Irati aposta em novas rotas e infraestrutura para fortalecer o turismo local

02 de fevereiro de 2026 às 18h04m

Entre as ações, estão sendo planejadas rotas turísticas com o objetivo de integrar vários pontos do município/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Juarez Oliveira

Foto: Diego Gauron

Resumo:
-Entre as ações, estão sendo planejadas rotas turísticas com o objetivo de integrar vários pontos do município;
-Outra rota que está sendo planejada é a Rota da Medalha Milagrosa, que deve incorporar visitas ao Morro da Santa;
-Há ainda um trabalho envolvendo as cachoeiras que estão localizadas no interior de Irati.

O município de Irati está investindo em ações no setor turístico para desenvolver e fomentar essa economia na região. Entre as ações, estão investimentos em sinalização, infraestrutura e planejamento de rotas.

O diretor do Departamento de Turismo de Irati, Adriano Godoy, explica que, inicialmente, estão sendo realizadas pequenas ações. “Estamos fazendo ações em cachoeiras que estavam esquecidas. Temos duas cachoeiras urbanas. Pouquíssimas cidades do mundo têm duas cachoeiras dentro do seu fluxo urbano. Nós temos, além do parque, outros atrativos que podem ser interligados, por exemplo, o Morro das Comunicações. Tem muitas pessoas que vão lá”, disse.

Entre as ações, estão sendo planejadas rotas turísticas com o objetivo de integrar vários pontos do município. “O turismo rural, vou citar o exemplo do Pinho, nós estamos criando uma ciclorrota oficial. Dia 22 de fevereiro é o lançamento dela. Ela é a do Pinho. São 30 quilômetros. As pessoas vão poder passar por Irati, vir para fazer essa ciclorrota. Estão sendo construídas novas pousadas. Tem as cachoeiras. Só no Pinho, nós temos mais de sete cachoeiras”, conta.

Outra rota que está sendo planejada é a Rota da Medalha Milagrosa, que deve incorporar visitas ao Morro da Santa. O município possui um recurso do Governo Estadual garantido para realizar um trabalho com mosaicos nas escadarias do morro. “É a história de Irati que vai ser contada em mosaicos, em pequenos fragmentos históricos da nossa história religiosa. Vai ser a Escadaria da Fé. Escadaria do Jardim das Flores Marianas. Vai ser algo espetacular que o recurso já está garantido. Estamos na fase de engenharia. Esse é o primeiro projeto, mas tem outros que eu ainda não posso falar, que que vão fomentar muito o turismo religioso, muito mesmo”, disse.

Há ainda um trabalho envolvendo as cachoeiras que estão localizadas no interior de Irati. O município conseguiu adquirir o terreno de uma das cachoeiras do Pinho, que pertencia à União. Contudo, o processo de transferência para Irati ainda está acontecendo. “É burocrático. A documentação está certa, ela virá para nós. Mas toda vez que mandamos alguma coisa, eles pedem uma outra. ‘Agora eu preciso disso, preciso disso’. Estamos na fase que agora eles pediram para nós um anteprojeto do que vai ser feito ali”, explica.

O objetivo da atual gestão municipal é construir um parque municipal no local. “A nossa ideia é transformar num parque municipal, onde teremos a área que será de preservação permanente, isso vai gerar ICMS ecológico para o município e teremos a parte de exploração, que é onde faremos a parte de investimento na trilha, mirante, estrutura de apoio ao turista também. Nós queremos fazer um centro de apoio no meio, exatamente na metade, porque lá não tem sinal de celular. Nós queremos, no mínimo, colocar alguma coisa via rádio. Pensamos, obviamente, em deixar salva-vidas, pelo menos nos finais de semana, no verão”, conta.

A expectativa é que o anteprojeto seja finalizado em três meses. “Enquanto isso, estamos fazendo medidas paliativas. Ontem, instalamos mais dez placas de aviso de alerta, porque é uma área de natureza intocada. Além de todo o visual deslumbrante, tudo aquilo que é maravilhoso, tem os seus riscos. É uma cachoeira que vai de 30 centímetros a 14 metros de profundidade. Além de todos os riscos de ser uma cachoeira, como ela é uma cachoeira alta, tem o risco da pessoa cair. Por mais que seja um grande nadador, não consegue sair, dependendo de onde ela for. Estamos fazendo esses tipos de alerta”, disse.

De acordo com o diretor, a integração dos pontos turísticos é um desafio. “Hoje nós não temos um fluxo turístico. Nós temos um fluxo de visitantes. As pessoas vêm, talvez por falta de informação, elas chegam, veem a Santa e vão embora. Elas não consomem a nossa cidade, não consomem o que temos aqui, não deixam o dinheiro aqui. Quando elas passarem a deixar isso, vai gerar desenvolvimento econômico para o município”, explica.

