Em média, agricultores que trabalham com esta cultura têm um gasto de R$ 2 mil por hectare com adubo; depois, vêm os custos com sementes, fungicidas, herbicidas, folheares e adjuvantes/Paulo Henrique Sava

Produtores de soja de todo o Brasil tem apresentado gastos maiores de dinheiro na aquisição de adubos para o plantio nos últimos anos. A afirmação foi feita pelo palestrante José de Alencar, consultor na área agropecuária e professor vinculado à Unoeste de Santa Catarina, durante palestra no 1º Agroshow, promovido nos dias 09 e 10 de março pela Lavoro Pitangueiras em Fernandes Pinheiro.
Segundo o consultor, atualmente a média de preços dos adubos neste ano está muito parecida com a de janeiro de 2022. “Nós temos hoje, no mês de março, um preço muito parecido com o que tínhamos em janeiro de 2022, ou seja, teve uma escalada de preços. No meio do ano passado foi o caos, com adubo muito caro; depois, começaram a cair os preços de cloreto, fósforo e ureia, e agora temos mais ou menos o mesmo patamar. Nesta safra que passou, nosso preço foi baseado no adubo comprado no ano passado, e aí passa dos R$ 2 mil por hectare em adubo para a cultura da soja. Disparado, é o setor mais caro. Depois, temos sementes e todo o complexo de fungicida, herbicida, inseticida, folhear e adjuvante, que eu chamo particularmente de químico e vem depois do adubo com certeza”, frisou.
Fixação de preço no momento da contratação – José alerta que o produtor que não fixou preço do produto no momento de fechar o contrato com os compradores terá que vendê-lo pelo preço de mercado atual. Na região de Irati, a saca de 60kg de soja está sendo comercializada, em média, por R$ 154. “A soja é vendida com o preço de mercado atual, e quem não ‘travou’ o preço dela e não o fez no contrato lá atrás, vai ter que comercializar pelo preço que está sendo praticado na hora, e vemos a soja caindo de preço. Pensando na qualidade, depende do ano em que se usa mais ou menos insumo, mas a qualidade que se espera ter é sempre a mesma, a não ser em condições de alto estresse, como estamos vivendo no Rio Grande do Sul (estiagem). Aí não é pelo produto utilizado, mas sim pelo ambiente, que judia tanto da soja que a qualidade cai”, frisou.
Dependendo do ano e da situação climática, o agricultor deve estabelecer antecipadamente o preço de pelo menos um percentual da sua lavoura, orienta o consultor. “Dependendo do ano e das situações, sim. Eu diria que nunca na totalidade, mas um percentual da lavoura ele vai travar. Se a sua expectativa é de colher 60, 70 ou 80 sacos de soja por hectare, você não vai travar todos porque pode ter uma frustração, mas 20 ou 30% muitas pessoas travam. Eu diria que é o correto, pois você trava o custo”, comentou.

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Monitoramento – O monitoramento da lavoura também é importante, no sentido de observar as informações, a possibilidade de chuvas e o que acontece no entorno da propriedade e trazer a informação necessária para a cultura da soja, a principal cultura de grãos do Brasil. José afirmou que, dependendo do ano, o Rio Grande do Sul consegue produzir mais soja que o Paraná. Porém, o consultor acredita que isto não vai acontecer em 2023 por conta da seca no estado gaúcho. Para ele, os fatores ambientais e climáticos influenciam mais que o próprio manejo, que deve ser visto de maneira diferente pelos agricultores.
“Nós temos algumas lavouras no Rio Grande do Sul com mais de 600 mm de chuva durante o ciclo; em outras, mal chegou a 200 mm. Então, a escolha do herbicida, do fungicida, do intervalo de aplicação, das misturas destes produtos, do multissítio ou não, com esta de fungicida, vai depender muito do fator ambiental, e aí vai do grupo, das pessoas, dos assistidos e do próprio produtor rural monitorar e acompanhar para saber o que ele pode ou não fazer na sua lavoura”, pontuou.
Para José, o território paranaense é perfeito para o produtor rural por apresentar condições climáticas favoráveis ao plantio de soja. “Eu falo seguidamente que o Paraná é o ‘céu’ para o produtor rural. Aqui, de maneira geral, tem as condições climáticas favoráveis em relação a ambiente, solo e outros fatores mais. É lógico que muito bom é uma média, e dizia um senhor que foi meu professor de faculdade que toda média é burra porque esconde contrastes. Isto significa que tem ano mais seco, outro mais chuvoso, e temos que acompanhar para escolher o cultivar, a população, a densidade, o fungicida ou não no tratamento da semente, a época. No ano passado, teve um atraso no plantio, mas não choveu”, comentou.
Ferrugem – Outra preocupação dos produtores está no cuidado para evitar a ferrugem, uma das pragas mais danosas para a planta. No ano passado, como houve pouca chuva, não foram registrados casos da doença; porém, este ano, o problema apareceu nas lavouras. José explica qual o procedimento a ser feito caso a planta tenha “idade” para receber aplicação de fungicida.
“Numa situação onde você tenha visivelmente ferrugem na lavoura, desde que ela tenha ‘idade’, ou seja, você olha para ela e diz que ela tem 5.1, 5.2, 5.3, para responder a uma aplicação de fungicida, em lavoura com ferrugem, é obrigatório o uso de multissítios, seja à base de cobre, mancozebe ou clorotalonil. Se ela já tem ferrugem, estes produtos não vão controlar a doença dentro da folha, mas vão prevenir que onde não tenha ela não chegue. Então, para isto, você vai precisar de alguns produtos chamados ativos penetrantes”, frisou.
Lavouras de milho – Sobre as lavouras de milho e sua qualidade, a maior preocupação atual está relacionada ao clima, especialmente no que diz respeito ao plantio do milho safrinha, especialmente no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul.
“O pessoal tem que colher a soja cedo e entrar plantando o milho porque depois tem o risco do frio. Há dois anos, veio uma geada que queimou até o café de Minas Gerais. Tem um meteorologista muito conhecido em Santa Catarina, que é o (Ronaldo) Coutinho, e ele já comentou algumas vezes que existe um risco de frio cedo ou de um frio normal para este ano. Está chovendo bastante, aqui no entorno tem muita soja no campo que está atrasada, e quando tem soja atrasada, não entra milho no Paraná. Na mesma linha de raciocínio, quanto mais chove ou mais o tempo fica nublado, mais alonga o ciclo da soja e traz risco para o milho. É muito cedo, mas sim, existe um risco para o milho que vai ser ou está sendo plantado neste momento, pois está tarde”, finalizou.