Debate de Irati teve troca de acusações e afirmações polêmicas

30 de setembro de 2016 às 09h47m

Programa, que teve quase três horas de duração, foi recheado de insinuações e ataque pessoais entre os candidatos

Edilson Kernicki, com vídeo de Juarez Oliveira
Quase o oposto do primeiro debate, que teve um perfil bastante equilibrado, o segundo debate entre candidatos a prefeito de Irati evidenciou as desavenças entre as chapas majoritárias, com uma deliberada troca de acusações, insinuações e afirmações polêmicas, do bloco de apresentação até as considerações finais. Entre pedidos de direito de resposta atendidos e negados, os candidatos aproveitaram todos os espaços possíveis para se defender do “tiroteio”, incluindo as réplicas e tréplicas de questões relacionadas a outros temas.

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O debate, promovido pelas Rádios Najuá e Alvorada do Sul, Observatório Social e jornal Hoje Centro Sul, foi levado ao ar pelas emissoras de rádio e via streaming de vídeo nas redes sociais. Também foi instalado um telão na Rua Alexandre Pavelski, em frente à Najuá, para que os eleitores pudessem acompanhar juntos o programa, que teve extensão de quase três horas, considerando-se os quatro blocos e os intervalos.

O vídeo completo do debate está disponível no fim deste texto

Publicação de pesquisas

O candidato José Ronaldo Ferreira, o Ronaldão do Povo (PP), da Coligação União do Povo (PP/PSDC/SD) puxou o fio condutor da polêmica já em sua apresentação, ao sugerir que a pesquisa eleitoral a ser divulgada num dos periódicos iratienses nesta sexta (30) é forjada, pois ele aparece em uma posição desprestigiada nas intenções de voto, nesta pesquisa. Ronaldão acusou o candidato Jorge Derbli (PSDB), da Coligação Caminho Seguro (PSDB/PSD/PSC/PSB/PR), de ter encomendado a pesquisa e a sua publicação para se autopromover. No segundo bloco, em seu direito de resposta, Derbli defendeu que jornais devem manter a imparcialidade e que as afirmações do opositor não teriam cabimento, pois no momento do debate ainda não se sabia o resultado da pesquisa, nem se seria divulgada. Segundo Derbli, ele não poderia ser atrelado à confecção de uma pesquisa por estar na liderança.

Auditoria e ameaças

Ronaldão permaneceu no centro da polêmica quando questionado pelo candidato Marcos Antonio Gonçalves (PHS) sobre sua proposta de auditar as contas públicas. O candidato frisou a necessidade de moralizar a política e que, por isso, registrou em cartório seu plano de governo e suas propostas. Para a auditoria, ele disse que vai buscar auxílio também do Ministério Público – do qual o GAECO faz parte – e do Judiciário. Ronaldão pretende realizar uma auditoria da gestão pública nos últimos 12 anos (leia-se dois mandatos do ex-prefeito Sérgio Stoklos e o mandato do prefeito Odilon Burgath).
O candidato Ronaldão do Povo disse que foi impelido a “calar a boca” e a retirar a auditoria de seu plano de governo. Ronaldo assegura que vai levar a proposta até o fim.
Marcos disse que sua chapa também propõe a auditoria e que também foi alvo de ameaças.
Ronaldão, ao direcionar sua pergunta ao prefeito Odilon Burgath (PDT), candidato à reeleição pela Coligação Irati Segue em Frente (PDT/PT/PRB/PPS/PTN/PMDB/PMB/REDE/PCdoB/PROS), quis saber a opinião dele sobre o fato de o ex-prefeito ter assinado o alvará de licenciamento para seu loteamento nos últimos dias de mandato e também perguntou sobre as obras paralisadas desde a gestão anterior.
Odilon respondeu que a assinatura do alvará pode ter sido legal, mas que considera imoral. Segundo o prefeito, nenhum “habite-se” (ato administrativo que autoriza o início da utilização efetiva de construções) foi concedido para a regularização do imóvel. Quanto às obras paralisadas, enalteceu que Ginásio e Nova Prefeitura permanecem sob situação judicial e destacou o fato de que retomou e concluiu obras antes paralisadas, como a Rodoviária, em sua administração.
Na réplica, Ronaldão afirmou que os irmãos Ditrich – Silmar, ex-procurador, e Diórgenes, ex-secretário de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo – não podem voltar a ocupar pastas na Prefeitura de Irati. O candidato acredita que a auditoria proposta por ele vai resolver a situação das obras paralisadas, que ele chamou de “elefantes brancos”, em que estariam enterrados R$ 100 milhões.

