Maria Aparecida Ramos conta a história do nascimento da sua filha que aconteceu na ambulância, a caminho do hospital/Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava e Rose Harmuch

Resumo:
-Bolsa de Maria estourou um dia antes do nascimento da filha;
-Enfermeira pediu para motorista parar a ambulância para que ela pudesse realizar o parto;
-Yohanna nasceu no dia 22 de dezembro de 2009, às 07 horas, de forma prematura.
Há 16 anos, a época de Natal é inesquecível na casa da moradora de Teixeira Soares, Maria Aparecida Ramos. No dia 22 de dezembro de 2009 nascia sua filha, Yohana Stephane Ramos Nogueira, em situação inusitada: em uma ambulância, a caminho do hospital.
A história de Maria começa no dia anterior, quando a bolsa com líquido amniótico estourou enquanto ela estava em sua casa, na época, em Cascavel. Mãe solo, com três filhos, Maria aguardava a chegada da sua quarta filha, mas não conseguia encontrar alguém que ficasse com as crianças, enquanto ia ao hospital. “Naquele momento, eu não sentia dor. Estava tranquilo, mas a bolsa tinha rompido. Eu chamei minha mãe para ficar com os meus filhos na minha casa, que era para mim poder chamar a ambulância porque passou de um dia para o outro”, conta.
Maria conseguiu chamar a ambulância apenas pela manhã. Por volta das 6 horas, ela foi tomar um banho e as dores do parto começaram a aumentar. “Quando começou a dor, foi muito rápido. Não deu tempo para nada. A única coisa que eu pensei, eu mandei meus filhos sair no momento de dentro da casa, porque para mim, se o SAMU demorasse mais um pouquinho, ela ia nascer dentro da casa, só comigo mesmo”, disse.
A ambulância chegou perto das 7 horas da manhã. Tão logo a ambulância chegou, Maria embarcou no veículo que seguiu em direção ao hospital, pela rodovia BR-277. “Foi muito rápido porque passamos o viaduto da Carelli. Ali, apurou muito as dores. A enfermeira que estava na ambulância pediu para mim segurar mais um pouquinho até chegar no hospital, mas não tinha o que fazer. Não tinha o que segurar. Simplesmente, ela nasceu”, conta.
Este também foi o primeiro parto feito pela enfermeira que acompanhava Maria. Durante o atendimento, a enfermeira pediu para que o motorista parasse a ambulância para realizar o parto. “Quando ela viu que não tinha jeito mesmo, que a menina ia nascer, ela pediu para o motorista parar a ambulância e, no momento, só eu e ela dentro da ambulância. Foi muito legal porque ela estava um pouco assustada e foi o primeiro parto. Ela falava: ‘Segura mais um pouquinho até chegar no hospital’. Mas aí não tem mais o que segurar. Então, foi muito legal, foi muito emocionante”, disse.

Yohana Stephane Ramos Nogueira nasceu às 7 horas da manhã do dia 22 de dezembro de 2009, com menos dois quilos e meio, ainda de forma prematura. Maria conta ver a filha recém-nascida, ainda dentro da ambulância, foi algo inesquecível. “É uma coisa sem explicação que não tem como explicar, o sentimento de estar ali com ela. Eu olhar e ver que ela nasceu perfeita. Pelo fato de ser prematura, fiquei um pouco assustada, mas olhar ela perfeita é um sentimento que não cabe, não tem explicação”, afirma.
Ao chegar no hospital, Maria foi levada para a sala do parto, para a retirada da placenta. Enquanto isso, a menina foi encaminhada para a UTI para ficar em uma incubadora durante três dias, devido ao nascimento prematuro. Maria conta como foi ver a bebê na incubadora. “Quando eu vi ela, à noite, ela estava num box separado das outras crianças. Ela estava toda enfaixadinha. Para mim, foi estranho ver ela assim, naquele momento que cheguei. Quando eu vi ela naquele box separado, eu levei um susto, mas quando eu vi que estava tudo bem. A cada duas horas, eu tinha que amamentar ela. Eu pegava aquela coisinha muito pequena. Ela nasceu com menos dois quilos e meio. Ela era muito pequenininha”, conta.
Desde 2016, a família mora no interior de Teixeira Soares, na comunidade de São Joaquim. A família se dedica à lavoura e Yohana, com seus 16 anos, segue seus estudos no Ensino Médio, no 2º Ano. “Eu incentivo ela bastante, que nós moramos no interior. Incentivo ela bastante quanto à horta, quanto aos bichinhos que a gente tem. Ela é muito apaixonada pelos bichos. Ela participa do grupo folclórico aqui na cidade, o Neblina do Alvorada e também no CTG de Laço. Ela é uma prenda no CTG aqui da cidade também”, disse.
Para Maria, ver a filha crescida, depois da história peculiar do seu nascimento, é um grande orgulho. “Quando eu olho para ela, eu vejo ela perfeita, as minhas lembranças do nascimento dela é que foi um presente. A Yohana foi um presente que eu tive, praticamente, no Natal. Eu sempre faço aniversário dela junto com o Natal. Ela foi um milagre na minha vida e é emocionante de falar”, conta com a voz embargada.