Acidente com motociclista reacende debate sobre fios soltos em Irati

29 de abril de 2026 às 18h04m

Mulher ficou ferida após atingir cabo pendurado na Avenida Getúlio Vargas; vereadores cobram providências e município reforça fiscalização sobre empresas responsáveis/Paulo Sava

Discussão sobre cabos soltos voltou à tona na sessão desta terça-feira, 28, da Câmara de Irati. Foto: Diego Gauron

Resumo: – Vereador Marcelo Duda ressaltou que situação de fios e cabos soltos em Irati é muito crítica;

  • População sofre com insegurança ao encontrar cabos soltos;
  • Acidente serve de alerta para os riscos dos fios e cabos soltos nas ruas.

O problema dos fios e cabos soltos continua em Irati. O assunto foi debatido durante a sessão desta terça-feira, 28, da Câmara de Irati, depois de um acidente deixar uma mulher ferida no início desta semana na Avenida Getúlio Vargas.

Na situação, uma mulher de 21 anos sofreu uma queda de motocicleta após atingir uma fiação pendurada sobre a via, possivelmente de energia elétrica ou internet. Conforme o relatório, a vítima teve um corte na região do pescoço provocado pelo cabo antes de cair. Ela recebeu atendimento no local e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

O vereador Marcelo Duda ressaltou que a situação dos cabos e fios soltos é muito crítica. “Praticamente toda a Avenida Getúlio Vargas está com cabos pendurados, alguns arrebentados e muitos a menos de 2 metros de altura. Posso falar isto com segurança, pois como comentei, eu mesmo verifiquei hoje pela manhã e à tarde. Sabemos que várias empresas atuam nesta rede: são operadoras de internet, empresas que prestam serviço terceirizado e também terceirizadas contratadas para instalar e manter os cabos de internet. O problema é a falta de agilidade e de padrão na hora de organizar e recolher estes fios na hora do serviço executado”, frisou.

Para Marcelo, a população sofre com a insegurança ao se deparar com fios e cabos caídos nas ruas. “Não dá para aceitar que a população corra risco porque a instalação foi malfeita ou porque a manutenção das empresas demora. Por isso, trago mais uma vez este assunto a esta casa, precisamos cobrar mais agilidade e responsabilidade destas empresas, seja operadora terceirizada ou não. Quem lucra com o serviço em Irati tem que garantir que a cidade fique segura”, pontuou o vereador.

Para a vereadora Terezinha Miranda Veres, o acidente serve de alerta para os riscos dos fios e cabos soltos nas ruas. “Este caso reforça este alerta para estes riscos causados pelos fios soltos e pendurados em vias públicas. Nós sabemos que, além da poluição visual que estes fios trazem, este tipo de situação pode representar perigo à nossa população. Então, vamos tomar, fazer e pedir ao Executivo para que possamos tomar uma medida que traga segurança e que evite estes cabos soltos. Que as empresas responsáveis façam o recolhimento, a retirada destes fios, para que nós possamos evitar acidentes e até de as pessoas virem a óbito. Então, precisamos tomar uma providência o quanto antes, para trazermos esta segurança à nossa população”, comentou a vereadora.

Nossa reportagem procurou a secretária de Segurança Pública e Cidadania, Lidiane de Deus, para falar sobre o assunto. Em nota, ela disse que, quando a Guarda consegue identificar a empresa responsável pelos cabos, ela é notificada a remover os fios e fazer a adequação. “Infelizmente é muita empresa utilizando os mesmos postes, só consegue identificar quando vão arrumar após os usuários fazer a reclamação que estão sem internet”, relatou Lidiane.

Em agosto de 2025, um documento lido pela vereadora e 1ª secretária da casa, Sybil Dietrich (PP) afirmava que a concessionária afirma que o artigo 73 da Lei Geral das Telecomunicações (Lei nº 9472/1997) prevê a obrigatoriedade da disponibilização de espaços nos postes, dutos e condutores para que as empresas de telefonia e internet possam instalar seu cabeamento e prestar serviços. Os espaços podem ser alugados a preços justos e razoáveis.

Na oportunidade, a Copel informou que vem realizando trabalhos de vistoria, para analisar o uso da rede e notificar as empresas de internet em caso de descumprimento das normas técnicas. O objetivo é investigar situações de risco, falta de atendimento às normas técnicas, ocupações indevidas e desuso, entre outros casos. As ações seguem o rito das instruções normativas e o que está previsto em contrato firmado entre as empresas e a Copel Distribuição. No documento lido por Sybil, a Copel detalhou as etapas do processo de vistoria.

“Entre as etapas do processo, temos a emissão de notificação para as operadoras, a concessão de prazo de regularização de 30 dias e, por fim, a nova vistoria, regularização, cortes e retiradas de cabos em situação de risco ainda existentes. Deve-se zelar para que o compartilhamento de infraestrutura nos postes ocorra de maneira ordenada, sem prejuízos para o setor de distribuição, aos consumidores do setor de energia elétrica e à sociedade, dado que ocupações desordenadas e à revelia resultam em prejuízos e acidentes”, pontuou a Copel.

Em 2021, a Câmara de Irati aprovou um projeto de lei que dispõe sobre a obrigatoriedade da Copel e das empresas que utilizam os postes de energia para distribuição do cabeamento de internet ou telefonia retirarem cabos inutilizados ou em desuso de ruas do município. O autor do projeto foi o vereador Alcides Cezar Pinto (Batatinha). Na época da aprovação do projeto, ele justificou que a matéria visava acabar com o abandono de fios de energia, telefonia, TV a cabo e internet após a realização de reparos por parte das empresas. O projeto foi sancionado e transformado em lei pelo prefeito Jorge Derbli em agosto daquele ano.

Porém, em agosto do ano passado, a Prefeitura de Irati encaminhou para a Câmara um projeto de lei que amplia a responsabilização das operadoras e prevê multas maiores para casos de abandono de fios.

Na época, o procurador-geral do município, Hermano Faustino, explicou que a lei existente era considerada tímida e não trazia resultados efetivos. “O projeto busca incluir Irati no contexto de punições mais severas. A lei anterior focava muito na concessionária de energia elétrica e previa multas pequenas. Agora, as penalidades previstas são de até 100 mil URMs, mostrando que o problema é muito sério”, disse.

Cada Unidade de Referência Municipal (URM) de Irati vale atualmente pouco mais de R$ 107. Assim, as multas podem ultrapassar R$ 10 milhões em casos graves.

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