Lixo reciclável deve ser descartado no Complexo GARI na Vila São João em Irati

13 de dezembro de 2023 às 19h48m

Associação Malinoski e a Cooperativa de Catadores de Recicláveis de Irati (Cocaair) não estão mais funcionando na Vila Nova desde novembro. Porém, algumas pessoas ainda estão levando os materiais na antiga sede das instituições/Texto de Karin Franco, com reportagem de Rodrigo Zub e Juarez Oliveira

Complexo Gari na Vila São João conta com kits para a separação de materiais, esteiras, carrinhos e prensa. Foto: Jussara Harmuch

Quem possui lixo reciclável em grande quantidade precisa descartar os materiais no Complexo GARI, inaugurado no último mês na Vila São João em Irati. A mudança ocorre porque a Associação Malinoski e a Cooperativa de Catadores de Recicláveis de Irati (Cocaair) não estão mais funcionando na Vila Nova.

Em entrevista à Najuá, a secretária de Meio Ambiente e Ecologia, Magda Lozinski, explicou que ainda há pessoas que não sabem sobre a mudança. “Muitas pessoas, principalmente, lojistas, comerciantes e grandes geradores de material reciclável que geram bastante, que o caminhão não passa diariamente, acabava levando por si só, particularmente, o seu resíduo reciclável para a Vila Nova. Por mais que já vai fazer 15 dias da mudança, estamos constatando que ainda tem muitas pessoas, principalmente do comércio, levando o material reciclável até Vila Nova e deixando lá porque o espaço é aberto. Eu peço a colaboração dessas pessoas, que continuem separando o material, porém a destinação e a localização da associação e da cooperativa agora é na Vila São João”, explica.

A mudança possibilitou um espaço com mais equipamentos como kits para a separação de materiais, esteiras, carrinhos e prensa. Segundo a secretária, a estrutura possibilita que o trabalho seja mais ágil. “Diante dessa nova mudança, acompanhando o trabalho já algumas vezes na Vila São João, nós conseguimos perceber uma melhora, inclusive, do acúmulo de materiais dentro dos barracões. Eles estão conseguindo processar, separar e triar os resíduos de forma mais ligeira, de forma mais dinâmica, rendendo mais o trabalho, tanto pela questão da coleta, como da mão de obra deles”, conta Magda.

A secretária solicita a colaboração da população na separação dos materiais. “Até eu peço a colaboração da população na hora da separação, porque com as melhores condições, eles estão tendo mais possibilidade de tempo e da dinâmica do trabalho de separação, então pode levar na Vila São João que é aceito o material da mesma forma como era na Vila Nova”, disse.

A Associação Malinoski e a Cocaair dividem três barracões que totalizam cerca de 1 mil metros quadrados para cada instituição. Há ainda uma autorização do governo estadual para a construção de um refeitório. A obra será custeada com recursos do Governo do Estado indicados pelo deputado Artagão Junior e será licitada a partir de janeiro.

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A secretaria de Meio Ambiente também estuda viabilizar o transporte para os trabalhadores, conforme Magda. “Já existe um pedido da prefeitura de um estudo para que nós consigamos viabilizar o transporte para eles. Porém, esse estudo está viabilizando se vai ter um veículo que vai buscar esse pessoal, se vai ser por uma empresa, por exemplo a Transiratiense, ou se vai ser dado um custeio. Tudo isso está envolvido no estudo para que nós consigamos o mais barato para a prefeitura”, explica.

Secretária de Meio Ambiente, Magda Lozinski, solicita cooperação da população no momento de separar o lixo para que haja melhor aproveitamento dos reciclados. Foto: João Geraldo Mitz (Magoo)

O Complexo GARI é um conjunto de barracões onde a prefeitura de Irati planeja concentrar toda o manejo de resíduos orgânicos e recicláveis do município. Um dos espaços já é ocupado pela empresa Zero Resíduos, de Ponta Grossa, que usa o local para auxiliar no envio do transbordo do lixo orgânico para o município de Teixeira Soares. O município de Irati paga R$ 170 por tonelada transportada. “Hoje cerca de 33 toneladas de lixo são geradas no município diariamente e existem caçambas estacionárias que ficam na área do transbordo aguardando os caminhões descarregarem para poder ser remetido a um aterro sanitário licenciado. O transbordo já vem operando desde janeiro de 2022. E agora, em novembro de 2023, feita a inauguração do processo de reciclagem. Tudo isso vai facilitar a logística de todos os resíduos”, conta.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente e Ecologia, com a centralização das operações no mesmo local, as instituições de recicláveis poderão descartar materiais orgânicos de forma mais fácil. “O que é rejeito da associação e cooperativa vai direto para o transbordo, que é uma área vizinha, o lixo orgânico vai direto para transbordo. Nós queremos criar também uma estrutura que possa receber os eletroeletrônicos. Nós queremos uma estrutura que possa receber o que chamamos de volumosos que é o colchão, o sofá, o pedaço do móvel que quebrou e que muitas pessoas colocam na frente da casa. Só que vai ser realizado por etapas. Nós não conseguimos executar a obra toda. Mas a intenção é que seja um complexo para receber todo tipo de resíduo gerado no município de Irati”, disse.

