Parlamentares relatam veículo sem utilização há cerca de 40 dias, apontam problemas estruturais na base do serviço e criticam demora nos atendimentos de urgência/Paulo Sava

Resumo: – João Henrique solicitou que sejam tomadas providências para resolver os problemas do SAMU;
- Presidente da Câmara diz que vereadores conhecem o sistema de funcionamento do SAMU;
- Ambulância Alfa passa maior parte do tempo atendendo ocorrências fora de Irati.
As condições de funcionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Irati voltaram a ser tema de debate na sessão da Câmara Municipal realizada nesta semana. Durante a reunião, vereadores relataram problemas relacionados à estrutura do serviço, às condições de trabalho dos funcionários e à demora nos atendimentos prestados à população.
O vereador João Henrique Sabag Duarte informou que realizou uma visita ao Pronto Atendimento Municipal acompanhado do vereador Marcelo Duda. Durante a fiscalização, os parlamentares encontraram uma ambulância do SAMU parada no pátio da unidade, apesar de ter chegado ao município há cerca de 40 dias.“E por nossa surpresa, nós vimos uma ambulância do SAMU que chegou ao município, segundo informações dos funcionários, aproximadamente quarenta dias e essa ambulância está parada lá no pátio. Nós gostaríamos de saber qual o motivo dessa ambulância não ter sido colocada em trabalho ainda para as equipes do SAMU, visando uma melhoria do atendimento para nossa população”, afirmou João Henrique.
Além da situação da ambulância, os vereadores também visitaram os alojamentos utilizados pelos profissionais do serviço e relataram problemas considerados graves. “E para nossa surpresa, nós vimos condições insalubres nos quais esses funcionários estão trabalhando. Essa é uma foto de uma ambulância que está no pátio com essa placa e olha para os senhores ver as condições dos pneus que se encontra esse veículo. Então nós gostaríamos que fosse tomada providências porque isso coloca em risco nossa população e as pessoas que tão circulando pelas ruas. Essa ambulância do SAMU que tá parada lá no pátio aproximadamente quarenta dias e nós gostaríamos de explicações porque que essa ambulância não foi colocada pra rodar e pra atender a nossa população”, declarou.
O vereador também pediu que medidas sejam adotadas para melhorar o ambiente de trabalho dos profissionais enquanto a nova sede do serviço não fica pronta. “Então nós gostaríamos que providências fossem tomadas pela administração do SAMU. Nós sabemos que a nova sede está em construção, mas até então que providências fossem tomadas para melhorar as condições de trabalho desses funcionários”, disse.
Presidente da Câmara defende melhorias estruturais
Após a diretora do Consórcio Intermunicipal SAMU Campos Gerais (CIMSAMU), Emanuelle de Matos Schuck, afirmar na semana passada à reportagem que os vereadores deveriam conhecer melhor o funcionamento do serviço, o presidente da Câmara, Selmo de Lima Vieira, rebateu as declarações e afirmou que o Legislativo acompanha a situação há bastante tempo.
Segundo ele, uma das reivindicações dos vereadores é justamente a construção de uma estrutura própria para o serviço.
“Nós estávamos pedindo melhorias, nós começamos recentemente pedindo melhorias lá para o SAMU sair ali do pronto atendimento para eles ter uma base própria, para que a estrutura fique melhor também para os profissionais que trabalham ali no pronto atendimento. Também acaba um atrapalhando o outro, porque a estrutura foi feita para o pronto atendimento, não foi feita para o SAMU. E a gente vê isso que foi mostrado agora, os improvisos. Nós precisamos de cada setor ter o seu local de conforto, de trabalho, uma estrutura digna para poder desenvolver seus trabalhos”, afirmou.
Demora nos atendimentos gera reclamações
Durante seu pronunciamento, Selmo também destacou que as reclamações da população se concentram principalmente na demora para o atendimento das ocorrências. “Todos nós reconhecemos a importância do serviço e sabemos que existe um protocolo nacional de urgência e emergência que deve ser seguido. No entanto, a realidade enfrentada pela população é que a demora no atendimento tem sido muito grande. Em situação de urgência, cada minuto faz a diferença. A burocracia não pode prevalecer sobre a importância de um atendimento rápido e eficiente”, declarou.
O presidente explicou que, atualmente, quando um chamado é realizado em Irati, a solicitação passa por diversas etapas até a autorização para deslocamento da ambulância. “Hoje, quando o cidadão solicita ao SAMU em Irati, o atendimento passa por várias atendentes, até chegar ao médico regulador da central, em Ponta Grossa, que então autoriza o deslocamento da ambulância. E esse processo muitas vezes prolonga o tempo de resposta justamente quando as pessoas precisam de socorro imediato”, comentou.
Ambulância Alfa atende dez municípios
Outro ponto levantado por Selmo foi a utilização da Unidade de Suporte Avançado, conhecida como Ambulância Alfa, em atendimentos regionais. Segundo ele, o veículo frequentemente está fora do município atendendo ocorrências em outras cidades, o que acaba reduzindo a disponibilidade do serviço para a população iratiense.