Centro-Dia

Odilon, no primeiro bloco, não fugiu ao óbvio: direcionou sua pergunta ao principal adversário, Jorge Derbli. Antes da pergunta, ele lamentou a ausência de todos os outros candidatos no debate promovido pela Rede de Enfrentamento à Violência. Odilon pediu a Derbli que dimensionasse a importância do programa Centro-Dia em Irati.
Derbli comentou que a Rede de Enfrentamento e os Conselhos Municipais são importantes instrumentos para tentar resolver problemas que atingem às famílias e que, ultimamente, tem conversado com profissionais do CRAS e do CREAS e reconheceu sua importância no trabalho com as minorias. Na análise do candidato, o município deve, além da assistência às vítimas de violência, dar suporte aos profissionais que trabalham com elas. Segundo Derbli, o ambiente para as equipes do CRAS e do CREAS não era favorável ao trabalho e sugeriu que a recente troca de comando da pasta se deu em função disso. O candidato afirmou que se deve cuidar dos problemas, mas também discutir suas causas.
O prefeito disse lamentar que o adversário não soubesse do que se trata o Centro-Dia, que é uma demanda dos idosos para ter um espaço de convivência e com equipe multidisciplinar para atendimento a eles, como foco na qualidade de vida e bem-estar. Odilon destacou a revitalização dos Centros de Convivência do Idoso e que foi o primeiro prefeito a realizar uma Conferência dos Direitos dos Idosos em Irati.
Derbli limitou-se, na tréplica, a afirmar que ter capacidade de oratória e retórica é uma coisa, mas que a prática é outra.

Terceirizações

De forma branda, porém crítica, o candidato Nelson Luiz Antunes, o Nelsinho (PTB), entrou na polêmica ao questionar ao candidato Emiliano Gomes (PV), da Coligação Estradas da Mudança (PV/PSL/DEM) sua opinião sobre a terceirização de serviços. Na visão de Nelsinho, as terceirizações, que deveriam ser emergenciais e temporárias, se tornaram permanentes e prejudiciais ao erário e à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Emiliano manifestou sua preocupação com o fato de que muitas das empresas terceirizadas para prestar serviços à municipalidade eram de fora de Irati e algumas descumpriram os contratos. O candidato propôs auditar todos os contratos com as terceirizadas e criar um sistema de licitação por cotas, que priorize empresas locais.
Nelsinho não descarta a possibilidade de realizar terceirizações, mas defende que elas ocorram somente de forma temporária e emergencial, evitando que os contratos sejam “eternamente aditivados”.
Odilon justificou que as terceirizações ocorreram em um momento em que a prefeitura não podia realizar concurso público, devido ao cumprimento do pagamento da ação dos funcionários públicos, e que a partir de agora “com a casa arrumada”, ele poderá fazer diferente.
Emiliano devolveu a questão ao candidato Nelsinho, no primeiro bloco. Teceu uma crítica à administração de Odilon, por escolher um contador de fora de Irati – Luiz Valdir Slompo de Lara – para a Secretaria de Fazenda, e perguntou ao candidato que critério ele adotaria na escolha de seu secretariado. Nelsinho frisou que a competência é o critério principal, que terá secretários definidos “por competência, não por conveniência” e que o atual modelo político, de grandes coligações, está falido, e que pretende nomear seu secretariado de forma transparente. O candidato do PV enalteceu que objetiva colocar pessoas competentes e dignas, evitando que a Prefeitura se transforme em “balcão de negócios”.

Publicidade

Derbli indagou a Marcos Gonçalves, que é empresário do ramo da publicidade, o que ele achava do investimento de R$ 2 milhões em publicidade oficial feita pela Prefeitura em quatro anos, o que inclui mídia de fora de Irati. Na visão de Marcos, o gasto foi excessivo e a Prefeitura deve trabalhar em vez de se promover. O candidato disse, ainda, que inauguração não pode ser transformada em festa. Para ele, além de ser um grande dispêndio, da forma como é feita, a publicidade tenta maquiar os problemas da gestão. Derbli, na réplica, calculou que os R$ 50 mil mensais aplicados em publicidade oficial poderiam custear mil consultas especializadas.

