o futuro do Paraná e dos paranaenses. É um jogo combinado, e como eles estão desesperados, combinam entre si atacar quem lidera a eleição para o Governo do Paraná, tem história e credibilidade e não tem pai nem padrinho. Eu não vou ao debate porque me recuso a entrar neste jogo combinado. Eu não tenho medo de debate, nem de nada, já enfrentei a corrupção e o crime organizado, mas o que enfrentamos agora é um acordo entre o PT e o PSD, como vimos nos últimos 4 anos”, frisou, em vídeo publicado nas redes sociais antes do debate.
A ausência do candidato acabou se tornando um dos principais assuntos do debate, que contou com a participação de Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD). Conforme apurado pela CBN Curitiba, Moro alegou que a campanha eleitoral começaria oficialmente somente após o dia 16 de agosto, com o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. No domingo, o candidato cumpriu agenda em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, município atingido por um tornado.
Durante o debate, Requião Filho criticou a decisão de Moro de não comparecer e chegou a chamá-lo de “fujão” em diferentes momentos. “Você não conhece nem contra quem está disputando, muito menos o Paraná. Pode sair debaixo da cama que já acabou o debate, e espero você não permite. O debate é onde você, eleitor, tem a chance de conhecer propostas e a falta delas, como é o caso do Sérgio Moro, que não veio. O irmão do Marcelo Rangel (Sandro Alex, candidato ao governo pelo PSD) só sabe falar de concreto, mas a minha preocupação é com as pessoas. Eles trabalham com números, eu trabalho com realidade. Eles falam de números em educação, mas eu vejo professores e crianças. Eles falam de caminhonetes na Polícia, eu vejo o policial militar e o civil e o agente penitenciário”, frisou.
Sandro Alex também foi questionado sobre a ausência do adversário, mas evitou fazer críticas diretas. O candidato do PSD afirmou que caberia à população paranaense avaliar a decisão de Moro. “Eu quero que a população decida, e fica aqui uma sugestão para todos os sites, TVs, rádios e blogs: qual o adjetivo que ele merecia ter por não aparecer no debate de hoje aqui no Paraná? Fica a critério da população. Eu vou dar o melhor de mim, pois temos um grande time para dar continuidade a este trabalho. Eu estou muito feliz porque caminha ao meu lado o Rafael Greca, e saibam vocês que, desde que esta notícia foi anunciada, a população está celebrando”, pontuou.
A Rádio BandNews Curitiba também destacou a ausência de Sérgio Moro como um dos principais acontecimentos do encontro. A decisão do candidato do PL modificou a dinâmica inicialmente prevista pela emissora, já que o debate havia sido planejado para reunir os três convidados: Moro, Requião Filho e Sandro Alex.
Com apenas dois candidatos no estúdio, foi necessário adaptar o formato. Segundo a CBN Curitiba, foram acrescentadas novas rodadas de perguntas e respostas entre Requião Filho e Sandro Alex, além de entrevistas individuais de dez minutos com os participantes. Sem a presença de Moro, o debate foi marcado principalmente por comparações entre a atual administração estadual, comandada por Ratinho Junior (PSD), e gestões anteriores, especialmente os governos de Roberto Requião.
Um dos principais assuntos foi a Ponte de Guaratuba, considerada uma das obras de maior destaque da administração de Ratinho Junior, que está no fim do segundo mandato. Requião Filho questionou o valor destinado à construção, estimado em cerca de R$ 400 milhões, enquanto Sandro Alex defendeu a obra e destacou que ela saiu do papel depois de décadas de expectativa da população do litoral paranaense.
Outro empreendimento discutido foi a nova ponte entre Brasil e Paraguai, inaugurada em dezembro de 2025. Sandro Alex ressaltou obras e investimentos realizados durante a atual gestão estadual. Requião Filho, por outro lado, atribuiu a origem do projeto à administração do ex-presidente Michel Temer (MDB) e à atuação da Itaipu Binacional.
Os candidatos também trocaram argumentos sobre o modelo de gestão do Porto de Paranaguá e propostas relacionadas à redução de impostos no Estado. As discussões, de maneira geral, foram utilizadas pelos dois concorrentes para estabelecer diferenças entre as administrações anteriores e a atual.
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Requião Filho também tentou associar Sandro Alex à continuidade do grupo político do governador Ratinho Junior, classificando o deputado federal como a “quarta opção” escolhida pelo atual governador para disputar a sucessão estadual. Sandro Alex, por sua vez, apresentou-se como candidato de direita e destacou sua atuação política de oposição ao PT desde que chegou à Câmara dos Deputados, em 2011. Ele também reforçou a aliança com Rafael Greca, que integra sua chapa como candidato a vice-governador.
Entre os temas apresentados durante o debate esteve ainda o modelo das escolas cívico-militares. Requião Filho afirmou que, caso seja eleito governador, pretende rever o conceito adotado atualmente no Paraná. O candidato do PDT defendeu mudanças na política educacional e questionou aspectos do modelo implantado em parte da rede estadual. “Nós não vamos fechar escolas, mas rever este modelo de vocês, que não é pedagógico, mas de propaganda e que não traz os melhores resultados. Temos os melhores professores no Paraná, e vamos retomar a formação continuada para eles. Vamos retomar o ensino de verdade nas escolas. Você sabe como é medido o Ideb Sandro? Por notas de frequência e aprovação. Você sabia que somos o 20º estado quando a nota da redação é levada em conta? Você sabia que, no Enem, não chegamos ao 1º lugar porque, quando os alunos têm que fazer sozinhos a prova, não conseguimos demonstrar esta qualidade? E olha que temos professores excelentes. É investir no educador, com formação continuada, salário bem pago e respeito, porque, um governo que não conversa e ameaça professores com chefes de núcleo, não respeita a educação”, pontuou.
No terceiro e último bloco, obras, impostos e serviços públicos estiveram entre os principais assuntos. Requião Filho afirmou que não é contrário à redução do IPVA no Paraná, mas defendeu que uma eventual mudança seja planejada para evitar impactos nas contas públicas.
A situação da Copel também entrou na discussão. Requião Filho criticou a qualidade dos serviços prestados pela companhia, citando reclamações relacionadas a interrupções no fornecimento de energia e aumento das tarifas. “A Copel foi privatizada, e há questionamentos sobre todo o processo de privatização envolvendo direcionamento, mas isto é problema da Polícia Federal e do Ministério Público. A minha preocupação é com você, paranaense, empresário, industrial, do agro e das famílias paranaenses, que têm uma das contas mais caras e um dos piores serviços de energia do Brasil. Temos visto por diversas vezes nos noticiários peixes e frangos morrendo por falta de um bom serviço da Copel que vocês privatizaram. Temos visto as indústrias, os mercados, a família paranaense sofrendo com o aumento de tarifa. O Governo Federal não aumenta a tarifa, apenas permite que se aumente até um certo valor, e a Copel sempre aumenta até o valor máximo, precisando ou não”, comentou.
Sandro Alex reconheceu a necessidade de modernização do serviço e afirmou que o Paraná precisa avançar na estrutura e na qualidade do atendimento oferecido aos consumidores.
Além de Sérgio Moro, Requião Filho e Sandro Alex, o Paraná possui outros candidatos ao Governo do Estado, aprovados em convenções partidárias, entre eles Luiz França (Missão), Alexandre Salomão (Mobiliza), Samuel de Mattos (PSTU), Adriano Teixeira (PCO) e Tayná Miessa (UP).