João Almeida Junior também quer diminuir tempo de espera para consultas especializadas e exames. Em entrevista à Najuá, o novo secretário de saúde falou sobre os projetos que pretende implantar no comando da pasta/Texto de Karin Franco, com reportagem de Paulo Sava

No dia 29 de novembro, o dentista João Almeida Junior assumiu o comando da secretaria da Saúde de Irati. Ela já atuou na área como chefe da 4ª Regional por seis anos entre os anos de 2011 e 2017. João Almeida saiu da Secretaria de Tecnologia, Inovação e Planejamento para assumir o cargo deixado pelo ex-secretário de saúde, o vereador José Renato Kffuri, que pediu afastamento da pasta por questões pessoais e retornou ao legislativo.
Em entrevista à Najuá, João Almeida contou os desafios de assumir a pasta em um mundo pós-covid. “Eu sei da responsabilidade. Eu sei dos desafios que vamos enfrentar com toda a nossa equipe. Mas é uma nova etapa. É uma nova mudança de ares, sair um pouco do planejamento, da tecnologia, indo para saúde, mas sem deixar com que esses itens de saúde, de tecnologia, andem separados. Nós vamos trazer para a secretaria de saúde algumas inovações. Nós teremos novidade aqui para anunciar para semana que vem, que vamos mudar alguns sistemas da secretaria de saúde e com a equipe competente que nós temos, nós sabemos que nós podemos alterar um pouco o que está sendo feito, continuar os programas bons que os outros secretários que ali passaram, deixaram suas marcas, e nós vamos fazer com que a população de Irati tenha orgulho da saúde que é dispensada a eles”, disse o novo secretário.
Um dos primeiros desafios a serem enfrentados é a fila de exames e consultas especializadas que está aumentando. João Almeida explicou que há o planejamento de realizar um mutirão no início do próximo ano para diminuir essa fila. “Nós vamos fazer mutirões. Por exemplo, a fila de oftalmologia é a maior fila que nós temos no nosso município hoje. Eu sei que a demanda que vem aqui também é imensa, mas eu já conversei com um dos nossos prestadores. Agora já em janeiro e fevereiro, nós vamos ampliar a oferta de consultas. Nós temos que ter em mente que nesse momento, nós temos que ter mais oferta do que a demanda. Como a fila nossa é muito grande, nós temos que consultar mais pessoas do que entram na fila hoje”, explicou.
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Para o novo secretário, zerar as filas é muito difícil, pela constante demanda. No entanto, a intenção é diminuir o tempo de espera na fila. “O ‘zerar filas’ que consideramos, mesmo quem tem planos de saúde hoje, você sabe que não consegue uma consulta, um exame, já para semana que vem. A nossa meta é que é a pessoa que vai consultar hoje, no máximo, em 90 dias, 100 dias, já tenha seu exame, sua consulta ou sua pós-consulta marcada”, disse.
Outra medida que será adotada é a publicação da fila de consultas e exames no Portal da Transparência. “A partir de março ou abril, nos começamos a fazer isso. É tornar as filas de consultas e exames públicas. Toda a população vai ter acesso à lista, vai saber qual é a sua posição na lista e saber o quanto isso está andando ou não está andando. Nós vamos tornar as filas, tanto de consultas quanto de exames, nós vamos dar publicidade dessa lista”, conta.
Ainda está sendo estudado a maneira como será feita a publicação, mas a lista não contará com a publicação de nomes. “Obviamente que mantendo o sigilo das pessoas, mantendo toda a proteção de dados da pessoa. Um dos pensamentos nossos é fazer pelo número do CPF, mas divulgando apenas os seis números centrais do CPF, escondendo os primeiros números, porque a pessoa vai saber que é ela, mas não vai saber aonde que se encontra as outras pessoas ali na lista”, afirmou João Almeida.