Os recursos para realizar essas ações são obtidos junto à Instância de Governança Regional (IGRs), que na região é representada pela Agência de Desenvolvimento do Centro Sul do Paraná (ADECSUL). O diretor de Turismo conta que é por essa intermediação que os municípios conseguem recursos para realizar ações. “De pequenas ações junto com a IGR, que é de extrema importância, principalmente na captação de recursos, porque se não existir a IGR, por mais que seja indiretamente, nós não conseguimos captar recurso do Estado. Uma das exigências na captação de recursos é que o município esteja inserido dentro de uma área ou que possua uma IGR. Então, você precisa preencher um formulário lá e se não tiver esse IGR, você não recebe o recurso”, conta.

No ano passado, o município de Irati conseguiu um total de recursos de R$ 3,5 milhões junto ao Governo do Estado para aplicar em ações. “Nós esperamos que no mínimo dobre isso para o ano que vem. Foi a primeira vez na história que recebemos um recurso para eventos, nunca tinha recebido antes. São pequenas ações que com o passar dos anos vão gerar para nós esse fluxo de visitantes, de turistas e que em Irati vai crescer muito, podem ter certeza”, disse.

O diretor de Turismo ainda destaca que muitas pessoas não reconhecem que o município possui pontos turísticos. “O turismo no Brasil, hoje, é uma criança ainda. Está engatinhando. Apesar desse ano, nós termos recebido o maior número de turistas da história do país, estrangeiros, o Paraná também, Vila Velha, o estado do Paraná inteiro. É de conhecimento popular que Irati não tem nada, que a região não tem nada. Mas tem. Tem muita coisa e isso está sendo desenvolvido”, afirma.

Adriano Godoy, diretor de turismo de Irati. Foto: Diego Gauron

Com o objetivo de mapear esses pontos turísticos, que a ADECSUL tem realizado um trabalho com municípios da região para certificar locais em que o turista pode visitar e frequentar. “No ano passado, nós nos organizamos para atender uma demanda que o Estado nos propôs, que foi a emissão das Darits [Declaração de Atrativo de Relevante Interesse Turístico do Paraná], que são as declarações de atrativo de relevante interesse turístico do Estado do Paraná. O que são as Darits? As Darits serão certificados entregue a espaços, estabelecimentos e atrativos turísticos que sejam relevantes para os municípios e que desenvolvam o turismo, a economia, a cultura, o turismo rural, o turismo de experiência em cada um dos municípios”, explica a interlocutora regional de turismo da ADECSUL, Milene Aparecida Padilha.

Os certificados serão entregues em fevereiro para os municípios. Ao todo, a ADECSUL conseguiu mapear 63 atrativos turísticos nos 11 municípios de abrangência. “É claro que isso é um pequeno apanhado dos municípios, porque eles foram solicitados meio que a toque de caixa. Não tinha muito tempo para fazermos os ofícios e mandar. Nós fizemos com pelo menos quatro por município, que já dariam 44 [atrativos]. Mas alguns municípios mandaram mais solicitações. Nós vamos poder entregar essas declarações, mas os municípios têm muito mais atrativos”, conta Milene.

Além dos pontos turísticos, Milene explica que outros serviços, como a rede hoteleira, também fazem parte desse mapeamento. “Falando do turismo, nós falamos de quando vamos viajar para um outro lugar, mas dentro da nossa cidade, a rede de hotelaria que abriga os turistas, nós falamos do setor gastronômico que alimenta as pessoas que vêm visitar, nós falamos das pousadas, dos Airbnbs, dos Bookings que tem espalhado por aí, das agências de viagem, dos guias turísticos, está aqui o Murilo, que é do Pé da Montanha. É toda uma cadeia de comércio do turismo que gera emprego, gera renda, gera melhoria, gera segurança, isso para sociedade como um todo”, disse.

Milene Aparecida Padilha, interlocutora de turismo da Adecsul. Foto: Diego Gauron

Contudo, para que o turismo gere renda, é preciso investimento em infraestrutura e preparação dos municípios para receber turistas. A interlocutora regional de turismo da ADECSUL explica que os municípios e empresas privadas conseguem recursos públicos para este tipo de desenvolvimento. Um dos meios é por editais públicos lançados por agências de fomento. Um dos exemplos é um edital da Itaipu, lançado no dia 20 de janeiro, que destina R$ 100 milhões para projetos do Terceiro Setor que tenham iniciativas dentro da proposta de desenvolvimento sustentável, que trabalhem com a energias limpa, renováveis e sustentáveis.

Há ainda projetos que são ligados ao Governo do Paraná. “Nós, enquanto ADECSUL, vamos inscrever o nosso projeto para captar um recurso, desenvolver os municípios, mas dentro do estado do Paraná, que a nossa ADECSUL trabalha, e a IGR também, existem os programas da própria SETU [Secretaria de Estado do Turismo]: Paraná Mais Evento, Paraná Mais Viagens, Paraná Mais Infraestrutura. A gestão, o poder público, a prefeitura podem acessar todos esses programas, esses projetos do Governo, para adquirir estruturas para eventos, infraestrutura para melhorar a sinalização turística, para melhorar os seus atrativos turísticos públicos e desenvolver o turismo de forma pública”, conta Milene.

