Três dos quatro candidatos presentes ao debate utilizaram o direito de resposta para se defender de insinuações e afirmações lançadas pelos adversários
Edilson Kernicki
Com regras específicas, o debate entre os candidatos a prefeito de Rio Azul se diferenciou dos demais também pelo tom. Os ataques pessoais estiveram presentes ao longo de todo o programa, tanto que três dos quatro candidatos presentes obtiveram direitos de resposta. Nem mesmo o candidato Jair Buco Martins (DEM), da coligação “Competência, Trabalho e Honestidade” (DEM/PSD/PV) deixou de ser mencionado pelos adversários: em duas ocasiões, os concorrentes citaram que pretendiam direcionar suas questões para ele.
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Compareceram ao debate os candidatos Domeni Giordanni Alberti Dangui (PPS); José Tomaz de Andrade (PT); Professor Júnior – Antonio Galdino França Júnior (PMDB), da coligação “A Nossa Força Vem do Povo” (PMDB/PSL/REDE/PR/PROS/PSB), e Rodrigo Skalicz Solda (PSDB), da coligação “Rio Azul, Agora Vai” (PSDB/PDT/PP/PTB/PHS/SD). Jair Buco Martins não compareceu e não justificou a ausência no debate.
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O debate se diferenciou dos realizados entre os candidatos de outros municípios da região pela exclusão do bloco com perguntas elaboradas por jornalistas e radialistas. Foram quatro blocos de programa: o primeiro, com as apresentações dos candidatos, seguidas de uma rodada de perguntas entre eles, com tema livre; mais dois blocos de perguntas entre candidatos e um quarto bloco, com as considerações finais. Nos três blocos de perguntas, foram concedidos 30 segundos para a elaboração da pergunta; dois minutos para a resposta; 45 segundos para a réplica e outros 45 segundos para a tréplica.
Os ataques entre os candidatos se estenderam, inclusive, a quem sequer concorre a cargo eletivo. Por um lado, implicitamente, várias vezes foi citado o ex-prefeito Vicente Solda, pai do candidato Rodrigo Solda. Por outro, o atual prefeito, Silvio Paulo Girardi, de quem o candidato Professor Júnior é vice. Em várias passagens, houve cobranças sobre eventuais falhas na administração atual e nas anteriores.
Os ataques entre os candidatos se estenderam, inclusive, a quem sequer concorre a cargo eletivo. Por um lado, implicitamente, várias vezes foi citado o ex-prefeito Vicente Solda, pai do candidato Rodrigo Solda. Por outro, o atual prefeito, Silvio Paulo Girardi, de quem o candidato Professor Júnior é vice. Em várias passagens, houve cobranças sobre eventuais falhas na administração atual e nas anteriores.
Bloco de abertura
Pela definição prévia através de sorteio, o candidato Rodrigo Solda iniciou a primeira rodada do debate, questionando ao Professor Júnior sobre o que justificaria o alegado estado de abandono das estradas rurais e o que ele pretende fazer para reverter essa situação. Júnior destacou que, como vice, através de emendas do senador Roberto Requião (PMDB-PR) e do deputado federal João Arruda (PMDB-PR), conseguiu readequar as estradas até Água Quente dos Meiras e Pinhalzinho. Professor Júnior frisou que vem do suor do agricultor a força da economia local e que, por essa razão, a prioridade é formar uma equipe capaz de executar os serviços necessários. Ele admitiu que, no atual mandato, faltaram resolver alguns problemas que pretende resolver no próximo.
Rodrigo rebateu admitindo que houve investimentos nas estradas, mas criticou a durabilidade das intervenções nas estradas, porque as pedras não estão mais lá. Sugeriu que se devem criar parcerias com o governo estadual para cascalhar os 850 quilômetros de estradas rurais do município em vez de terceirizar o serviço. Professor Júnior salientou que, ainda que as obras tenham sido terceirizadas, elas foram devidamente licitadas e tiveram fiscalização da Caixa e que, no início do atual mandato, somente na estrada até Água Quente dos Meiras havia dez encalhadouros.
Numa primeira provocação, Dangui indagou Rodrigo sobre que atitudes ele pretendia tomar diante das ações de bloqueio de bens que envolvem a família Solda. Rodrigo respondeu que vai respeitar a legalidade e a transparência e que não vai lançar mão de auditar contas para jogar responsabilidades nas “costas” de terceiros. O candidato do PSDB disse que o adversário fizera ilações como se pudesse antever o futuro.
A saúde foi o tema selecionado pelo Professor Júnior para sua pergunta a José Tomaz: que ações ele pretende adotar no que diz respeito à saúde além das equipes do Programa Saúde da Família (PSF). José Tomaz ressaltou que, além de mais remédios, médicos e enfermeiros, é necessário criar um Posto 24 Horas na sede do município que atenda aos moradores do interior durante a noite e que os médicos do interior atendam aos pacientes “sem limites”. A proposta é similar à citada depois pelo Professor Júnior, em sua réplica, que é a de restabelecer o atendimento por livre demanda – ou seja, o paciente vai ser atendido no posto que ele procurar, diferente dos moldes do PSF, que é regionalizado.