Questões da organização

Durante o segundo bloco, entre os temas levantados pela organização do debate – veículos de imprensa e o Observatório Social de Irati – os candidatos responderam a questões sobre a necessidade de incluir Irati na rede de atendimento do SAMU; a assistência social aos grupos indígenas; a destinação de verbas para a área do Esporte; o Rodeio da Integração; o Portal da Transparência e a manutenção de estradas rurais.
Algumas “pérolas” surgiram nas respostas de alguns candidatos e levantaram polêmica, quando como Ronaldão afirmou que “lugar de índio é no mato” e que sua administração pretende comprar um terreno ou conversar com o IBAMA para dispor um espaço na Flona para “colocar o índio em seu habitat natural”. Na sua réplica, o prefeito Odilon reconheceu que a construção de casas de passagem para os índios na área urbana da cidade é um processo cauteloso e que a experiência de outras cidades da região neste sentido demonstram que nem sempre esta é a resposta mais adequada para a acolhida ao indígena. O candidato do PDT propôs a contratação de um antropólogo para dar assistência aos indígenas.
O candidato Marcos Gonçalves acendeu mais uma polêmica ao dizer que pretende resgatar o Rodeio de Irati num formato bem tradicionalista e, a seguir, afirmar que discorda da realização de rodeios em função dos maus tratos aplicados aos animais. Na réplica, Derbli destacou que o rodeio já foi considerado o maior do Paraná e que deseja fazer com que volte a ser. Ao mesmo tempo, afirmou que pretende priorizar o comerciante local na praça de alimentação do rodeio e que considera absurdo o valor cobrado pela Prefeitura para que os ambulantes comercializem seus produtos durante o evento.
Nelsinho, ao mencionar o Portal de Transparência, propôs que se disponha toda a legislação municipal no Portal e que a divulgação seja realizada num formato mais acessível, pois balancetes não são compreensíveis para a maioria dos cidadãos. O candidato Emiliano, que enquanto vereador fez parte da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, enfatizou a dificuldade de compreender os balancetes e voltou a afirmar que a prestação de contas será mensal e feita em outdoors.
Derbli destacou que as estradas rurais estão em situação de abandono e propôs atender de forma direta o município todo. Sua proposta é a de economizar com o transporte de cascalho, aproveitando sua experiência na área: pegar o cascalho de pontos mais próximos possível dos locais a serem readequados. Além de estradas rurais, o candidato propôs criar em Irati o projeto “Porteira Adentro”, patrolando e cascalhando estradas vicinais e construindo bueiros. O candidato também sugeriu a recuperação do maquinário existente e a compra de novos tratores.

Terceiro bloco reacende polêmicas

As polêmicas de maior repercussão na campanha eleitoral de Irati deram o tom do terceiro bloco. Ronaldão ironizou os apoios políticos do candidato Derbli – como o do governador Beto Richa – ao mencionar os ataques aos professores estaduais durante a greve no ano passado e acusou o adversário de adotar uma postura machista. Em sua própria defesa, propôs criar uma Delegacia da Mulher em Irati. Derbli disse que as provocações revelavam o despreparo do concorrente e que picuinhas desse tipo não eram o que o eleitor esperava ouvir no debate.
Indiretamente, o candidato Emiliano mencionou que há um concorrente que deve R$ 10 milhões na praça. O postulante do PV indagou a Ronaldão como ele pretende desenvolver o Plano Diretor Municipal. O candidato fez rodeios e não respondeu satisfatoriamente a pergunta, mas falou que pretende criar uma equipe forte e que cada pasta será ocupada por um profissional da respectiva área. O candidato do PP disse que até ele mesmo teve dificuldades em receber dívidas do adversário.
Em outro momento deste mesmo bloco, a rivalidade entre os candidatos Ronaldão e Derbli ficou evidente quando o candidato do PSDB alegou que o postulante do PP o havia procurado várias vezes para se oferecer para ser seu candidato a vice. Ele ainda insinuou que Ronaldão não trabalha ao afirmar que sequer sabe qual é sua profissão. A resposta veio somente no bloco seguinte, quando nas considerações finais Ronaldão, com a concessão de direito de resposta, desmentiu que tivesse procurado Derbli para se oferecer para ser vice. Ele afirmou que foi o grupo de Derbli quem o sondou para disputar o cargo, mas que a coligação desistiu da oferta assim que ele propôs auditar as contas públicas. 
Derbli também obteve direito de resposta a respeito da acusação de contas atrasadas em mais de R$ 10 milhões. O candidato mencionou que veio há 40 anos para Irati para trabalhar como empregado e que hoje é ele quem emprega 280 funcionários. Também disse que tem certidões negativas – ou seja, não está endividado – pois do contrário não teria condições de contratar com o poder público. Derbli voltou a afirmar ser vítima de calúnias propagadas por materiais apócrifos que citam as mesmas acusações.
A íntegra do debate, com a discussão de todas as propostas levantadas pelos candidatos, pode ser conferida no vídeo a seguir:
Vídeo: Juarez Oliveira
                                       
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