Assim como acontece na área da cultura, o desconhecimento sobre como participar desses editais fazem com que municípios e agentes privados percam oportunidades de investimento na área do turismo. “Para o turismo, tem muito mais recurso do que para cultura. E não sabemos disso. Não sabemos até trabalhar com isso”, explica.

Milene destaca que no setor público, as gestões municipais podem articular com as secretarias estaduais e os ministérios para conseguir recursos para infraestrutura. “A gestão tem formas de viabilizar recurso dentro da Secretaria de Estado, também dentro do próprio Ministério do Turismo, que existem meios, mecanismos de arrecadação de recursos, de acesso aos recursos públicos”, disse.

As empresas privadas também possuem meios para conseguir recursos para investir no turismo. “Nós temos, por exemplo, a Fomento Paraná, que tem linhas de crédito específicas para quem desenvolve o turismo de forma privada. Nós puxamos novamente as Darits. Quem tiver essas declarações, tanto a iniciativa pública, quanto a iniciativa privada, vai poder acessar linhas de financiamento para melhorar a sua estrutura que recebe turístico, seja gastronomia, hotelaria, agências de viagem. Então, existem recursos para esfera pública e para esfera privada”, conta.

Um projeto bem elaborado é o segredo para aumentar as chances da iniciativa privada ser contemplada com os recursos. “É importante que você tenha o teu projeto. Se você não tem o projeto na linha do turismo, procura a ADECSUL. Nós podemos auxiliar, porque a ADECSUL não faz somente o atendimento dos onze municípios. Nós podemos atender também a iniciativa privada e mostrar como fazer o desenvolvimento. Mas existe muito recurso. Nós precisamos aprender a captar esses recursos para o turismo, para cultura, para o desenvolvimento rural, para agricultura, para qualquer setor, porque o recurso existe. Nós precisamos conhecer mais sobre ele”, comenta.

ADECSUL

A Agência de Desenvolvimento do Centro Sul do Paraná (ADECSUL) é uma agência de desenvolvimento regional com câmaras setoriais para vários setores da comunidade como saúde e agricultura. Na região, o setor de turismo tem sido um dos mais trabalhados pela agência. “Nós falamos mais de turismo nessa agência porque é um fator que vem desenvolvendo ao longo do tempo, com esse fortalecimento. Nós temos ações de fazer planos de turismo juntamente com os municípios da região”, explica o presidente.

A agência funciona como um interlocutor entre municípios e Estado. “Nós temos essa comunicação com eles, reuniões, desenvolver projetos, inserir eles no Mapa do Turismo, que é necessário pra que venham verbas e venham projetos aprovados estando no Mapa do Turismo”, conta o presidente.

O Governo do Paraná dividiu o estado em 18 macrorregiões, tendo em cada uma a chamada Instância de Governança Regional (IGRs). Na região, a ADECSUL também funciona ainda como uma IGR, que é chamada de Terra dos Pinheirais. Essa macrorregião contempla 11 municípios, desde Prudentópolis até Guarapuava, incluindo Imbituva, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro, Inácio Martins, Rebouças, Mallet, Rio Azul e Guamiranga, além de Irati.

Neste ano, a ADECSUL já tem realizado planos para a região. “Nós temos um cronograma posto para esse ano de 2026 e tendemos a crescer regionalmente com turismo, com a Secretaria de Estado de Turismo fazendo todo esse movimento que eles vêm fazendo, fortalecendo o turismo nas IGRs, que são as Instâncias de Governanças Regionais. A Terra dos Pinheirais, o nosso território. O secretário de Turismo bate muito nessa tecla de fortalecer os territórios com programas voltados para que nós conheçamos o nosso território, conheçamos outros territórios”, comenta o presidente da Adecsul.

Para Murilo, a região possui um grande potencial turístico. “O turismo está em foco atualmente com esse novo secretário de Estado. Ele faz forçar o movimento, fortalecendo as IGRs. As IGRs conseguem fortalecer e se aproximar mais dos municípios para que mais pessoas entendam qual é o movimento. O turismo vem nessa crescente muito grande, o turismo rural, principalmente. O turismo tende a crescer no rural. Áreas de cachoeira, também cafés coloniais, no interior. Propriamente, o Itapará. São regiões ainda que não são exploradas e não são divulgadas, porque precisa ter uma infraestrutura de turismo para poder atender os nossos turistas aqui da cidade e também os turistas que vêm de fora. Um dos passos que está se encaminhando é no Pinho, que está se encaminhando para receber uma grande demanda de turistas de fora”, disse o presidente.

Murilo de Lima, presidente da Adecsul. Foto: Diego Gauron
Este site usa cookies para proporcionar a você a melhor experiência possível. Esses cookies são utilizados para análise e aprimoramento contínuo. Clique em "Entendi e aceito" se concorda com nossos termos.