José Tomaz manteve o tema “Saúde” em sua questão para Dangui. O candidato do PPS incitou os adversários a serem coerentes e botarem os pés no chão, por considerar contraditória a promessa de contratação de mais médicos ao mesmo tempo em que citam o inchaço da folha de pagamento. Na visão de Dangui, é preciso rever salários e expedientes dos médicos e ampliar o investimento em saúde através da redução de cargos comissionados e de Secretarias.
Segundo bloco
O segundo bloco abriu com mais insinuações. O Professor Júnior acusou que o pai de Rodrigo Solda, o ex-prefeito Vicente Solda, teria dito em visitas ao interior que o filho não estaria preparado para administrar o município e que a Educação nunca tinha sido prioridade no governo do ex-prefeito, pois, de acordo com o professor, faltavam vagas em creches e escolas.
Rodrigo saiu em defesa do pai e disse que seu ponto de vista difere da verdade e que o número de vagas ofertadas foi reduzido em função de uma mudança na lei federal que reduziu a faixa etária para a entrada na escola. O candidato sugeriu que turmas sejam remanejadas e mais professores contratados.
Na réplica, Júnior afirmou que, na gestão anterior, as escolas dependiam de “vaquinhas” para comprar a merenda e da promoção de pasteladas para adquirir o gás de cozinha. Comparou a situação ao investimento de R$ 5 milhões em obras executadas nas escolas da rede municipal e disse que vai levar progresso para Rio Azul através da Educação. Rodrigo debochou da proposta e questionou o motivo de ela não ter sido cumprida ao longo dos últimos quatro anos.
José Tomaz sustentou um clima amistoso durante todo o debate e questionou ao adversário Professor Júnior acerca da pasta de Indústria e Comércio: se existia e se funcionava quando ele iniciou a atual gestão como vice. O candidato do PMDB salientou que a atual gestão não criou uma Secretaria de Indústria e Comércio, mas que também não funcionava uma, na época. Ele disse que não prometeria trazer uma grande indústria a Rio Azul sem antes estimular o fortalecimento da indústria e comércio locais, dando a eles condições de crescer e gerar empregos. O candidato também ressaltou a necessidade de readequar o Parque Industrial e de fomentar a agroindústria. José Tomaz dispensou a réplica.
O plano de saneamento básico, aprovado em 2012, foi o tema da questão de Rodrigo direcionada a José Tomaz. Rodrigo destacou a renovação do contrato com a Sanepar por 25 anos, mediante planos de curto, médio e longo prazos. Rodrigo questionou como recuperar o tempo perdido, se os planos de curto prazo não foram executados. José Tomaz citou que a Sanepar está em fase de conclusão de uma obra. O candidato divagou sobre a questão e afirmou que caberia à Sanepar elaborar um levantamento pluviométrico com a finalidade de amenizar os efeitos de uma eventual enchente.
Na réplica, Rodrigo retomou o tema saneamento e disse que é preciso estender a rede e que pretende investir em obras rápidas, cujos prazos não durem mais que um ano. Da mesma forma, sustenta a necessidade de retomar projetos de abastecimento e de tratamento alternativo para fossas sépticas. Tomaz afirmou, na tréplica, sua intenção em tomar providências para evitar a demora na conclusão de obras, pois muitas começam e se deterioram antes mesmo de ficarem prontas.
Dangui, que havia ficado sem responder a pergunta de adversários nessa rodada, respondeu a uma questão elaborada previamente pela organização, com tema sorteado na hora, conforme pré-estabelecido em comum acordo dos candidatos. Dangui foi convidado a explanar seus planos para a infraestrutura esportiva na cidade e que incentivos daria aos atletas locais, se eleito. Conforme o candidato do PPS, a Secretaria de Esportes recebe muitas reclamações de que os campeonatos estão concentrados no Centro e não no interior. Dangui propõe a descentralização dos campeonatos esportivos e que cada comunidade tenha seu próprio árbitro. A descentralização também é proposta para a escolinha de futebol, que ele pretende levar aos bairros, com a oferta de outros esportes, além do futebol.
O candidato usou os segundos restantes em sua resposta para tecer críticas aos gestores municipais anteriores, ao sugerir que a Vila Carneiro está abandonada e que crianças brincariam no meio de uma fossa a céu aberto.
Terceiro bloco
O terceiro bloco iniciou com a concessão do primeiro direito de resposta, dado ao candidato Professor Júnior em função de uma tréplica de Rodrigo durante o segundo bloco, em que insinuou que a atual administração promovia “panelinhas” para a destinação de recursos entre as pastas e que privilegiava determinados servidores nelas. O candidato do PMDB, em sua defesa, disse que respondia como servidor público, e não como vice-prefeito, e que jamais foram formadas panelinhas nos setores em que ele atuou, muito menos na Educação. Salientou, por outro lado, que é amigo de professores tanto da rede municipal quanto da estadual e que o atual governo promoveu a abertura para novos profissionais, tanto os contratados pelo regime PSS quanto aos estagiários do magistério.
