Debate em Mallet centraliza crítica à atual gestão

21 de setembro de 2016 às 09h26m
Gestão de Rogério Almeida (PV) foi bombardeada pelos três candidatos da oposição presentes: o ex-prefeito César Flenik (PMDB), o ex-vereador Ari Miranda (PSDC) e o empresário Fábio Baler (PTB)

Edilson Kernicki

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O clima revanchista pairou no ar, de forma indireta, ao longo dos três blocos de perguntas do debate realizado entre os candidatos a prefeito do município de Mallet na noite desta terça (20), com transmissão ao vivo pelas emissoras Najuá AM 990 e FM 106,9 e Alvorada do Sul AM 850, que tem apoio do jornal Hoje Centro-Sul, que vai destinar uma página exclusiva sobre o evento na sexta-feira (23).

Confira o vídeo com o debate completo no fim do texto

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O debate, ocorrido na Câmara de Vereadores de Mallet, foi também acompanhado in loco por uma plateia restrita e, excepcionalmente, levado ao ar também por duas emissoras locais: a Cidadão FM e a Clube AM. Os internautas também puderam acompanhar ao debate via livestreaming de vídeo no canal da Najuá no YouTube e pelos sites e redes sociais da emissora.

Quatro dos seis candidatos a prefeito marcaram presença no debate: o atual prefeito, Rogério da Silva Almeida (PV), da coligação “Juntos Pela Continuidade do Progresso de Mallet” (PP/PV/PSL/PSB/PMB/PSDB/PSD/PROS/DEM); João Ary de Miranda (PSDC), que concorre em chapa pura – sem coligação; César Loyola Flenik (PMDB), da coligação “Unidos Somos Fortes” (PEN/PMDB); Fabio Noronha da Silva – Fabio Baler (PTB), que também concorre em chapa pura. Daniel Izau Hoinacki (PR), da coligação “Chega dos Mesmos” (PR/SD) e Moacir Alfredo Szinvelski (PSC), da coligação “Hora de Mudar” (PDT/PSC/PPS) se ausentaram sem justificativa prévia.

Os adversários aproveitaram a ocasião para tecer todas as críticas possíveis à atual gestão, que teve sua chance para responder. Novas propostas ficaram relegadas a segundo plano.

Primeiro bloco

© Ciro Ivatiuk/Hoje Centro-Sul

Atual prefeito Rogério Almeida foi bombardeado de críticas pelos adversários

Logo que foi encerrado o bloco de apresentações, os candidatos iniciaram a primeira rodada de perguntas entre si. Pela ordem de sorteio, Rogério foi o primeiro e questionou ao adversário João Ary o que pretendia com a revisão da frota municipal da saúde descrita em seu plano de governo. Ary disse ser necessário revisar o valor cobrado por quilômetro para a realização desse tipo de transporte. Ao tentar explicar a proposta, desviou do assunto e falou sobre a precariedade das estradas para o transporte escolar, o que compromete a própria manutenção da frota; criticou a falta de recuperação de pontes.
Rogério tentou redirecionar a pergunta para o assunto principal durante sua réplica e afirmou que, ao assumir o atual mandato, a frota utilizada pela Saúde se encontrava em péssima situação e que, por isso, foi renovada com ambulâncias, vans para transportes e motos e que todos os custos foram auditados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).
Ary, em sua oportunidade, ao direcionar sua pergunta ao ex-prefeito César Flenik, candidato do PMDB, limitou a lançar o tema: estradas rurais. Flenik reconheceu que as estradas estão cascalhadas, porém o material empregado, segundo ele, é de péssima qualidade, como no Rio Bonito e na Serra do Tigre. Outros locais, no entanto, não teriam recebido qualquer patrolamento nos últimos dois anos e meio, conforme o candidato. Ary concordou e disse que precisam ser melhoradas as condições de cascalhamento das vias rurais. Na tréplica, Flenik destacou que praticamente todas as casas da Colônia hoje possuem até mais de um carro, motos e máquinas pesadas, o que demanda melhor conservação das estradas, com materiais de mais qualidade do que o empregado atualmente.
Flenik quis saber de Fábio qual é o maior projeto ou obra que ele pretende desenvolver se for prefeito. O candidato limitou-se a responder que deve, no mínimo, executar as obras de pavimentação de que o povo precisa.

