Suspeito de homicídio é preso em Irati

12 de dezembro de 2017 às 13h42m

Luiz Fernando dos Santos, conhecido por “Xuxa”  é um dos três homens acusados de assassinar o jovem Juziel Marcos Remes de Andrade, em março de 2014

Paulo Henrique Sava
A Polícia Civil de Irati prendeu novamente na manhã desta terça-feira, 12, Luiz Fernando dos Santos, conhecido pelo apelido de “Xuxa”. Ele é acusado de ter participado do assassinato do jovem Juziel Marcos Remes de Andrade, ocorrido no fim de março de 2014. Marcelo Padilha e Cléber Fabiano César Farias de Souza, conhecido como “Clebinho”, também são suspeitos do crime. 
Os três réus foram presos cinco dias após o homicídio. Em junho de 2015, Luiz Fernando obteve a liberdade condicional após decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. O réu foi solto, mas logo em seguida o habeas corpus foi revogado e um novo mandado de prisão foi expedido contra ele. Desde então, Luiz Fernando permanecia foragido da justiça. 
Porém, na manhã de hoje, 12, a Polícia Civil montou uma operação para prender Luiz Fernando. Ele foi encontrado em sua residência, no bairro Pedreira. O delegado Paulo César Eugênio Ribeiro fala sobre a operação. “Na verdade, nós solicitamos o mandado de busca e apreensão em algumas residências do bairro Pedreira e do Jardim Planalto, e logramos êxito em localizar este indivíduo, pois já tínhamos informações de que ele estava ali na região. Eu soube do caso por pessoas do povo que vieram até a Delegacia para cobrar esta situação, e conseguimos prendê-lo no bairro Pedreira logo na manhã de hoje”, frisou. 
Confira a entrevista em áudio com o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro no fim desta matéria
[publicidade id=”39″ align=”right” ]Segundo o delegado, houve outras tentativas de prisão de Luiz Fernando, mas ele sempre conseguia fugir. A operação para detenção dele contou com o apoio da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa. A equipe se dirigiu até o bairro Pedreira, onde fica a residência do acusado. “Chegando ao local, não houve resistência, tendo em vista que era cedo, e conseguimos montar uma operação de forma que ele não soubesse o que acontecia”, comentou. 
Durante a operação, foi encontrado também um radiotransmissor, o qual o delegado acredita que seria utilizado para captar a frequência da Polícia Militar. Desta forma, ele conseguia se antecipar aos policiais e fugir. “Em razão disto, não utilizamos o rádio, mas montamos uma operação aqui na DP, juntamente com o pessoal da 13ª Subdivisão, e conseguimos efetuar a prisão ainda quando ele estava dormindo”, comentou.  
A namorada de Luiz Fernando, que segundo Ribeiro estaria favorecendo as fugas dele, também foi detida. “Aquele que favorece a fuga ou acoberta algum criminoso em casa, também está incorrendo em crime de favorecimento pessoal, salvo algumas hipóteses previstas em lei, o que não seria o caso de hoje”, declarou.  
De acordo com Ribeiro, segundo a Lei 9099, a namorada de Luiz Fernando foi submetida à elaboração do Termo Circunstanciado. Depois, será marcada uma audiência junto ao Juizado Especial para que ela responda pelo delito de favorecimento pessoal”, comentou. 
Além do radiotransmissor, foram localizados na residência uma espingarda de pressão adaptada para calibre 22, celulares, que eram o objeto inicial das buscas, e também uma pequena quantidade de drogas.  
O delegado ressalta a importância das câmeras de segurança na elucidação do caso. “As câmeras foram fundamentais para podermos elucidar o crime por completo. Lembro-me que, conversando com o delegado da época (Jorge Luiz Wolker), foi um caso que chocou a cidade, e é compreensível esta comoção, pois foi um menino de 17 anos que foi morto. Então, demos um pouco de agilidade neste caso para a gente conseguir localizá-lo”, finalizou. 

Relembre o caso 

O crime teria ocorrido após uma briga de rua na madrugada de domingo, dia 23 de março de 2014, no momento em que Juziel deixava uma casa noturna e se deslocava para sua residência. O menor foi localizado na manhã de segunda-feira, 24, em um terreno baldio na Avenida Vicente Machado. Pertences de Juziel foram encontrados em uma construção abandonada. Já o corpo dele apresentava ferimentos na cabeça e no rosto
O caso gerou comoção pública e manifestações para que fosse agilizada a aprovação de uma portaria que regulamenta a permissão de entrada de menores de idade em casas noturnas, o que está em vigor atualmente. A mãe da vítima chegou a declarar que, se a portaria estivesse em vigor, talvez o filho tivesse sido barrado na entrada da balada e, assim, fosse poupado. 
No dia 23 de setembro, foi realizada uma audiência de instrução, na qual foram ouvidas testemunhas do Juízo, arroladas em audiência, para interrogatório dos réus. Nessa nova audiência, foram ouvidos os depoimentos de uma testemunha de defesa e duas do Juízo.
Após essa audiência a perita que assinou a necropsia de Juziel foi arrolada como testemunha. A perita solicitou ser ouvida em Curitiba, onde reside. Foi enviada uma carta precatória a Curitiba, para que ela fosse ouvida. Até agora, o júri popular para ouvir os três réus não foi marcado. 
Na época, foi apresentada uma nova versão a respeito da morte do adolescente. Ela foi confrontada por várias testemunhas e dizia que o menino tinha sido agredido em outro local e morto depois. Nessa audiência, nenhum dos três réus quis se pronunciar. Agora, eles devem ser ouvidos somente em júri popular. Uma eventual confissão pode trazer benefícios, como atenuantes da pena, na leitura da sentença.
Além de Luiz Fernando, os outros acusados do homicídio também foram soltos em julho de 2015. Na época, o Tribunal de Justiça entendeu que a prisão preventiva se estendeu por um período desproporcional (em torno de 16 meses) e, assim, permitiu aos acusados que respondessem ao processo em liberdade, até uma eventual sentença condenatória. Com isso, o TJ-PR determinou a aplicação de medidas cautelares. Nessa liberdade condicional, os réus não poderiam frequentar bares ou estabelecimentos semelhantes, dada a acusação de que o crime teria ocorrido depois de estarem nesse tipo de local; não poderiam manter contato com testemunhas; eram obrigados a manter o juiz informado sobre eventual mudança de endereço; recolher-se ao domicílio durante a noite e, quando estiver de folga, uma vez que o crime foi registro durante uma madrugada de domingo.
Posteriormente, Marcelo Padilha e Cléber Fabiano César Farias de Souza voltaram a ser presos. Segundo Ribeiro, os dois réus seguem detidos na Delegacia de Irati. 
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