Presidente da Câmara de Rebouças denuncia ex-presidente por suposto favorecimento em licitação

05 de março de 2026 às 18h01m

Jefferson Okamoto protocolou denúncia no Ministério Público e na Polícia Civil; vereador Márcio “Tio Chico” nega acusações, diz que vídeo é montagem e promete acionar a Justiça/Paulo Sava

Na foto, o presidente atual da Câmara de Rebouças, Jefferson Okamoto, e o ex-presidente e vereador Márcio Roberto de Souza (Tio Chico). Fotos: Paulo Sava

Resumo: – Presidente protocolou denúncia junto ao Ministério Público e à Polícia Civil;

  • Jefferson diz que ex-presidente tinha acesso aos valores das empresas concorrentes e as repassava para a empresa denunciada;
  • Vereador denunciado nega os fatos e diz que vídeo que circula nas redes sociais é “montagem”.

O presidente da Câmara de Rebouças, Jefferson Okamoto, denunciou o ex-presidente e vereador Márcio Roberto de Souza (Tio Chico) por suposto envolvimento em um caso de favorecimento a uma empresa do ramo alimentício em para compra de alimentos e produtos de limpeza. Um vídeo que está circulando pela internet mostra o vereador e uma empresária que estariam supostamente conversando a respeito das negociações.

Em entrevista coletiva, o presidente ressaltou que a denúncia foi protocolada junto ao Ministério Público e à Polícia Civil. “Agora nós iremos protocolar a denúncia na Câmara e iniciaremos o processo que envolve uma Comissão Processante, que vai determinar se a denúncia é válida ou não, com todos os direitos de defesa do denunciado. Nem eu nem ele poderemos participar da Comissão, e a partir da decisão dela, vai ser votado em plenário”, frisou.

De acordo com Jefferson, o ex-presidente tinha acesso aos valores das empresas concorrentes e os repassava para a empresa denunciada. “As empresas apresentam os valores numa folha de papel, ele ia lá e tirava foto destas folhas dos concorrentes e repassava para a empresa. Ele estava violando a Câmara, tirava documentação de dentro para fornecer a terceiros em benefício de uma determinada empresa”, pontuou.

Apesar de ter em mãos todos os valores e contratos de licitações feitos em 2025, que giram em torno de R$ 10 mil e R$ 11 mil e tê-los anexado à investigação, Jefferson acredita que o que importa é o fato em si, que seria o suposto envolvimento do vereador Tio Chico na situação.

“Não interessa o quanto é, mas sim o princípio da coisa. É igual aquela história, onde passa um boi passa uma boiada, e isto é só a ponta do iceberg: onde tem um caso, tem vários. O Legislativo vai deixar de ser um apêndice do Executivo, como era na gestão anterior, e vamos fazer nossa função de fiscalização a partir de agora”, frisou.

Em relação ainda à fiscalização dos fatos, Jefferson diz que, como atual presidente, não pode se omitir. “Eu não posso prevaricar, ser uma pessoa que critica quando não está lá, mas quando chega, não exerce a função de fiscalizar e tentar trazer a verdade à tona, doa a quem doer. Eu temo pela minha segurança, da minha família e das pessoas próximas de mim, eu temo pela retaliação que existe. Hoje o vereador Tio Chico é líder do governo, e eu sou funcionário público, e as pessoas que eu gosto são funcionárias públicas também. Então, temos este receio, mas eu acredito que temos que ter um ideal, não podemos abdicar do que achamos certo, e temos que seguir na luta até o último suspiro”, pontuou.

Durante a sessão da última terça-feira, 03, o vereador Tio Chico pediu que a Comissão de Ética da câmara, formada pelos vereadores Aguinaldo Antônio Hurbik, Vicente de Andrade Cardoso e Alessandro Mazur, faça uma análise da denúncia. Ele alega que o vídeo que está circulando nas redes sociais é uma “montagem” e que não há provas de seu envolvimento nos fatos citados.

“Nos últimos dias, eu fui vítima de uma montagem que foi criada, e em cima desta montagem, uma narrativa sem prova nenhuma, mas simplesmente uma informação não comprovada pelo vídeo. Eu estou à disposição da Justiça competente para provar minha inocência, pois tenho certeza de que não existe nada que desabone minha conduta como vereador e cidadão. Deixo o meu celular, os documentos da câmara de quando fui presidente, da licitação, disponíveis a qualquer cidadão. Quero dizer também que fui o presidente que mais economizou nesta casa”, comentou.

Para Tio Chico, a situação foi “armada”. “Isto foi armado, eu sei, e o presidente não precisa ter medo nem pedir para o segurança vir aqui porque é uma casa de leis e todo mundo se respeita. Estou à disposição da Justiça”, frisou.

Por outro lado, Tio Chico disse que vai denunciar o atual presidente da Câmara e pedir uma ação indenizatória por desacato contra Jefferson, que teria utilizado palavras de baixo calão ao se referir ao denunciado. “Eu jamais imaginaria que alguém com tal formação poderia agir desta maneira. A partir dos próximos dias estarei divulgando o vídeo com fatos e provas para a população nas redes sociais. Também gostaria de mandar um ofício ao senhor prefeito para saber se foi instaurada uma sindicância contra o funcionário público Jefferson Okamoto pelo ocorrido na Secretaria de Saúde, pelo desacato”, pontuou.

O atual presidente diz que está seguro quanto ao material contido no vídeo, dizendo que ele é verdadeiro. “A alegação dele dizendo que o vídeo é falso gera uma outra narrativa. Quer dizer que ele pensa que o que existe ali é grave de fato. A partir do momento que comprovarmos que este vídeo é verdadeiro, acredito que a situação dele vai ficar bem incômoda”, afirmou.

O vereador Alessandro Mazur solicitou que o denunciado faça um ofício formalizando o pedido para que a Comissão possa intervir no assunto. “A Comissão não pode querer tomar conta do assunto, tem que ser provocada. Então, precisamos da formalização para que possamos fazer as tratativas”, pontuou.
Nossa reportagem está tentando contato com um dos proprietários da empresa citada na denúncia e com o Ministério Público de Mallet, que está cuidando do caso, mas ainda não obteve resposta de ambos. O delegado da Polícia Civil, Itamar Casabranca, deve falar sobre a denúncia na próxima semana.

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