A secretaria de saúde deverá ainda implementar as teleconsultas. O governo estadual disponibilizou uma verba de R$ 250 mil para ampliação de consultórios e R$ 400 mil para a compra de equipamentos. “Já nos disponibilizou uma verba para nós fazermos uma ampliação no centro de saúde, provavelmente será na área do Idelfonso Zanetti para nós criarmos algumas salas de teleconsultas e mais os equipamentos para isso. Televisões, câmeras de alta resolução, para que o médico à distância faça a consulta, faça os encaminhamentos e sempre com a gestão de um médico assistente aqui em Irati, possamos dar celeridade nessas consultas que nós não temos aqui na região do estado do Paraná”, explica.
O objetivo é que os mutirões e as teleconsultas auxiliem a aumentar as chances de a população conseguir obter serviços de saúde. “Nós queremos trazer com isso, não só uma ampliação de ofertas, mas também trazer ofertas de serviços que não temos hoje nenhum prestador credenciado, seja em Irati, Ponta Grossa ou Curitiba”, disse.
A secretaria de saúde também tem dado continuidade ao processo de informatização da saúde municipal. De acordo com o novo secretário, a intenção é conseguir no próximo ano ter o sistema informatizado. “Quem foi nos últimos dias no PA [Pronto Atendimento] já pode notar que está tendo um pouco mais de demora no primeiro atendimento que a pessoa foi lá, porque nós estamos informatizando todas as unidades de saúde do município de Irati. Nós queremos, a partir de semana que vem, todo o sistema interligado. Nós já começamos pela UPA. Nós vamos começar pelas unidades centrais e unidades do interior ainda na semana que vem. Nós teremos todos os pacientes nossos e a população nossa cadastrada, para que isso nós tenhamos um controle, desde o tempo de atendimento do médico, dos enfermeiros, até os medicamentos que são prescritos para essa população. Nós acreditamos que em 60 dias, nós vamos ter já o primeiro diagnóstico desse sistema e com esse sistema informatizado, nós vamos otimizar nossas compras, nós vamos otimizar os recursos que nós vamos implementar”, conta.
O sistema usado na informatização já foi licitado e a pasta está terminando de equipar algumas unidades de saúde. “Nós estamos terminando de equipar as unidades de saúde. Tem algumas unidades ainda que falta uma ou outra estrutura, seja uma impressora, seja um computador, mas nós acreditamos que até a semana que vem isso já esteja resolvido. Foi feita uma licitação, nós contratamos uma empresa e essa empresa é a mesma empresa que presta serviço ao Consórcio Intermunicipal de Saúde. Tudo que nós enviamos ao consórcio, o consórcio vai entregar esse feedback para nós, porque o sistema vai ser interligado, tanto com o consórcio, quanto com o estadual de consultas eletivas”, explicou João Almeida.
No próximo ano, ainda deverão ser iniciadas as reformas na unidade de saúde Adhemar Vieira de Araújo, de Gonçalves Junior, e no posto Ildefonso Zanetti. Cada reforma terá o custo de R$ 150 mil, que será disponibilizado pelo governo estadual. Haverá também uma ampliação na unidade da Vila São João, com uma área de cobertura de proteção de chuvas. O valor do investimento será de R$ 250 mil, incluindo R$ 100 mil para reforma e R$ 150 mil para ampliação. Os recursos também serão repassados pelo governo estadual, com 5% de contrapartida municipal.
Medicamentos: Uma das dificuldades da secretaria de saúde está no abastecimento de medicamentos na farmácia do município. “Nós tivemos, momentaneamente, a cerca de 15 dias 20 dias atrás uma situação com insulina. Hoje ela já está normalizada. Porque nós encontrávamos o aparelho, o glicosímetro, ou encontrávamos uma fita e eles não se conversavam, era de uma marca ou era de outra”, conta.
