Junho Violeta reforça combate à violência contra idosos e destaca importância da denúncia e da convivência social

25 de junho de 2026 às 16h19m

Equipe técnica do Complexo Social Cidade do Idoso orienta sobre sinais de maus-tratos, formas de denúncia e os serviços oferecidos para promover qualidade de vida e proteção à população idosa de Irati/Texto gerado por IA, com supervisão de Paulo Sava e reportagem de Juarez Oliveira

Equipe do Complexo Social Cidade do Idoso falou sobre a campanha “Junho Violeta” no programa Espaço Cidadão, da Super Najuá. Foto: Juarez Oliveira

Resumo: – Campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção e o combate à violência contra a pessoa idosa;

  • Dia Mundial da Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa é celebrado em 15 de junho, de acordo com a ONU e a OMS;
  • Violência vai além das agressões físicas.

A campanha Junho Violeta tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção e o combate à violência contra a pessoa idosa. Em entrevista ao programa Espaço Cidadão, da Rádio Najuá, integrantes da equipe técnica do Complexo Social Cidade do Idoso de Irati alertaram para os diferentes tipos de violência sofridos pelos idosos, explicaram como identificar sinais de abuso e destacaram a importância da denúncia e do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

Participaram da entrevista a pedagoga Maria Carolina Mascarello, a assistente social Ana Paula Davebida e a psicóloga Jéssica Okszeinski Meira.Maria Carolina explicou que o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa é celebrado em 15 de junho, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “O dia 15 de junho é justamente uma data bem importante e marcada nessa campanha que a gente faz contra a prevenção e o combate à violência contra a pessoa idosa. O Junho Violeta é dedicado para que a gente possa cuidar com dignidade, respeito e amor de todas as pessoas idosas”, destacou.

Segundo a pedagoga, um dos principais desafios é fazer com que a população compreenda que a violência contra os idosos não se limita às agressões físicas. “São vários os tipos de violência. Muitas vezes a gente vai pensar que é só a física, a questão dos maus-tratos físicos, mas não é só isso. Nós temos também a violência psicológica, a violência financeira, a negligência, o abandono e também a violência sexual. São várias violências que a gente tem que estar atentos para que não existam esses tipos de violência na nossa sociedade”, afirmou.

A psicóloga Jéssica Meira ressaltou que a violência psicológica costuma ser mais difícil de ser identificada, mas deixa sinais importantes. “O medo excessivo que o idoso sente, a tristeza, o isolamento e as faltas de cuidados básicos também são sinais de alerta. A desnutrição, o emagrecimento e até movimentações financeiras incomuns podem indicar que alguma violência está acontecendo”, explicou.

Ela destacou ainda que muitos idosos acabam sendo manipulados por familiares próximos. “Às vezes é um familiar, um neto, que reside junto com esse idoso e acaba manipulando essa pessoa, fazendo financiamentos ou utilizando o dinheiro dela. O idoso acaba achando normal porque aquela pessoa mora junto e existe um vínculo afetivo”, comentou.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima

A equipe reforçou que qualquer suspeita de violência deve ser comunicada aos órgãos responsáveis, mesmo quando não há certeza sobre a situação. “Pelo Disque 100, no CREAS, nos CRAS e também no Complexo do Idoso, a gente pode optar por não falar quem está fazendo a denúncia”, explicou Jéssica. Ela ressaltou que não é necessário ter provas concretas para procurar ajuda. “Suspeitou, já pode fazer a denúncia. A equipe vai avaliar, fazer a visita e identificar se realmente existe algum tipo de negligência ou violência”, disse.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a negligência, que ocorre quando as necessidades básicas da pessoa idosa deixam de ser atendidas. “Quando o familiar não oferece os cuidados básicos, como ajudar no banho, providenciar alimentação, fazer compras ou preparar refeições, isso se torna uma negligência”, explicou Jéssica.