“Ela passa grande parte do tempo na estrada atendendo ocorrência de outros municípios. Essa ambulância atende um núcleo de dez municípios. Ela acaba atendendo e transportando pacientes de Mallet para Ponta Grossa, Curitiba e outras cidades. Muitas vezes, quando nós precisamos dessa ambulância para atender aqui, às vezes só a ambulância com o socorrista não é suficiente, precisa do médico, e o médico às vezes está na estrada. Então é essa cobrança que nós queremos, esse atendimento mais rápido e essa ambulância disponível para a nossa população”, ressaltou.
O presidente da Câmara reforçou que a principal preocupação dos vereadores é garantir que o socorro chegue rapidamente a quem necessita. “Precisamos cobrar providências concretas. Se há uma solicitação de socorro é porque existe a necessidade de atendimento rápido. Não é razoável que a pessoa tenha de esperar excessivamente enquanto os procedimentos burocráticos se acumulam”, afirmou.
Selmo destacou que a principal reclamação recebida pelos parlamentares diz respeito ao tempo de chegada das equipes ao local das ocorrências. “O maior questionamento da população está na chegada da ambulância do SAMU quando ela é solicitada. Antes de discutir exames é preciso garantir que o socorro chegue com rapidez a quem precisa. Reitero, entendemos a existência dos protocolos nacionais de urgência e emergência e respeitamos a necessidade de critérios técnicos, mas a demora excessiva tem causado indignação e preocupação. A burocracia não pode se tornar um obstáculo ao atendimento rápido e eficiente. O foco deve ser reduzir o tempo de resposta do SAMU, ampliar a estrutura disponível para Irati e garantir que a população receba o socorro de que necessita no momento certo”, concluiu.

Como contraponto às críticas apresentadas pelos vereadores durante a sessão da Câmara, o procurador-geral do Município, Hermano Faustino, explicou que os questionamentos encaminhados ao Executivo serão respondidos oficialmente ao Legislativo, mas adiantou alguns esclarecimentos sobre os temas levantados.
Em relação à ambulância do SAMU que está parada no pátio do Pronto Atendimento, Hermano afirmou que o veículo não pôde entrar em operação imediatamente devido aos trâmites burocráticos exigidos para regularização da documentação. “É bem importante que a gente entenda que, quando a gente recebe um veículo, esse veículo precisa passar por toda a tramitação, regulamentação, emplacamento e transferência de titularidade. E no caso das ambulâncias, a titularidade, em algumas situações, precisa ficar sob responsabilidade do Ministério da Saúde, o que demora um pouco mais, quando a gente precisa dialogar com o Ministério da Saúde para fazer essa regulamentação”, explicou.
Segundo o procurador, a ambulância mencionada pelos vereadores chegou ao município em março, mas somente teve toda a documentação regularizada no início deste mês. “Nesse caso específico, a ambulância que chegou em março só foi finalizado o processo agora em 3 de junho, porque também foi preciso fazer uma adequação na documentação relativa ao giroflex. Então, não tem muito o que fazer. Burocracia faz parte. Houve aí essa demora, mas uma demora necessária para que a documentação pudesse ser finalizada e o veículo possa ser agora utilizado”, afirmou.
Sobre as reclamações relacionadas ao funcionamento do SAMU e à demora nos atendimentos, Hermano ressaltou que a regulação do serviço não é responsabilidade direta do município de Irati, mas da central sediada em Ponta Grossa. “É bem importante entender que a regulamentação do SAMU não é uma competência municipal. Todos os municípios que têm como base o município de Ponta Grossa precisam obedecer a regulamentação daquele município, e é o nosso caso. Então, boa parte do que foi apontado como crítico ou sugestão precisaria ser realmente encaminhado para a regulamentação de Ponta Grossa”, disse.
O procurador destacou que a administração municipal pode colaborar com os encaminhamentos das demandas, mas não possui autonomia para promover alterações nas regras operacionais do serviço. “Nós podemos colaborar com esse encaminhamento, mas não nos compete fazer alterações que foram sugeridas, comentadas pelos vereadores, infelizmente. Então, a gente entende a demanda, a gente sabe que realmente há melhorias que podem acontecer, todavia não compete ao município ou à Secretaria de Saúde local fazer tratativas nesse sentido, porque não nos compete essa regulação”, acrescentou.
Já em relação às críticas sobre a estrutura destinada aos profissionais do SAMU, especialmente o espaço de descanso conhecido como “conforto”, Hermano reconheceu a necessidade de melhorias e afirmou que a administração municipal já trabalha para solucionar a situação. “Em relação ao que foi apontado sobre o espaço, a base de apoio aos médicos, o chamado conforto, esse conforto está de maneira igual desde 2021 e foi apontada realmente uma demanda para melhoria. Desde então, o município recebeu essa demanda e está tratando para que haja a efetiva melhoria. Estamos em busca de um local para que possa haver essa adequação”, comentou.
O procurador reiterou que o município permanece à disposição para prestar esclarecimentos à população e aos vereadores sobre o tema. “Então são esses os pontos que foram abordados, esse é o esclarecimento que a gente está apresentando aos vereadores e também à população, mas sempre lembrando que nos colocamos à disposição para esclarecimentos complementares, para que as pessoas possam efetivamente entender o que está acontecendo, seja na saúde ou em qualquer outra área”, concluiu.