Representantes do Conselho Municipal de Trânsito trazem pontos de atenção aos motoristas e explicam critérios técnicos usados nas decisões/ Por Marina Bendhack, com entrevista de Juarez Oliveira

Resumo
- Conselho alerta para os riscos do uso de motos elétricas e veículos autopropelidos no transporte de crianças menores de 10 anos.
- Ruas recém-asfaltadas geram aumento de velocidade e ampliam os pedidos de lombadas pela comunidade.
- Mini-rotatórias e radares serão testados em pontos críticos em substituição às lombadas tradicionais.
Os desafios para garantir a segurança nas vias urbanas de Irati foram o centro das discussões no programa Espaço Cidadão na última segunda-feira, 03. Em entrevista, os advogados Airton José Trento e Sergio Santana, representantes do Conselho Municipal de Trânsito de Irati (CMUTRAN), detalharam as principais demandas recebidas pela comunidade e explicaram os critérios técnicos que orientam as melhorias na infraestrutura viária do município, além de reforçar a importância da conscientização da população e fazer um alerta sobre o transporte inadequado de crianças em motocicletas.
O CMUTRAN é formado por representantes do Poder Público (secretarias municipais de Segurança e Cidadania, Obras e Serviços Urbanos, Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Procuradoria Jurídica e Indústria e Comércio, além do Ministério Público, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e CIRETRAN) e da sociedade civil organizada (ACIAI, segurança privada, OAB, associações de moradores, sindicatos, Observatório Social do Brasil, Associação Regional dos Engenheiros de Irati, imprensa e Associação Regional de Arquitetura e Urbanismo). As entidades atuam de forma conjunta na discussão e no acompanhamento das políticas públicas para tornar o trânsito da cidade mais seguro e eficiente.
Segurança no transporte de crianças em motos elétricas
Motos elétricas têm sido vistas cada vez mais nas ruas e, com elas, algumas situações de risco também são observadas, como o transporte de crianças pequenas e a falta de uso do capacete. “O Código de Trânsito já traz uma regra que crianças menores de dez anos não podem andar de moto. Nessa categoria, se enquadram as motos normais, as motonetas e os mobiletes”, informa Sérgio.
Crianças que não possuem condições físicas de se segurar no veículo e zelar por sua própria segurança também são proibidas de ser transportadas em qualquer tipo de motocicleta.
Demandas da comunidade
O Conselho recebe diversas demandas da comunidade. As principais referem-se a pedidos de asfaltamento e de lombadas, questões que estão interligadas. Embora a pavimentação resolva o problema da poeira, ela cria condições para que os motoristas aumentem a velocidade nas vias, o que, por sua vez, eleva a demanda por redutores de velocidade. Contudo, Airton explica que existem leis específicas e restrições técnicas que impedem a aprovação de lombadas em determinados locais.
“Tem um fato já que ocorreu ali no conselho: um lado tranquilo, a saída de uma escola, evidentemente que daria certo. Mas, a saída da escola dava na frente de uma rua que fazia 90 graus com a rua da saída. Então, você não tem como colocar uma travessia elevada. Mesmo porque no entorno, bem aproximadamente ali dessas conexões de ruas, a travessia elevada ia resultar em uma colocação em cima de um passeio que não tem calçada. Então, você não consegue acessar”, conta Airton.
“Não pode colocar [lombadas ou travessias elevadas] em locais que sejam aclives ou declives, isso é proibido pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). Então ele tem as normas técnicas da colocação de lombadas, de travessia elevada principalmente, porque ela é um sistema de mobilidade urbana. Você não pode colocar em qualquer lugar, infelizmente não dá pra colocar nem em todos os lugares que a gente imaginava que conseguisse, mas tem essa norma do declive que é seis graus”, complementa Sérgio, sobre as restrições de colocar lombadas em ruas com aclives ou declives maiores que 6 graus.
Diante dessas restrições, o Conselho avalia alternativas. O órgão tem questionado a eficiência das lombadas tradicionais, visto que muitos condutores, especialmente motociclistas, não reduzem a velocidade ao passar por elas. Atualmente, já estão em estudo projetos para novas mini-rotatórias nas proximidades do Posto Mierzva, além da possível implantação de rotatórias ou radares perto do DETRAN.
Importância da colaboração no trânsito
Um trânsito seguro exige direção defensiva e atenção redobrada do motorista, constata Sérgio. “Qualquer motorista que fez carteira de motorista tem conhecimento das normas e das condutas seguras que a gente tem que tomar no trânsito. O que acontece? O pessoal acaba extrapolando a velocidade justamente por conta […] dos asfaltos novos que saem e esquecem que a gente tem que tomar esse cuidado independente de ser asfalto ou estrada de chão, qualquer situação tem que tomar esse cuidado. Porque por natureza, a cidade é cheia de interseções, isso é natural. Então a gente tem que tomar esse cuidado de, a cada interseção, visualizar lá na frente”, alerta.
O representante do CMUTRAN explica que a velocidade de uma via não é calculada por puro acaso. Ela é calculada com base no chamado “túnel de visão”, que estabelece que quanto maior é a velocidade, menor é o campo visual periférico do condutor. “Quanto maior a velocidade, menos esse túnel de visão teu é. Ele vai diminuindo a percepção lateral. Chega um momento em que você olha só a via. Você não olha mais a calçada, você não olha a outra esquina. Por isso que as velocidades são calculadas nesse patamar. Então, por exemplo, o pessoal fica bravo porque a BR277 baixou para 100 km por hora. Só que a partir do momento que você começa a aumentar muito a velocidade, você deixa de perceber as laterais da pista, que pode entrar uma pessoa, pode entrar uma criança, pode entrar um animal, qualquer tipo de situação pode acontecer, ter um buraco na pista, ter uma pedra, qualquer coisa. E esse túnel de visão teu, quanto maior a velocidade, vai ficar cada vez menor. E isso prejudica e coloca a segurança dos demais em risco”, informa Sérgio.
Airton complementa afirmando que a base de um trânsito seguro é a confiança e o respeito mútuo. “O que falta é respeito mesmo no trânsito. O que rege o trânsito é o princípio da confiança. É confiança que eu vou entrar na minha preferencial aqui, que ninguém vai me atrapalhar, ninguém vai me bater. Esse é o princípio da observação das pessoas que estão adentrando numa via e você ter a confiança de você poder ir, senão ninguém anda no trânsito. A confiança é que eu vou poder trabalhar tranquilo e vou estar observando com bastante respeito a todas as normas de trânsito e veículos com sinalização, a pessoa que dá o sinal, vai dar seta para entrar para a esquerda, para a direita. Que esteja funcionando pelo menos os freios, e a gente vê isso que tem muita gente que desrespeita”, constata.
Como fazer um pedido para o Conselho
As solicitações da população ao CMUTRAN podem ser feitas via protocolo, por meio da Ouvidoria no site da Prefeitura de Irati, ou diretamente no Departamento de Trânsito. O cidadão deve justificar o pedido, que será avaliado pelo conselho quanto à sua viabilidade técnica, com a realização de estudos específicos quando necessário.