PRF e Polícia Civil prendem quadrilha que assaltou ônibus em Rio Azul e Mallet

30 de outubro de 2017 às 10h14m

Cinco homens, entre 25 e 35 anos, foram detidos na manhã de domingo (29), em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba

Da Redação, com reportagem Assessoria
Cinco homens, com idades entre 25 e 35 anos, foram detidos na manhã de domingo (29), no km 148 da BR-116, na cidade de Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba. A quadrilha foi desarticulada em operação conjunta da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), da Polícia Civil. Os cinco detidos são suspeitos pelo assalto a dois ônibus de turismo, em Rio Azul e em Mallet, que seguiam para o Paraguai, na noite de sexta (27). As polícias não divulgaram as identidades dos integrantes da quadrilha. 
O veículo Chevrolet Corsa usado pelos bandidos foi abordado pelos agentes e, em vistoria, foram localizados e apreendidos um fuzil AK-47 e duas pistolas – uma de calibre 9 milímetros e outra ponto 45. As três armas estavam carregadas e prontas para serem usadas no momento da abordagem policial. Além do fuzil e das duas pistolas, a quadrilha possuía também cinco coletes à prova de balas, quatro balaclavas e aproximadamente R$ 15 mil em espécie. 
De acordo com o superintendente da PRF no Paraná, Adriano Furtado, a quadrilha é suspeita de praticar pelo menos dez assaltos a ônibus de turismo no estado. “O sucesso da ação policial demonstra que a integração entre os órgãos que atuam na área de segurança pública está funcionando. Esse trabalho conjunto é fundamental para a sociedade e está dando resultados”, declarou Furtado. 
O sistema de câmeras de videomonitoramento da BR-116, operado pela concessionária Autopista Planalto Sul, contribuiu para localizar a quadrilha. As ações da associação criminosa vinham sendo acompanhadas pela área de inteligência da PRF. “O monitoramento é um recurso da tecnologia que nós utilizamos. Para acompanhar o andamento da operação, logo na sequência, buscamos todas as imagens e fomos prontamente atendidos pelas concessões. Estamos buscando que se invista, em todos os trechos de concessionárias, o aprimoramento de câmeras e a disponibilização de imagens para a segurança pública”, complementa o superintendente da PRF. 
Os cinco detidos foram autuados por associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, crime que se tornou hediondo na última sexta (27). Condenados por crime hediondo cumprem pena em regime inicialmente fechado, sem direito à fiança, anistia ou indulto e com progressão de regime mais lenta. Nesses casos, a progressão do regime fechado para uma pena mais branda, como o semiaberto, só é possível depois do cumprimento de dois quintos da pena, se o réu for primário, e de três quintos, se reincidente. 
Em coletiva de imprensa realizada em Curitiba nesta segunda-feira (30), o superintendente da PRF, Adriano Furtado, declarou que as ações da quadrilha vinham sendo monitoradas há algum tempo e que o grupo vinha praticando assaltos a ônibus de turismo que circulavam tanto em rodovias federais quanto estaduais. Os cinco ladrões são apontados pela prática de pelo menos dez assaltos desse mesmo tipo a partir do final do ano passado. 
“Tínhamos conhecimento do modo de atuação, compartilhamos isso com as demais agências. É importante destacar o trabalho da nossa COPE (Polícia Civil) e da Polícia Militar e essa ação integrada das forças é que permitiu que conseguíssemos êxito na retirada desse grupo. Um grupo que vinha praticando muitos assaltos. Em pelo menos dez ocorrências eles estiveram presentes. É uma quadrilha com um poderio de armamento muito forte, que graças a essa ação conjunta é retirada de circulação”, comenta. 
O delegado Rodrigo Braun, titular do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), obteve informações do Setor de Inteligência da PRF, dando conta de que os assaltos a ônibus de turismo no Paraná tinham voltado a ser recorrentes. “Entre o final de 2015 e o início de 2016, conseguimos prender uma grande quadrilha [vide box], que pode ter relação com essas pessoas. Depois disso, tivemos uma sensível redução nessas ocorrências. Nos últimos dois meses, esses crimes começaram novamente a serem verificados nas estradas do interior do Paraná, o que nos levou a nos aproximarmos novamente da Inteligência da PRF e iniciarmos um trabalho de investigação para identificar os participantes das quadrilhas que atuavam no Paraná”, descreve. 
[publicidade id=”39″ align=”left” ]O COPE já estava à procura da quadrilha quando obteve informações da PRF de que os suspeitos estavam em direção ao interior do Estado, na sexta (27), quando assaltaram os ônibus em Rio Azul e Mallet. “Não conseguimos identificar o local onde aconteceria, pois nossa intenção é sempre impedir que um crime aconteça, pelo ritmo a que as vítimas acabam expostas. Tomamos conhecimento de que na madrugada de sexta (27) para sábado (28), em Mallet, no limite com Rio Azul. Diante disso, iniciamos um trabalho de patrulhamento nas rodovias e, juntamente com o pessoal da PRF, identificamos um dos veículos, que vinha em direção a Curitiba, já na madrugada de sábado (28) para domingo (29). Com o auxílio das câmeras da concessionária, conseguimos acompanhar o trajeto desse veículo e, quando chegava em Curitiba, fizemos a abordagem e acabamos prendendo essas cinco pessoas, de posse de um farto armamento: um fuzil AK-47 de origem americana e duas pistolas importadas – uma Ruger 9 milímetros e uma Glock .45, além de muita munição, coletes balísticos e uma parte do dinheiro roubado dos ônibus de turismo”, acrescenta Braun. 
Conforme o delegado do COPE, a quadrilha atuou recentemente em Tijucas do Sul, Pato Branco e Prudentópolis, aos finais de semana, aplicando sempre o mesmo procedimento. “Eles efetuavam vários disparos contra os ônibus de turismo, trazendo grande pânico aos passageiros, às vítimas. Uma vez que o ônibus ia parando, eles passavam à subtração do dinheiro e não dos pertences. Geralmente, os ônibus atacados eram os de pessoas que estavam se dirigindo ao Paraguai para fazer compras, portanto, de pessoas que levam certa quantia de dinheiro”, diz. 
{JIMG1}Alguns dos membros da quadrilha são reincidentes, com passagens pela polícia no estado de Santa Catarina pelo mesmo tipo de crime, de acordo com Braun. As investigações prosseguem no sentido de identificar outros possíveis criminosos relacionados à quadrilha. Outro objetivo das investigações é detectar como a quadrilha escolhia as vítimas e como obtinha informação sobre as viagens com sacoleiros. 
Os cinco presos foram reconhecidos pelas vítimas e as capsulas de munição encontradas no local do crime são compatíveis com os calibres das armas localizadas em poder dos bandidos. O material será encaminhado para exames de balística, na Perícia Forense, a fim de comprovar o uso dessas armas nos assaltos. 
Os integrantes da quadrilha ficaram presos, inicialmente, na carceragem provisória do COPE e, nos próximos dias, devem ser encaminhados ao Departamento Penitenciário. Segundo Braun, em princípio, os envolvidos se reservaram ao direito de permanecer em silêncio e negaram a autoria dos crimes, apesar do flagrante. 
O secretário estadual de Segurança Pública, Wagner Mesquita, ressalta que a prisão da quadrilha foi a primeira desde a mudança na lei que enquadra o porte de armas de fogo de calibre restrito como crime hediondo. “Esperamos que, com a utilização deste novo advento, eles não estarão sujeitos a nenhuma progressão de regime, nem de benefício, esses cinco indivíduos respondam integralmente, em regime fechado, a todo esse processo”, frisa Mesquita. 
Na avaliação do secretário, pelo poderio do armamento, importado e caro, a quadrilha detida é “importante e atuante”. 

