Entre as medidas a serem adotadas em parceria entre o município e as polícias Civil e Militar, está a implantação do Botão do Pânico nas escolas/Paulo Henrique Sava

Em reunião com o delegado de Polícia Civil, Thiago Andrade, na manhã de segunda-feira, 10, a Secretaria de Educação de Imbituva definiu medidas de segurança a serem adotadas nas escolas do município, especialmente após as notícias de ataques em escolas e creches pelo Brasil nos últimos dias.
Nossa reportagem entrou em contato com a secretária de Educação, Veranice Eliane Schlender, mas ela disse que não estava autorizada a gravar entrevista. Ela informou que, entre as medidas a serem adotadas, estão o reforço no patrulhamento próximo às escolas, instalação de câmeras de monitoramento, treinamento de defesa pessoal para professores, a contratação de vigilantes para todas as escolas e CMEIs (medida que também será adotada pela Prefeitura de Irati) e a implantação do Botão do Pânico em todos os estabelecimentos municipais de ensino. Este equipamento contará com sirene e sinalizador visual.
Em vídeo gravado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Imbituva, o delegado solicitou que, além dessas medidas, sejam revistos os procedimentos de entrada e saída dos alunos das escolas e CMEIs. “Nós sugerimos a revisão dos procedimentos de entrada e saída de alunos. Pedimos também que profissionais de educação passem por um curso de defesa pessoal, com noções de técnicas para que eles possam defender não somente a si próprios, mas também a alunos e outros profissionais. É importante que as políticas de segurança estejam alinhadas, nós estaremos junto com a comunidade, pois estamos aqui para contribuir. Não é missão da Polícia Civil estar nas escolas, mas vamos aumentar nossa presença nestes locais, compromisso que eu firmei com a secretária aqui hoje, e vamos tentar fazer de tudo para dar um pouco mais de segurança para alunos, professores e pais que estão preocupados neste momento”, destacou.
Thiago ressaltou que o compromisso da Polícia Civil é de investigar, apurar, identificar e reprimir pessoas que estão criando perfis em redes sociais para propagar possíveis ataques em escolas de Imbituva. “Quero dizer que a Polícia Civil está apurando estes casos para que as pessoas sejam identificadas e responsabilizadas”, pontuou.
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Caso em Guamiranga – Na última semana, a Polícia Civil de Imbituva identificou um adolescente de 15 anos que criou um perfil que falava sobre um possível ataque no Colégio Estadual Francisco Ramos, de Guamiranga. A partir disso, o Delegado de Imbituva solicitou que fossem realizadas buscas na casa do adolescente. Porém, não foram encontrados indícios de que ele estaria preparado para praticar o ato infracional. “Nada de ilícito foi encontrado na casa. Ele criou o perfil de um celular, não havia no histórico pesquisa sobre armas, explosivos ou outra coisa similar”, disse o Delegado. O adolescente ingressou no colégio em setembro de 2022. Ao ser abordado, ele disse que criou o perfil porque não gostava da escola e que nunca gostou de estudar.
Nesta situação, o adolescente vai responder em liberdade por apologia ao crime e por alarmar a população, anunciando desastre ou perigo inexistente, produzindo pânico e tumulto. “São infrações referentes à paz pública”, afirma o Delegado.
Para evitar o chamado “efeito contágio” em relação a este tipo de situação, o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (NUCIBER) da Polícia Civil do Paraná recomenda que as pessoas não espalhem este tipo de informações sobre possíveis atentados, seja em forma de textos, fotos, áudios, vídeos ou qualquer outro material, pois isso pode encorajar um possível autor a concretizar o ataque. Além disso, a maior parte dos casos são tratados pela Polícia Civil como fake news, que teriam sido criadas pelos próprios alunos com a intenção de obterem visibilidade nas redes sociais, fazerem “brincadeiras de mau gosto”, impedirem a realização das aulas e até mesmo gerarem insegurança na comunidade escolar.
“Orientamos que os pais monitorem o que os seus filhos estão acessando e compartilhando na internet e com quem estão conversando (incluindo chats de jogos e videogame), bem como quais redes sociais eles usam e seus perfis utilizados. Também recomendamos criar o hábito de sempre verificar o que os seus filhos guardam em seus armários e gavetas, bem como, antes de saírem para a escola, verificarem o que estão carregando na mochila. Por fim, conversem com seus filhos e expliquem o perigo de compartilhar informações sem ter certeza de sua veracidade, pois eles poderão ser responsabilizados por ato infracional caso anunciem de forma falsa que irá ocorrer algum massacre”, diz a Polícia Civil em nota.
Todas as denúncias referentes a perfis que tenham sido criados para disseminar possíveis ataques a escolas no Paraná estão sendo investigados pela Polícia Civil. Caso sejam identificadas as pessoas envolvidas nestes casos, elas serão responsabilizadas criminalmente pelos atos. Qualquer denúncia pode ser feita na Delegacia de Polícia Civil do seu município ou pelo telefone disque-denúncia 181. É importante que o denunciante tire uma cópia (print) da mensagem, de maneira que seja possível identificar o número do telefone ou a rede social do autor, além de outros dados que possam identificá-lo e a rede social utilizada para a veiculação do material.