Jornalista cobra mobilização para salvar Casarão do Pinho e alerta para risco de perda do patrimônio histórico

17 de junho de 2026 às 21h26m

José Nascimento afirma que patrimônio histórico tombado há mais de 20 anos sofre com abandono, cobra ação conjunta de autoridades e alerta que estrutura corre risco de desaparecer sem intervenção urgente/Texto gerado por IA, com supervisão e reportagem de Paulo Sava e Juarez Oliveira

Resumo:

-Jornalista fez um apelo para que autoridades e a comunidade se mobilizem em torno da recuperação do patrimônio histórico, que corre o risco de desabar;
-Imóvel foi tombado pelo patrimônio histórico há cerca de 20 anos, mas acabou sendo abandonado ao longo do tempo;
-Nascimento defendeu a participação de lideranças políticas e da comunidade em prol da recuperação do Casarão.

O jornalista José Nascimento voltou a defender a preservação do Casarão do Pinho, localizado na área da antiga Fazenda do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – escritório de Irati, e fez um apelo para que autoridades e comunidade se mobilizem em torno da recuperação do patrimônio histórico, que, segundo ele, corre sério risco de desaparecer.

Durante entrevista à Rádio Najuá, Nascimento destacou que o imóvel foi tombado como patrimônio histórico há cerca de 20 anos, mas acabou sendo abandonado ao longo do tempo. “Nós precisamos que alguém levante a bandeira. Quem tem levantado a bandeira pelo Casarão da Florestal, pelo resgate desse patrimônio histórico e cultural, somos nós e algumas pessoas da comunidade. Eu tenho dito o seguinte: quem não tem história, não tem memória; quem não tem memória e história, não tem passado; e quem não tem passado, não tem futuro”, afirmou.

Para o jornalista, cultura e educação precisam receber mais atenção do poder público e da sociedade. “Já passou da hora de colocar cultura e educação em um plano superior. Quando a gente olha para o nosso passado e para as nossas raízes, é isso que vai nos dar força para construir um novo futuro”, ressaltou.

Nascimento defendeu que a recuperação do espaço precisa envolver lideranças políticas e toda a região Centro-Sul do Paraná. “Precisamos de alguém da área política, um prefeito, um deputado, autoridades que levantem essa bandeira. Tenho sido a voz dessa comunidade porque nasci lá, sou apaixonado pelo lugar, pela cultura, pela educação e pela história”, comentou.

Ele revelou que tem buscado apoio junto a autoridades estaduais e também acionou o Ministério Público de Irati para cobrar providências. Segundo o jornalista, apenas restaurar a edificação não seria suficiente. “Não basta reformar o casarão. Se gastar milhões para reformar e não houver um projeto maior, amanhã ele estará abandonado novamente. É preciso criar um ecossistema de desenvolvimento envolvendo agricultura, cultura, história e educação, transformando o espaço em um ambiente multidisciplinar”, defendeu.

Críticas ao processo de tombamento

José Nascimento também apontou falhas no processo de preservação do patrimônio. Na avaliação dele, o tombamento deveria ter abrangido todo o complexo histórico da Fazenda Florestal e não apenas o casarão. “Ali existe um complexo de interesse histórico e cultural. Deveriam ter tombado o casarão, os barracões, a chaminé, a capelinha e toda aquela região. Quando o Estado faz o tombamento, ele reconhece o valor histórico daquele espaço e assume a responsabilidade pela sua conservação”, explicou.

Ele afirma que, após o tombamento, o imóvel passou a sofrer um processo gradual de deterioração.“Até então, o Instituto Agronômico do Paraná fazia a conservação, cuidava e pintava. Depois do tombamento, parece que lavaram as mãos e o casarão começou a definhar”, criticou.

Ao abordar a responsabilidade pela preservação do imóvel, Nascimento citou documento produzido pelo Ministério Público de Irati que, segundo ele, aponta o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), antigo Iapar, como detentor da área onde o casarão está localizado. “A responsabilidade, segundo entendimento apresentado pelo Ministério Público, é do detentor do espaço, que hoje é o IDR. O casarão está dentro da área deles e deveria haver ações de conservação”, afirmou.

O jornalista ponderou que o instituto pode não possuir orçamento específico para uma restauração ampla, mas entende que medidas preventivas deveriam ter sido adotadas ao longo dos anos. “Eles deveriam ter procurado as autoridades e dito que não tinham recursos para fazer o projeto. Se não encontrassem solução, deveriam ter acionado o Ministério Público. O que não poderia acontecer era o abandono”, declarou.

Preocupação com o futuro do patrimônio

Nascimento demonstrou preocupação com a situação estrutural do casarão e afirmou que o imóvel corre risco de desabar caso nenhuma medida seja tomada. “Há mais de vinte anos se fala em projetos, reuniões e conversas. Enquanto isso, as pessoas estão vendo o casarão decair dia após dia. A pergunta que fazem é: vamos ver o casarão cair? Do jeito que está, talvez a gente tenha que lamentar”, disse.

Em uma publicação nas redes sociais, ele resumiu sua preocupação com a frase: “Até que o casarão caia, eu vou continuar lutando”. Segundo ele, o medo é que o patrimônio desapareça antes que alguma solução seja colocada em prática. “O casarão pede socorro. SOS Casarão da Florestal. Ele está à beira de cair”, alertou.

Capelinha também preocupa moradores

Além do casarão, Nascimento lamentou a situação da capela existente no local. Ele contou ter se emocionado ao acompanhar a última missa realizada no espaço devido aos problemas estruturais. “Eu chorei ao ver dona Leonilda Sabin Pioski, que participou da primeira missa na capelinha, aos 90 anos, participando também da última missa. Isso me marcou muito”, relatou.

Segundo ele, a comunidade vinha realizando esforços para preservar o local, mas o avanço dos danos estruturais tornou a situação preocupante. “Na última visita que fiz, o medo era que o sino caísse sobre os fiéis por causa da quantidade de cupins e do estado da estrutura. Por isso foi realizada a última missa”, contou.

Ao final da entrevista, José Nascimento reforçou o apelo para que autoridades estaduais, municipais e órgãos responsáveis unam esforços para evitar a perda definitiva de um dos principais patrimônios históricos da região. “Não precisamos procurar culpados de vinte anos atrás. O problema de hoje é que o casarão pede socorro e precisa de atenção imediata antes que seja tarde demais”, concluiu.

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