Restou a Fábio fazer a pergunta ao prefeito Rogério sobre que obras que pretende desenvolver ao longo do próximo mandato. O candidato do PV afirmou que quer executar a Ponte do Lageadinho, na Colônia Seis, que foi a única a não ser recuperada entre as que foram destruídas pela enchente, há dois anos. Rogério destacou que, em compensação, foram construídas mais 91 pontes em toda a cidade. Além disso, ele pretende ampliar a rede de esgoto, que já se estende por 8,5 mil metros ao longo do Centro, da Vila São Pedro, Eldorado, Schoma e Vila Maria. Quanto ao cascalhamento, pretende adotar uma mistura com pedra ferro, para melhorar a qualidade, bem como, no âmbito da viação, planeja trabalhar no alargamento das estradas e na modificação de bueiros e galeriais pluviais, além de investir em pavimentação.

Na réplica, Fábio provocou o candidato à reeleição ao questionar se quatro anos não foram suficientes para realizar as obras e se seria necessário aguardar outros quatro para algum avanço. Rogério salientou que a Ponte do Lageadinho foi a única que faltou recuperar e que, ainda, quer construir novas escolas e uma Unidade Básica de Saúde nas proximidades da Vila Mariana.

Segundo bloco

© Ciro Ivatiuk/Hoje Centro-Sul

Candidatos tiveram até dois minutos para responder aos questionamentos da equipe organizadora do debate

O segundo bloco foi composto de perguntas elaboradas por jornalistas e radialistas da organização do debate, a partir de sugestões encaminhadas pela população, a respeito de temas prioritários para a gestão pública. Os candidatos foram novamente submetidos a um sorteio para definir quem iniciaria a rodada. A diretora da rádio Alvorada do Sul, Mariangela Sarraff Perussolo perguntou a Rogério quais as ações a serem direcionadas para a manutenção das estradas rurais nos distritos de Dorizon e Rio Claro do Sul.
O prefeito destacou que já existem equipes de trabalho atuando em ambos os distritos e que tanto há uma pedreira próxima ao distrito de Rio Claro do Sul como o Parque de Máquinas fica próximo. Da mesma forma, o prefeito admitiu a necessidade de ampliar a frota do Parque de Máquinas. Se por um lado, de acordo com ele, já foi resolvido o alargamento em estradas, pontes e bueiros em Rio Claro do Sul, o que ainda não foi possível em Dorizon pelo fato de o relevo ser diferente.
Na réplica, César enfatizou que o material empregado pela gestão de Rogério na manutenção das estradas rurais é de má qualidade. Ao rebater, Rogério preferiu falar do maquinário adquirido e do que falta adquirir: um rolo compactador, uma escavadeira e uma pá carregadeira. O prefeito também enfatizou a importância de adotar, na manutenção das estradas, gradativamente, a pedra britada.
Ao candidato Fabio, o diretor do jornal Hoje Centro Sul, Ciro Ivatiuk, perguntou quais os planos para desenvolver o turismo religioso em Mallet e quais investimentos podem ser aplicados na Igreja de São Miguel Arcanjo, na Serra do Tigre, tombada como patrimônio histórico, cultural e arquitetônico. O candidato do PTB disse que é necessário melhorar as condições de acesso até a Serra do Tigre e pavimentar a estrada com calçamento, para que os visitantes não enfrentem transtornos no deslocamento até as festas que ocorrem na Igreja. Na réplica, Ary destacou que, por ser patrimônio tombado, é possível captar recursos junto às demais esferas do governo para calçar a estrada que leva até a Igreja. Fábio, na tréplica, sugeriu que a região pode contar com o apoio de dois deputados federais para recuperar esse calçamento.
O jornalista Rodrigo Zub, da rádio Najuá, direcionou sua pergunta ao candidato João Ary. Rodrigo questionou se, uma vez eleito, ele pretendia continuar com a Kiwi Fest e se o evento tem alcançado seu objetivo. Ary assumiu que pretende prosseguir com a realização da festa anual, mas considera que é preciso reverter os prejuízos que o evento tem trazido ultimamente. O candidato frisou que, em 2013, a festa gerou lucro de R$ 14 mil e, nos três anos subsequentes, resultou em prejuízo cerca de dez vezes maior que o lucro de 2013.
Na réplica, Rogério assinalou que, em 2012, último ano da gestão anterior, a Kiwi Fest também gerou prejuízo de R$ 148 mil. O prefeito também destacou o prestígio que o evento trouxe ao município, hoje reconhecido estadualmente como a Capital do Kiwi.
Ary disparou contra o atual prefeito, na tréplica, ao afirmar que ele está equivocado a respeito das despesas do evento, uma vez que ele enviou à Câmara um projeto de lei de abertura de crédito adicional à Secretaria de Agricultura para cobrir os prejuízos da 20ª Kiwi Fest.