Uma das estruturas que ainda serão viabilizadas são três barracões que poderão ser usados para projetos de recuperação e tratamento de resíduos. Uma licitação será realizada para selecionar empresas de Irati e de fora do município para que possam usar o espaço para a transformação do lixo. “Esses três barracões, nós queremos dar oportunidade para que pessoas que tenham projetos ligados a recuperação e transformação de resíduos. Vou citar um exemplo. Hoje o tecido é descartado como rejeito. Nós não conseguimos reciclar. Porém, um desses barracões, nós vamos abrir licitação para quem quiser tratar ou transformar esse tecido em estopa, em um novo tipo de material. Outro exemplo é o isopor. Se a pessoa quiser trabalhar com isopor e reinserir ele na cadeia, como a borra do isopor. Nós queremos dar oportunidade para que mais tipos de materiais, que hoje são descartados como rejeito, sejam processados e recuperados”, conta.

O desafio em Irati ainda segue sendo a conscientização da população. Segundo a secretária, o descarte incorreto do lixo nos materiais recicláveis faz com que não seja possível usar todo o resíduo recolhido. Em uma das coletas realizadas recentemente, de todo o material recolhido como reciclável, apenas 60% puderam ser usados. Os 40% restantes tinham rejeitos orgânicos que haviam sido misturados com o reciclável e não puderam ser usados.

Complexo Gari fica na Vila São João, em Irati. Foto: Jussara Harmuch

Magda destaca que é preciso que o lixo seja descartado de forma correta para ser reciclado. “Nós pedimos a colaboração da população porque dispomos dos serviços de coleta verde, reciclável, lixo orgânico. Que façam essa seleção porque o serviço de triagem é manual. As pessoas colocam a mão naquele lixo todo. Não existe sacolinha de lixo que deixa de ser aberta para que consiga tirar o material. É muito triste, chegarmos lá e se deparar com as pessoas não fazendo essa separação, não se colocando no lugar da pessoa que está na mesa de triagem e que acaba se contaminando, até o cheiro do lixo, o que vai dentro daquele lixo. A conscientização e a colaboração da população são muito importantes”, conta.

Outro problema é que o município ainda possui muitos locais com descarte irregular. “Nós recebemos constantemente pedidos e denúncias dos descartes incorretos de material. São materiais diversos desde roupa até mesmo caixas de garrafa de vidro que o pessoal usa essas estradas vicinais, um terreno mais distante um pouquinho do centro, para fazer esse descarte irregular e é muito material. Nós temos muitos pontos de descarte irregular de lixo. E não entendemos porque o serviço de coleta do orgânico é constante e a coleta do lixo reciclável também acontece constantemente. Inclusive a coleta de galhos também, através do agendamento pela prefeitura nós fazemos. Tudo isso é descartado de maneira incorreta, sendo que o próprio munícipe paga pela taxa de coleta do lixo”, afirma a secretária.

O recolhimento de materiais como folhas e galhos é feito por meio do serviço chamado Coleta Verde. Essa coleta precisa ser agendada por telefone na secretaria de Meio Ambiente. Magda explica que isso ocorre porque a coleta de lixo não recolhe este tipo de material. “O caminhão do lixo orgânico não pega porque o caminhão do lixo orgânico nós pagamos por quilo de material para ser enterrado. A folha, o galho, a grama é um material orgânico, que se decompõe e nós temos um espaço próprio para isso. Nós não vamos pagar para enterrar esse material que se decompõe naturalmente. Inclusive vira até um adubo orgânico, mas temos o caminhão próprio para coleta desse tipo de resíduo”, conta.

No caso de materiais com vidros, a secretária revela que já houve a busca de uma empresa para o recolhimento. Contudo, é preciso uma estrutura maior do que apenas a contratação de um caminhão. “Nós temos que ter uma equipe, nós temos que ter coletor, tem que ter motorista. O vidro é considerado um material 100% reciclável. Existe a ocorrência de acidentes? Existe. Mas é aí que entra a parte da população que pode embrulhar o vidro, o copo quebrado, o pote quebrado, o litro quebrado, colocar mesmo dentro de uma garrafa PET. Vai da conscientização das pessoas em deixar esse material separado. Assim como vidro inteiro, garrafa inteira e litro inteiro são também normalmente encontrados, processados, triados e vendidos inteiros dentro da associação e da cooperativa”, disse.

Para mais informações, o telefone da Secretaria do Meio Ambiente é (42) 3132-6285. O Complexo GARI funciona de segunda a sexta-feira e fica na BR 153, na Vila São João, em Irati.

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