Dois assaltos em meia hora 

Dois ônibus foram assaltados em um período de meia hora, em trechos diferentes da BR-153, entre Mallet e Rio Azul, na noite de sexta (27). Ambos seguiam para o Paraguai. Um dos veículos abordados pela quadrilha tinha partido de São Mateus do Sul. O primeiro roubo foi registrado às 22h30. A PM de Rio Azul recebeu a informação de que um ônibus de uma empresa de União da Vitória tinha sido alvo de assaltantes no km 165 da BR-153, no trecho entre os dois trevos de acesso a Rio Azul. O grupo estava a bordo de um Chevrolet Astra preto, quando cercou o ônibus e efetuou disparos. Havia 16 passageiros dentro do ônibus, dos quais os ladrões levaram cerca de R$ 30 mil em dinheiro. 
Quase meia hora depois, um ônibus de uma empresa de Rio Azul foi assaltado pela mesma quadrilha, na BR-153, nas proximidades da Colônia Dulcio, em Mallet. O ônibus também tinha como destino o Paraguai. Os ladrões estavam em dois carros e também atiraram contra o ônibus. O motorista foi obrigado a entrar numa estrada vicinal. Os criminosos roubaram dinheiro dos passageiros e os trancaram no bagageiro. 
Segundo a PRF, os suspeitos teriam fugido rumo ao Sul do Paraná. A equipe da Rotam perseguiu os dois veículos envolvidos: um Chevrolet Astra e um Renault Fluence. Houve troca de tiros com os bandidos. Perto de União da Vitória, os dois carros teriam se separado e tomado rumos distintos. Em seguida, os suspeitos abandonaram os veículos e escaparam para o mato. O Fluence foi deixado para trás em Paula Freitas. O Astra também foi posteriormente localizado, vazio. 

60 assaltantes de ônibus presos nos últimos quatro anos 

Nos últimos quatro anos, foram presas 60 pessoas envolvidas em assaltos a ônibus de turismo nas rodovias paranaenses, 21 delas somente em 2017. “É um crime que preocupa a todas as unidades de segurança pública, porque é de uma vulnerabilidade muito grande à vítima. Usam de violência, usam de situações vexatórias para as pessoas que estão nos ônibus. Então é algo que preocupa a toda a segurança pública e nós trabalhamos articulados para buscar neutralizar esse tipo de crime aqui no Estado”, afirma o superintendente da PRF, Adriano Furtado. 
O fato de o Paraná fazer fronteira com o Paraguai e de possuir um grande entroncamento de rodovias que fazem a interligação entre o Sul do Brasil e os demais estados, com a circulação de diversos tipos de mercadorias, representa um desafio para a segurança pública. “Esse comércio todo se torna atrativo para a ação criminosa, o que exige de nós que estejamos articulados e que trabalhemos com o compartilhamento de informações e em sincronia com as forças policiais, principalmente de informações, para conseguirmos neutralizar. O estado, geograficamente, realmente é um desafio, mas impõe outro tipo de trabalho que as polícias têm tido um grande resultado”, diz. 
Segundo Furtado, o assalto a ônibus é um tipo de crime que vinha se expandindo no Paraná – de 60 pessoas detidas nos últimos quatro anos, mais de um terço das prisões ocorreu somente nos últimos dez meses. “Imaginamos que, com a retirada desta quadrilha e as investigações que decorrem a partir da prisão deste grupo, teremos um pouco mais de tranquilidade aqui no Estado”, conclui. 
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