O prefeito solicitou direito de resposta, que foi concedido no terceiro bloco, e ressaltou que tem procurado ampliar a festa a cada ano, pelo potencial turístico e prestígio que gera para o município, e que o crédito adicional precisava, obviamente, ser aplicado à Secretaria de Agricultura, pois era quem estava na organização do evento.
O candidato César Flenik respondeu à última questão do bloco, elaborada pelo diretor do Hoje Centro Sul, Ciro Ivatiuk, sobre como a Prefeitura pode auxiliar o Hospital São Pedro a se recuperar das dificuldades financeiras e como melhorar a gestão da saúde municipal e analisou que os hospitais vivem um momento de dificuldade, pois ou são particulares ou são totalmente dependentes do SUS. Flenik respondeu que deve ser realizado um investimento maior no hospital e na saúde em Mallet. Segundo ele, mais da metade dos recursos da pasta são gastos em transporte de pacientes e em diárias e criticou a atual administração por não ofertar exames simples no município e os pacientes terem que ir até Irati para fazer até exame de fezes, o que ele considera humilhante.
Selecionado para a réplica, o candidato Fabio afirmou que é possível melhorar o atendimento e que pretende aumentar o repasse de recursos ao Hospital; buscar recursos junto ao Ministério da Saúde e estabelecer convênios para a oferta de exames no próprio município.
Flenik concluiu que o Hospital merece atenção especial da municipalidade, por ser uma obra filantrópica construída nos anos 1940, com muito esforço, condição em que se mantém até hoje.

Terceiro bloco

Curiosamente, o terceiro bloco manteve a mesma ordem de perguntas do primeiro: Rogério para Ary; Ary para Flenik; Flenik para Fabio e Fabio para Rogério. O prefeito indagou ao candidato Ary sobre o apoio ao Conselho Municipal de Saúde, que consta em seu plano de governo. Ary respondeu que, para melhorar a saúde, é preciso investir no Conselho e na capacitação de profissionais. O candidato disse que quer reduzir a máquina administrativa para seis Secretarias, o que permitirá economizar, segundo ele, até R$ 522 mil ao ano.
Rogério, na réplica, enfatizou que o Conselho é muito atuante e já passou por essa capacitação, ao longo de um ano, e que é responsável por auditar todas as compras, despesas e investimentos da Secretaria.

Ary quis saber de Flenik seus planos para a Educação e citou uma escola municipal com salas interditadas. Flenik respondeu que deve reformar a escola. Disse que o governo municipal é incompetente, pois a ex-presidente Dilma Rousseff mantinha um programa que construiu 35 mil quadras poliesportivas cobertas em escolas de todo o país e que Mallet conseguiu só “uma quadra e meia”. Além disso, atribuiu todo o mérito pela melhora no IDEB aos professores municipais, que ele considera desvalorizados pelo Executivo, porque teriam recebido o piso nacional “na marra”. Da mesma forma, Flenik também criticou a qualidade atual da merenda escolar e frisou que não há distribuição de material escolar. João Ary comentou a importância da oferta do transporte escolar para os universitários e de sua participação, enquanto vereador, dessa conquista. Flenik ressaltou que teria sido ele o primeiro prefeito a oferecer o transporte escolar gratuito para as crianças na região e que, por 12 anos, se criou um folclore de que era proibido a Prefeitura oferecer esse transporte e que esse mito hoje é superado, pois outros municípios também seguem esse modelo.

Flenik perguntou a Fabio como ele pretendia acertar as finanças da Prefeitura. O candidato respondeu que vai reduzir de 13 para seis Secretarias e diminuir o pagamento do departamento jurídico, além de incluir pessoas formadas nas Secretarias de Agricultura e Planejamento.

Fabio insistiu nesse aspecto ao formular a pergunta para o prefeito Rogério, ao questionar se ele pretende manter pessoas sem formação específica nas Secretarias e manter os salários como estão. Rogério frisou que quem determina salários de prefeito, vice, vereadores e secretários é o Legislativo, que vota ao final de uma legislatura para vigorar somente a partir da próxima. O prefeito também respondeu que, ao mesmo tempo em que existem profissionais formados, com capacitação técnica, sem perfil para assumir uma pasta, também há pessoas sem formação que desempenha muito bem o papel.

Acompanhe, em detalhes, o debate no vídeo a seguir:

Imagens: Juarez Oliveira

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