Oficiais reforçaram orientações de segurança ao visitar praias, rios, lagos e piscinas/Paulo Sava, com auxílio na reportagem de Rose Harmuch

Resumo
-Região possui áreas naturais atrativas, o que aumenta o risco de afogamentos;
-Vigilância sobre menores deve ser constante;
-Consumir bebidas alcoólicas antes de entrar na água pode representar um risco.
O ano de 2025 foi marcado por intensa atuação do Corpo de Bombeiros de Irati, especialmente diante do aumento de ocorrências envolvendo afogamentos na região. Ao longo do ano, quinze pessoas perderam a vida em situações desse tipo, número considerado elevado para os municípios atendidos pela corporação.
Em entrevista, a comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, major Carla Adriana Spak Sobol, e o capitão Murilo Maltaca fizeram um balanço das ações realizadas em 2025 e reforçaram orientações de segurança para o período de verão, quando aumenta a procura por rios, lagos, cachoeiras, piscinas e praias.
A major Spak destacou que a região possui muitas áreas naturais atrativas, o que aumenta o risco de acidentes aquáticos. “A nossa região tem muitos rios, lagos e cachoeiras bonitas. Esse calor chama a água, mas infelizmente tivemos quinze afogamentos na área da 6ª Companhia do Corpo de Bombeiros em 2025. Foram quinze vidas perdidas, muitas vezes por entrar em locais que a pessoa não conhecia ou por superestimar a própria capacidade de nado”, afirmou.
Segundo Spak, saber nadar não elimina o risco. “Não é só saber nadar. É não se colocar em risco. Às vezes a pessoa acha que está preparada fisicamente, mas não está. O importante é aproveitar com responsabilidade, cuidando dos familiares e, principalmente, das crianças”, alertou.
A comandante também reforçou a importância de vigilância constante sobre os menores. “Quando todo mundo acha que está cuidando da criança, na verdade ninguém está. É preciso deixar claro: ‘agora essa criança está com você’. Isso garante um olhar mais atento e evita acidentes”, explicou.
Para o capitão Murilo Maltaca, o número de afogamentos registrado em 2025 é preocupante. “É um número bastante elevado. O calor intenso faz com que as pessoas procurem locais para se refrescar, mas a maioria dos acidentes acontece por falta de cuidado, excesso de confiança e abuso de situações que poderiam ser evitadas”, disse.
Maltaca alertou ainda para os riscos do consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar na água. “O álcool faz a pessoa perder a noção e acabar abusando. Isso vale para rios, lagoas, cachoeiras, mar e até piscinas. Também é fundamental evitar locais desconhecidos e jamais pular de ponta, porque galhos, pedras e a profundidade podem enganar”, ressaltou.
Sobre tentativas de salvamento, Spak orienta que ninguém entre na água para socorrer uma vítima. “A orientação é arremessar objetos flutuantes ou uma corda para que a pessoa consiga se segurar. Não é recomendado entrar na água, porque quem está se afogando age por instinto e pode acabar afundando outra pessoa”, explicou.
Na região de Irati, não há estrutura para implantação de postos fixos de guarda-vidas em rios, lagos ou cachoeiras. Em casos de emergência, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. “Sempre que acionado, o Corpo de Bombeiros vai deslocar até o local e fazer tudo o possível para o resgate”, afirmou Maltaca.
A comandante alertou ainda que a aparência tranquila da água pode ser enganosa. “Rio e lago não têm borda. A água pode parecer calma, mas a correnteza e a profundidade podem mudar de repente. Se a pessoa se cansa e não tem onde se apoiar, o risco aumenta muito”, explicou, citando um caso recente de afogamento em Guamiranga.
No litoral, a orientação é procurar sempre locais próximos aos postos de guarda-vidas. Bandeiras pretas indicam áreas distantes desses postos, enquanto bandeiras amarelas e vermelhas sinalizam maior proximidade. “O posto de guarda-vidas cobre cerca de 250 metros de praia. Fora dessa área, o tempo de resposta aumenta e o socorro pode chegar tarde”, destacou a major.
Durante a Operação Verão, iniciada em 18 de dezembro, foram realizados cerca de 400 salvamentos no litoral paranaense, com vítimas graves, mas sem mortes. O Paraná conta com 133 postos de guarda-vidas nesta temporada.
Spak pediu atenção especial às crianças. “O mar pode mudar rapidamente. Uma criança não tem força para resistir à correnteza. Por isso, não pode soltar da mão. Se precisar sair, é preciso passar a responsabilidade para outra pessoa”, orientou.
Maltaca também alertou pescadores e usuários de embarcações sobre o uso obrigatório do colete salva-vidas. “O colete é item obrigatório em barcos, jet-skis e motos aquáticas. Não adianta improvisar com boias. Tem que ser equipamento próprio para esse fim”, afirmou.
Em residências, o Corpo de Bombeiros chama atenção para riscos de incêndio no verão. A instalação de ar-condicionado sem o devido dimensionamento da rede elétrica pode causar sobrecarga. “É preciso verificar se a estrutura elétrica suporta o equipamento. O uso de várias extensões e ‘benjamins’ na mesma tomada também pode provocar curto-circuito e incêndio”, alertou Maltaca.
Nas estradas, o Corpo de Bombeiros atendeu diversos acidentes graves no fim do ano, alguns com mortes. “A principal causa é a velocidade. A orientação é sair com antecedência, respeitar os limites e não ter pressa. Uma hora a pessoa chega, mas o acidente pode tirar uma vida inteira”, concluiu a major.