Engenheira agrônoma de Irati conta detalhes de viagem em caminhos históricos da Europa

27 de agosto de 2025 às 23h37m

Rozenilda Romaniw Bárbara caminhou aproximadamente 300 quilômetros em sua última viagem, passando pela Espanha e Portugal/Marina Bendhack com entrevista de Rodrigo Zub e Juarez Oliveira

Engenheira Agrônoma, Rozenilda Romaniw Bárbara, realizou sua quarta viagem para caminhos históricos da Europa. Foto: Arquivo Pessoal


Resumo
● A engenheira agrônoma de Irati, Rozenilda Romaniw Bárbara realizou sua quarta viagem em caminhos históricos da Europa entre maio e junho.
● Ela percorreu os caminhos de San Salvador e de Fátima e conheceu os Picos da Europa.
● Dessa vez, a engenheira percorreu trechos montanhosos e com clima extremo

A engenheira agrônoma de Irati, Rozenilda Romaniw Bárbara, percorreu aproximadamente 300 quilômetros em uma viagem em caminhos históricos da Espanha e Portugal. Ela também passou por alguns picos e cidades muradas. Essa foi sua quarta viagem para a Europa. Em entrevista à Najuá, a engenheira contou as particularidades, desafios e conquistas.

Rozenilda partiu de Irati no dia 1° de maio e retornou no dia 29 de junho. Dessa vez, não chegou até Santiago de Compostela, capital da Galícia, internacionalmente famosa como um destino de peregrinação. A engenheira agrônoma percorreu o caminho de San Salvador.

Ela diz que para realizar esse tipo de viagem, é necessário planejamento, que começa organizando as férias e a parte financeira. “Eu acredito assim que tudo que você faz, ela exige uma vontade. Você tem que ter um sonho, você tem que construí-lo e se preparar para isso. […] Precisa ter a parte financeira, documental. Então tudo isso você tem que ajustar. Mas eu acredito assim, é preparar, ter a vontade e sair da sua bolha de conforto, ou seja, sair aquela questão do medo que eu não consigo, ter um preparo, claro, mas eu vejo que é muito da questão da vontade”, reflete Rozenilda.

No dia 4 de maio, a caminhada de Rozenilda começou na cidade de León, na Espanha, em direção a Oviedo, no caminho de San Salvador. A engenheira contou como foi esse percurso. “Ele é um caminho de em torno de 120 km, é um caminho montanhoso, tem um dia que você sai do número 300 de altitude e chega a 1.200. Então, ele é um caminho muito difícil, mas quando eu estava fazendo ele, realmente você tem um pouco de receio de fazer, porque era extremamente delicado, alguns lugares assim montanhosos”, diz a engenheira.

O caminho de San Salvador é um trajeto que exige muito cuidado, segundo Rozenilda. O trecho que ela fez foi feito com dias de chuva, neve e muito vento. A engenheira relata que poucas pessoas estavam fazendo esse trajeto. Os caminhos geralmente contam com serviços de hospedagem e resgate. O maior trajeto diário que Rozenilda fez foi de 17 km. “Foi um trajeto de 120 quilômetros, o caminho de San Salvador, então foram seis dias. São 20 quilômetros, na média, de um dia para o outro. No entanto, não é essa a conta, porque [a gente para] onde a gente tem a estrutura. Mas só pra vocês terem uma ideia, tem um trecho de lá que era tão montanhoso que, a prioridade, havia uma expectativa, foi marcado um lugar para pernoitar, que era, se não me engano, 27 km, 28 km. Mas aí, pela dificuldade que estava sendo, a gente desmarcou e, como diz no popular, baixamos a bola. E foi o dia que nós fizemos, acho que em torno de 17 ou 18 km, onde levou mais que oito horas pra fazer aquele trecho”, conta Rozenilda.

Há trechos mais demorados do que outros por conta da dificuldade do caminho. “O que é importante nesse tipo de caminhada é você saber ter o limite e respeitá-lo. Eu, por exemplo, não vou para uma viagem dessa em que eu queira fazer seis quilômetros por hora, porque eu quero apreciar”, afirma a engenheira.

Rozenilda utilizou um bastão de apoio para realizar a caminhada em lugares de difícil acesso. Ela contou que levou uma mochila só com itens essenciais. “A roupa que você está usando, você vai descartar de tarde, vai se higienizar, vai lavar e você vai colocar sua roupa limpa. Então é, na verdade, duas ou três calças leves, duas camisetas de manga comprida, duas camisetas de manga curta, três a quatro pares de meia, três a quatro peças íntimas e cachecol, porque é uma região fria, um boné para proteger, não passa disso”.

