Retomada do teatro da Paixão de Cristo em Irati é adiada para 2016

08 de janeiro de 2015 às 08h52m

Conforme direção do grupo teatral responsável pela apresentação, faltaria tempo hábil para os ensaios da nova montagem da peça
Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava e Jussara Harmuch

© Paulo Henrique Sava

Quinho confirmou em participação no Meio Dia em Notícias, que a apresentação do Teatro da Paixão foi adiada para 2016
Apesar da expectativa que vinha entusiasmando o público iratiense desde o final do ano passado, a retomada da tradicional apresentação da Paixão de Cristo em Irati vai precisar aguardar mais um pouco: vai ficar para a Sexta-Feira Santa de 2016 e não para a de 2015, como se previa. O diretor do grupo teatral São Francisco, Célio Marcos de Oliveira, o Quinho, que é responsável pela nova montagem da peça, explicou, durante participação no Meio Dia em Notícias desta terça (6), que é necessária uma estrutura ampla, além de recursos financeiros, para tal retomada.

Quinho agradeceu à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Cultura pela iniciativa em procurar o grupo, com a intenção de resgatar o teatro da Paixão já neste ano. Em dezembro, ele se reuniu com parte da antiga diretoria do grupo e, em consenso, resolveram adiar a nova apresentação para o próximo ano, em função do pouco tempo para preparar tudo até o início de abril.

Desde que o grupo deixou de se apresentar, a partir de 2009, boa parte do material e do figurino foi doada, pois não havia onde ser guardado. Quinho considera a retomada do teatro da Paixão como um grande desafio para todos do grupo, pois envolve trabalho integral por cerca de um ano, não só para os ensaios, como também para recuperar o figurino, cenários, materiais de cena, entre outros.

Em 1989, quando o grupo se apresentou pela primeira vez, ainda no pátio da Capela São Francisco, entre equipe técnica, figurantes e atores, somava-se em torno de 50 pessoas. Com o passar do tempo, a produção se ampliou e mudou para o Estádio Municipal, quando então contava com 400 atores e figurantes. Se for também considerada a equipe técnica, responsável pela sonorização, iluminação, contra-regra, troca de cenários, totaliza-se cerca de 550 pessoas.

O diretor do grupo lembra que a 21ª edição do Teatro da Paixão, em 2009, mesmo após meses de preparos e de ensaios, acabou deixando de ocorrer em função do clima. Por ser um teatro ao ar livre, se chovesse, o grupo ficaria impedido de se apresentar por uma série de motivos, entre eles, o fato de que os equipamentos de som eram alugados e poderiam se estragar se expostos à umidade e também porque o público deixava de comparecer em função da chuva. De acordo com Quinho, o recorde de público teria sido no ano de 1997, quando a encenação foi apresentada no Estádio Coronel Emílio Gomes, com lotação máxima.

Histórico do grupo

A ideia de encenar a Paixão de Cristo surgiu no final dos anos 1980 dentro do grupo de jovens JUNIFRA. Antes mesmo do teatro da Paixão, o grupo apresentava o teatro de São Francisco e depois o nascimento de Jesus, no pátio da Capela. Com o crescimento do teatro – e do público – houve a necessidade não só da transferência para um local maior, o Estádio Municipal, como também o desmembramento do Grupo de Teatro São Francisco do grupo de jovens, para que fosse exclusivamente dedicado à encenação. Além disso, o grupo precisou criar um CNPJ próprio, como entidade sem fins lucrativos, para iniciar a arrecadação de recursos para a aquisição de materiais e outras despesas, através de rifas, venda de pierogue, pastelada, entre outros eventos.

Os materiais de cena, cenários, figurinos e aluguel de equipamentos de som foram pagos, entre 2000 e 2007, com o dinheiro que era arrecadado com a venda de rifas que sorteavam, a cada ano, um veículo 0 km, ao preço de R$ 1 o bilhete. Quinho lembra que em todo o tempo que o teatro da Paixão existiu, a Prefeitura deu apoio dispondo o espaço do Estádio Municipal e colocando seis funcionários à disposição e cedendo os palcos que tinha e que usava também para outros eventos.

Para evitar problemas com a locação de equipamentos de som – muito disputados a partir da data da Sexta-Feira Santa, pois no Sábado de Aleluia voltam com maior frequência os bailes e shows –o grupo estuda a ideia de antecipar a apresentação da Paixão de Cristo para a semana anterior. No caso de chuva, ainda haveria tempo hábil para adiar a encenação e fazê-la no sábado anterior à Semana Santa ou no Domingo de Ramos.

Das últimas reuniões, Quinho diz que surgiram muitas pessoas dispostas a participar do teatro. Porém, para organizá-lo, não mais do que 30. E o grupo necessita de mais pessoas para essa organização. Em termos financeiros, a novidade é a de que o grupo São Francisco estabeleceu parceria com a Prefeitura, o que não existiu durante os 20 anos em que o teatro foi apresentado antes de paralisar. “Sempre tivemos apoio da Prefeitura, mas nunca uma parceria”, explica Quinho. Segundo ele, a Prefeitura teria se comprometido a arcar com parte do valor necessário para a apresentação e o restante seria buscado, juntamente com a Secretaria de Cultura, através de patrocínios empresariais.

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