Esse desabastecimento ocorre porque os laboratórios estão tendo dificuldade em obter matéria-prima para produzir os medicamentos e, consequentemente, atrasam a entrega. “Hoje não está em falta a parte financeira, não está em falta licitação. O que nós estamos tendo dificuldades é que alguns laboratórios não estão conseguindo entregar os medicamentos. Nós saímos de uma pandemia. Na hora que terminou a pandemia, começou a guerra da Ucrânia com a Rússia. Um dos componentes principais que se faz soro fisiológico, a matéria-prima é russa”, disse o secretário.
O soro fisiológico é um dos itens atingidos. “A matéria-prima para fazer o soro fisiológico no Brasil todo, a matéria-prima é russa. Então, os laboratórios e os grandes laboratórios têm dificuldade de conseguir essa matéria-prima porque, obviamente, no meio de uma guerra, eles vão priorizar o mercado interno, do que disponibilizar para nós. Hoje aqueles frascos de 500 ml de um litro de soro fisiológico, nós estamos com uma dificuldade imensa de encontrar. Encontramos apenas de 100 ml ou de 200 ml, quando encontramos”, explica João Almeida.
A dificuldade de acesso a materiais importados para a fabricação de produtos na área de saúde dificulta a produção interna. “Outro produto que estamos tendo dificuldade de compra é a gaze. O algodão para produzir a gaze também é importado. O algodão também não é um produto nacional. Os laboratórios e quem fabrica está tendo dificuldade”, conta.
Além da dificuldade de produção, houve aumento de medicamentos. As ampolas de medicamentos que custavam R$ 0,80 antes da pandemia, agora são vendidas a pelo menos R$ 7.
No caso da insulina, o governo estadual conseguiu auxiliar na compra de equipamento compatível com o produto que está sendo disponibilizado no mercado. Mas o secretário pontuou que é possível que se tenha dificuldade nos medicamentos pelo contexto internacional. “Enquanto o mercado internacional não se estabilizar, nós momentaneamente, podemos ter falta de um ou outro medicamento. Porém, todos os medicamentos, nós temos algum outro que possa substituir aquele. Não temos um antibiótico. Por exemplo, para quem tem criança, já deve ter dado a amoxicilina com clavulanato. Esse medicamento está em falta, não tem para comprar no Brasil. Mas nós temos outros medicamentos e já disponibilizamos para os médicos, outras opções, para que eles possam prescrever os seus pacientes”, explica.
Covid-19: O final do ano tem sido de aumento de casos de Covid-19 em Irati, após um período de poucos casos no início desse segundo semestre. O novo secretário destaca que os casos vêm aumentando e que é preciso estar atento. “Há seis meses foi tendo a baixa. Nós seguimos zerados por um bom tempo e o que aconteceu? Isso é natural do ser humano. Quando não tem um alarde, não tem uma ameaça, nós relaxamos e nós relaxamos com os cuidados, nós relaxamos com a vacinação”, conta.
Em Irati, a vacinação das doses de reforço é baixa. “Nós teríamos 44 mil pessoas aptas a tomar a terceira dose, a dose de reforço. Nós temos praticamente 10 mil. Cerca de 34 mil pessoas que tomaram a primeira dose, algumas já deixaram de tomar a segunda dose, e a dose de reforço não foi tomada. Nós já estamos na quarta dose e tem uma população muito grande, cerca de 35 mil pessoas que não tomaram essa dose. Essa população está exposta”, relata João Almeida.
Os casos confirmados são leves, mas é preciso que a vacinação continue sendo feita para que não haja complicações. “Todos esses casos são casos leves. Porém, o caso leve num paciente que já é debilitado, pode complicar ainda mais. Nós temos paciente com Covid que tem acima de 80 anos e esse paciente caso tenha uma diarreia, vômitos, vai debilitar muito o organismo dele, podendo trazer complicações. Eu faço um pedido encarecido à população que busque os postos de vacinação, busque a unidade mais próxima da sua casa que tenha posto de vacina para nós nos vacinarmos, para nós nos protegermos”, disse.