Ana Paula lembrou que os familiares têm responsabilidade legal e moral sobre os cuidados com os pais idosos. “A gente sempre diz que os filhos têm que assistir os pais na velhice. Se houver violação de direitos, a gente faz os encaminhamentos necessários e a pessoa será responsabilizada”, afirmou.

Segundo ela, entre os casos mais frequentes observados pela equipe estão o abandono e a violência psicológica. “A psicológica é a mais comum mesmo e a de abandono também. Muitas vezes, por conta do trabalho ou de outras situações, as pessoas acabam deixando o idoso sozinho em casa, o que pode trazer diversos prejuízos para a saúde física e emocional”, relatou.
Solidão pode causar depressão e agravar problemas de saúde

A psicóloga alertou para os impactos da solidão na terceira idade. De acordo com ela, o isolamento social pode desencadear quadros de ansiedade e depressão. “O que pode ocorrer é a depressão e a ansiedade. Em casos mais graves, isso pode levar até mesmo ao suicídio. Isso também acontece com pessoas idosas, não apenas com adolescentes, crianças ou adultos”, alertou.

Para enfrentar esse problema, o Complexo Social Cidade do Idoso oferece acompanhamento e atividades que estimulam a convivência e o fortalecimento dos vínculos sociais. “Eu procuro sempre ouvi-los e, se precisar realmente de terapia, fazemos o encaminhamento para a saúde mental. Nas visitas, sempre convidamos os idosos para participarem das atividades para evitar esse isolamento”, explicou Jéssica.

Atividades promovem qualidade de vida e integração

Além do trabalho de orientação e acolhimento, o Complexo Social Cidade do Idoso oferece diversas atividades gratuitas para a população idosa. Segundo Maria Carolina, a programação inclui atividades físicas, artesanato, yoga, zumba, bingo, jogos de cartas, oficinas e ações de inclusão digital. “A atividade física é uma das mais procuradas. Temos em média entre 120 e 130 pessoas participando das atividades pela manhã, entre terça e quinta-feira. Também temos artesanato, bingo, truco, yoga, zumba e várias outras opções para que cada idoso escolha aquilo com que mais se identifica”, explicou.

Ela destacou que a participação nas atividades contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida. “A pessoa chega ao complexo muitas vezes por indicação de amigos ou vizinhos e acaba criando novos vínculos. Isso ajuda muito a combater o isolamento e fortalecer a autoestima”, disse.

O Complexo também oferece transporte gratuito para facilitar a participação dos idosos. Ana Paula explicou que dois ônibus atendem diferentes regiões da cidade. “Temos dois ônibus e tentamos atender a cidade inteira. O cronograma do transporte fica disponível na recepção e procuramos definir pontos próximos às residências dos participantes”, informou.

Ela anunciou ainda o início do projeto Café com Prosa, que pretende ampliar o atendimento aos idosos das comunidades do interior. “Queremos abranger essas localidades e buscar esses idosos para que também possam participar das atividades do complexo. Esperamos que dê certo e que todos venham participar”, afirmou.

A equipe também realiza passeios e viagens. Recentemente, um grupo visitou Guaratuba, proporcionando momentos especiais aos participantes. Ana Paula lembrou de uma experiência marcante envolvendo uma idosa com deficiência visual. “Foi muito gratificante perceber o quanto ela aproveitou a viagem. Sentiu a areia, o vento, a água do mar. Em determinado momento ela quis mergulhar e todos se reuniram para acompanhá-la. Isso mostra que a deficiência não pode impedir o idoso de participar das atividades”, contou.

Todas as atividades do Complexo Social Cidade do Idoso são gratuitas. Para participar, basta realizar um cadastro apresentando RG, CPF e comprovante de residência. “A gente explica todas as atividades disponíveis e cada idoso escolhe aquelas de que deseja participar. Respeitamos a independência e as preferências de cada um”, destacou Maria Carolina.

Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp (42) 9202-7095 ou pelo Instagram Complexo Social Irati. A equipe reforça que o combate à violência contra a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva e que a denúncia, o acolhimento e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários são fundamentais para garantir respeito, proteção e dignidade à população idosa.

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