Criminosos utilizam informações reais de processos judiciais e até se passam por promotores para enganar vítimas; advogado alerta sobre cuidados necessários/Reportagem de Diego Gauron

Uma moradora de Irati quase caiu em um golpe que vem sendo aplicado em diversas cidades do Paraná. A vítima, que possui um processo em andamento contra uma instituição do município, recebeu mensagens e uma ligação de um número desconhecido informando que o valor da ação já estaria disponível para saque.
Segundo relatou à reportagem da Najuá, a pessoa que fez contato se apresentou como promotora de Justiça e mencionou dados verdadeiros do processo, como número, nome do juiz e informações pessoais da moradora, o que a fez acreditar, inicialmente, na veracidade da ligação.
“Recebi a ligação de um número desconhecido, que falou que era promotor de justiça e que queria confirmar os dados da minha conta para ter certeza que ia cair para mim mesmo esse dinheiro. Ele falou todos os dados, meu número de telefone, meu endereço, o número do processo, o nome do juiz, falou todos os dados do processo. Aí ele pediu para compartilhar a tela comigo, queria que eu abrisse o aplicativo do banco para ver se esse dinheiro tinha caído. Nessa hora eu desliguei, porque eu fiquei com medo de ser golpe; e realmente era”, relatou a iratiense, que preferiu não se identificar.
O advogado Renato Hora explica que este tipo de golpe é conhecido como “golpe do falso advogado” e tem se tornado cada vez mais sofisticado.
“Os criminosos entram em contato com pessoas que possuem processos tramitando na Justiça, geralmente por aplicativos de mensagens, usando nomes, fotos e até dados reais de advogados. Agora, com o uso de inteligência artificial, já conseguem até clonar a voz dos profissionais para enganar as vítimas”, afirma o advogado.

De acordo com ele, os golpistas costumam afirmar que há um valor a receber proveniente de uma decisão favorável, e em seguida solicitam o pagamento antecipado de uma suposta taxa — ou pedem que a pessoa compartilhe a tela do celular durante uma chamada de vídeo.
“Quando a vítima acessa o aplicativo do banco, eles passam a ver senhas e movimentações, conseguindo retirar o dinheiro da conta”, explica.
Renato orienta que os cidadãos confirmem sempre o número do telefone do advogado responsável pelo processo e evitem repassar informações pessoais ou bancárias por mensagens. “Jamais compartilhe dados de conta, códigos ou senhas. E se pedirem para compartilhar a tela, desconfie ainda mais”, alerta.
O advogado reforça que é importante redobrar a atenção, já que muitos golpes semelhantes vêm sendo registrados no estado e diversas pessoas acabam perdendo valores significativos.
A iratiense que quase caiu no golpe afirmou que vai registrar um boletim de ocorrência.