Dangui voltou a atacar o adversário do PSDB ao mencionar sua apresentação feita no primeiro bloco, em que mencionou que o estado civil era irrelevante, porque não se administra com a aliança. Dangui questionou a Rodrigo como ele pretendia assegurar os direitos das mulheres e das crianças e se seria “grosseiro como o pai”. Rodrigo não gostou das comparações e disse que seu parâmetro de mulher é sua própria mãe, Jane Skalicz Solda, que foi vereadora por dois mandatos consecutivos e nesse ano não participa do pleito. Disse, ainda, que grosseiro é quem levanta acusações apenas para chamar atenção e classificou o adversário como “de postura baixa”.
O candidato do PPS, na réplica, salientou que não conhecia pessoalmente o pai de Rodrigo – Vicente Solda – e que não fazia questão, mas insinuou que o ex-prefeito tinha um histórico de maltratar funcionários, de desvio de dinheiro público e de intimidar pessoas a votarem nele.
Rodrigo afirmou que o adversário sequer conhece aquele a quem tanto critica e disse que pretendia, inclusive, ser um melhor administrador que o próprio pai.
O debate de propostas foi retomado na questão seguinte, feita pelo candidato Rodrigo ao Professor Júnior, sobre quais projetos tinha para a área de Ação Social e quem seria o responsável pelos programas. O professor propôs a manutenção e ampliação de convênio com a APAE e frisou que não seria sua esposa a coordenar a pasta da Assistência Social, pois ela se manteria no Estado, onde é professora concursada. O candidato do PMDB defendeu também que se firmem parcerias com pastorais e igrejas; a manutenção e ampliação tanto do projeto de trabalho e cidadania quanto do curso de corte e costura.
Rodrigo replicou que é necessário priorizar as políticas habitacionais urbana e rural; melhorar, ampliar e fortalecer essas políticas e sair em busca de apoio do governo estadual, através de programas como o Morar Bem Rural, da Cohapar e construir 103 casas na área urbana, cujo convênio foi conquistado, segundo Rodrigo, na gestão de seu pai.
Na tréplica, o Professor Júnior frisou que o atual prefeito construiu 300 casas na área rural e sugeriu a Rodrigo que ele, que teria ligações com o governo do Estado, deveria ajudar a liberar as 103 casas, cujas obras estão atrasadas há três anos por falta de repasse de verba.
José Tomaz questionou a Dangui seus projetos para a Agricultura. O candidato afirmou que é importante valorizar o agricultor, pois é ele quem sustenta a cidade com alimentos e com a arrecadação de impostos. Prometeu, ainda, resolver os problemas relacionados à manutenção de estradas com a aquisição de maquinário.
Em vez da réplica, José Tomaz fez uma nova pergunta: os planos de Dangui para a segurança pública. Dangui frisou que não vê necessidade em instalar uma Delegacia de Polícia Civil em Rio Azul e que pretende dar o suporte necessário à Polícia Militar, que recebeu na atual administração um terreno da Prefeitura para a construção de um novo destacamento.
O Professor Júnior devolveu a José Tomaz a mesma pergunta que ele tinha feito a Dangui minutos antes: que projetos ele tinha para diversificar a produção agrícola. José Tomaz disse que quer valorizar as associações do interior e retomar programas de distribuição de calcário, fertilizantes e sementes; estimular a bacia leiteira; fortalecer o programa da merenda escolar e da agricultura feminina e incentivar a pecuária, além de melhorar estradas.
Na réplica, o candidato do PMDB disse que pretende ampliar e fortalecer programas de diversificação de culturas que já atende a 500 famílias rio-azulenses; estimular a criação de frangos e ampliar o programa de corte e costura, que vai produzir os uniformes escolares que serão distribuídos aos alunos da rede municipal de ensino.
José Tomaz frisou, na tréplica, que metade da população do município vive na zona rural e que muitos filhos de Rio Azul estão abandonando a cidade em busca de oportunidades e que, por isso, quer promover a eles condições de permanecer na cidade e realizar ali seus sonhos.
Direitos de resposta
Antes das considerações finais, dois novos direitos de resposta foram concedidos, referentes ao bloco anterior. Dangui teve a oportunidade de falar a respeito das insinuações feitas pelo candidato Rodrigo sobre usucapião e regularização fundiária. O candidato disse que o adversário “baixou o nível” ao atacar sua família e a seu pai, já falecido. Dangui ressaltou que é advogado especializado e que tem plenas condições de atuar na regularização fundiária.
Rodrigo obteve direito de resposta em relação à tréplica do Professor Júnior, que sugeriu a ele que usasse sua influência no governo estadual para auxiliar na obtenção de verbas para a conclusão de unidades habitacionais. Rodrigo disse que o teria feito de bom grado, se o atual gestor tivesse a humildade de procurá-lo para solicitar seu auxílio.