Rozenilda contou detalhes da viagem para Europa em participação no programa Meio Dia em Notícias da Super Najuá. Foto: João Geraldo Mitz (Magoo)

Os locais de pernoite contam com espaços para lavar e secar roupas. Os locais também possuem calefação em dias de muito frio. Rozenilda enfrentou temperaturas de até 2°graus. A engenheira também fez o Caminho de Fátima. “A maioria das pessoas faz já com um motivo religioso, e como nós tivemos que ir a Portugal, não estava no nosso plano de organização, aí foi uma grande experiência de ter feito essa viagem. É uma pena que a gente não pôde parar e ficar em lugares, mas eu gostaria de ter conhecido mais Coimbra, que foi descer e aí já partir para o caminho. Mas foi um caminho que passamos por sítios históricos de 3, 4 mil anos atrás, dentro desse caminho, por cidades templárias”, conta.

Uma das cidades templárias que Rozenilda conheceu foi a de Tomár, que fica em Portugal e recebeu esse nome devido à sua fundação pelos Cavaleiros Templários. Além disso, a engenheira visitou as cidades muradas. “A Europa tinha muita preocupação com invasões, e os dirigentes preparavam as cidades para proteger o exército, para proteger a população, então eles muravam as cidades. Por exemplo, Lugo, que eu caminhei em 2023, é uma cidade de muralhas e daí tem Ávila, que é uma cidade grande que ela está, se não me engano, em torno de […] uns 30 alqueires, é uma área grande que é dentro de muralhas, totalmente murada”, relata.

Outra cidade murada que Rozenilda visitou foi Toledo, que possui muralhas com 20 e 30 metros de altura. Alguns lugares possuem muralhas de até 60 metros de altura. Além disso, um destino visitado pela engenheira iratiense foram os Picos da Europa. “Os picos da Europa são um parque nacional que eles tem lá, um pouco pra frente, deve dar em torno de uns 120 km, 130 km de Oviedo, se dirigindo para a região norte da Espanha. Ela é uma região muito montanhosa, ela não faz parte dos Pireneus, é uma outra montanha. E ela tem bastante trilhas, ela tem hotéis, pousadas, restaurantes, toda uma estrutura. Essa região é muito visitada lá, principalmente no verão”, diz.

Os caminhos possuem um certificado de caminhada, conta Rozenilda. “Sai um certificado da tua caminhada, então, esse moço está fazendo a escrita com caneta, […] aquela que pega no tinteiro e vai dosando ali. Ele fez todo o preenchimento do nome, da quilometragem, dos dias que você fez, e eu tenho, então, esse certificado para posteridade de ter feito esse caminho e essa forma especial de fazer o registro da tua experiência de fazer o caminho”, afirma.

Confira mais imagens da viagem de Rozenilda

A engenheira iratiense já está em sua quarta viagem de caminhadas na Europa. Esse hábito começou quando leu um livro de Paulo Coelho, em 1988. O livro despertou o desejo de fazer o Caminho de Santiago de Compostela e de obter a purificação por meio do caminho. Em 2017, ao ter uma conversa com o músico de Guarapuava Davi Tavares, o desejo se reacendeu. Ela organizou sua primeira viagem para 2020. Porém, só realizou o sonho dois anos depois em função da pandemia de Covid-19. Rozenilda revela que não esperava realizar outras viagens em caminhos históricos. “E eu imaginava, assim, a prioridade, que eu faria uma única experiência e não voltaria mais. Até eu duvidava da minha capacidade na época. E aí depois, na conversa com muitas pessoas lá, é muito comum, ‘eu já estou fazendo o caminho número 12, número 14, o meu é número 27’. Então você percebe que as pessoas fazem disso um ato quase de missão consigo mesmo, de se preparar, voltar e fazer novos caminhos, conhecer novas possibilidades”, narra.

A engenheira está planejando realizar o caminho de Moçárabe, em Sevilla, na Espanha, em 2026 ou 2027. Ao dar uma dica às pessoas ao ser questionada sobre o desafio de realizar as viagens, Rozenilda conta que é preciso sair da zona de conforto e driblar o medo para realizar o que deseja. “Acho que é isso que a gente tem que se despir, dessa coisa de ficar muito com medo de fazer e se sabotar, no sentido bem literal da palavra. Às vezes, achando que não consegue, que não merece, que não vai conseguir. Então, a nossa mente começa a criar uma série de mecanismos até que o momento você diz ‘não, não vai dar pra ir’. Acho que é isso que nós temos que vencer em qualquer circunstância da nossa vida, seja pessoal, emocional, tudo passa meio que por essa coisa da gente vencer as nossas barreiras internas”, reflete.

A caminhada é uma grande fonte de ensinamento para a engenheira. “Pensar assim nesse investimento em si mesmo, nos seus interesses e não tanto no materialismo. Claro, a gente precisa da segurança, precisa de uma casa, mas talvez a gente ter uma dosagem em que os teus sonhos, a tua vontade de fazer as coisas, ela tenha importância e de ser propósito desse espaço para realizações”, diz Rozenilda.

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