Grupos de pelo menos três cidades do estado aproveitaram o feriado de Carnaval para fazer protestos bem-humorados contra o governo estadual
Gazeta do Povo – Antonio Senkovski, Katna Baran e Luiz Carlos da Cruz, correspondente em Cascavel
Manifestantes, a maioria servidores públicos estaduais, aproveitaram o feriado de Carnaval para protestar, na tarde desta terça-feira (17), em Curitiba, Cascavel, e em Londrina, contra as últimas medidas adotadas pelo governo Beto Richa (PSDB).
No Centro Cívico, em Curitiba, um grupo de cerca de 20 pessoas ficou ao redor de uma churrasqueira assando batatas com recheios descritos em um cardápio. As opções descrevem políticos e um recheio para fazer sátira com o respectivo nome. O ato buscou demonstrar que, para alguns políticos do Paraná, a “batata está assando”.
O manifesto bem-humorado foi organizado por algumas entidades que apoiam as greves dos profissionais de educação no Paraná. Desde o dia 9, um acampamento de profissionais da educação é mantido em frente ao Palácio Iguaçu e a Assembleia Legislativa. O principal motivo é o fato de o governo ter tentado aprovar um “pacotaço” de austeridade na semana passada.
Uma das participantes do protesto, Anaterra Viana, 30, explica que a chuva mudou os planos do grupo. Em vez de fazer em um único dia, a batata assada dos políticos será feita todos os dias. “Convocamos a todos que quiserem vir participar, e quem quiser trazer sua batata recheada para assar aqui também é bem-vindo”, disse a manifestante.
Marcinhas contra “pacotaço”
Servidores público de pelo menos duas cidades do interior do estado também organizaram protestos criativos durante o feriado. Cerca de 30 servidores, a maioria professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aproveitaram o clima carnavalesco para desfilar com o bloco “Pacote do Calote” na tarde desta terça-feira. Usando máscaras com imagens de políticos, eles se juntaram às comemorações de Carnaval na praça Nishinomiya, em frente ao aeroporto da cidade, para cantar marchinhas com letras de protesto contra o “pacotaço” do governo.
Professores da Universidade do Oeste do Paraná e servidores do Hospital Universitário do Oeste do Paraná também aproveitaram a festa para protestar em Cascavel. Com fantasias características e instrumentos musicais, eles realizaram uma manifestação no centro da cidade e cantaram versões com letras de protestos para marchinhas famosas de Carnaval. Nem mesmo a chuva forte que caiu sobre a cidade diminuiu o entusiasmo dos manifestantes que sambaram durante todo o tempo.
Um grupo de professores de Corbélia foi o primeiro a apresentar a marchinha de protesto. A professora Eliane Marcelino do Carmo, integrante do bloco, disse que a festa poderia ser melhor, não fosse a greve, mas que foi o governador quem empurrou o funcionalismo para a paralisação. “A gente vai aproveitar a alegria do Carnaval para protestar. A gente está aqui se divertindo, mas é para protestar. Queremos mostrar a ele [o governador Beto Richa] que a tristeza nos uniu e que a alegria vai nos manter forte”, disse.
A servidora Isabel Fernandes disse que a folia de Carnaval é mais uma oportunidade de se manifestar e repudiar o “pacotaço” do governador usando o bom humor. Já o aluno Marlon Felipe Ricarcatto afirmou que o feriado serviu para conscientizar a população, com as marchinhas de protesto, sobre a situação financeira do estado. Ele lembra que no Carnaval de São Paulo uma escola de samba usou como tema a falta de água para chamar atenção sobre o assunto. “Aqui a gente mostra o descaso da educação”, ressaltou.