Equipes da PC e PM localizaram o suspeito em Prudentópolis após cumprirem mandado de busca e apreensão em bairro de Irati
Paulo Henrique Sava
Um homem de 30 anos, suspeito de ter provocado o incêndio que causou a morte de uma pessoa carbonizada e destruiu o Centro de Eventos Italiano, em Irati, na madrugada do dia 26 de fevereiro, foi preso no início da manhã desta terça-feira, 24. A prisão ocorreu em uma operação conjunta das polícias Civil e Militar de Irati.
Conforme o delegado Paulo César Eugênio Ribeiro, titular da 41ª Delegacia de Irati, a prisão ocorreu em uma residência no centro de Prudentópolis, para onde o suspeito havia fugido. No momento da prisão, o suspeito não ofereceu nenhum tipo de resistência. “Parece até que ele já sabia do que se tratava. Foi uma prisão tranquila, nos deslocamos para Prudentópolis logo pela manhã e correu tudo de maneira tranquila”, frisou. Segundo o delegado, a prisão foi necessária porque havia risco de fuga do suspeito.
Foram quase dois meses de investigação desde a data da ocorrência até que a Polícia Civil conseguisse chegar ao paradeiro do suspeito. “A autoria do fato foi um trabalho mais tranquilo de realizar porque o nosso setor de investigação, juntamente com a Polícia Militar, conseguiu levantar dados com os quais pudemos concluir que a autoria seria desta pessoa”, confirmou o delegado, sem identificar o autor do fato.
“Tendo a informação da autoria, nós conversamos com diversas outras pessoas, com familiares e amigos, buscamos pessoas de fora, amigos dele que teriam saído da região, fomos atrás e conseguimos conversar com eles. A partir destas informações, solicitamos um mandado de busca e apreensão junto ao Poder Judiciário e a prisão preventiva, visto que a autoria já estava praticamente definida”, pontuou.
Confira a entrevista completa concedida pelo delegado no fim desta matéria.
Conforme o delegado, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na manhã desta terça-feira, 24, em uma residência localizada no Jardim Aeroporto, proximidades da BR-153, na região da Vila São João. “Com o mandado de busca e apreensão, conseguimos obter mais informações que indicaram o paradeiro. Foi uma situação anômala que exigiu que nos deslocássemos imediatamente para o local [Prudentópolis], justamente pela possibilidade de fuga dele ou algo neste sentido”, comentou.
Sobre as investigações, a dificuldade maior, conforme o delegado, foi de encontrar o suspeito, uma vez que a identificação do mesmo já havia sido feita nos primeiros dias da investigação. “Sentíamos que algumas pessoas com as quais entrávamos em contato durante as investigações se negavam a responder ou davam respostas evasivas. Com relação a isto, a Polícia Militar também foi atrás, buscando informações e trazendo para a gente, e, a partir disto, conseguimos fazer o pedido de prisão preventiva”, pontuou.
Imagens das câmeras de segurança próximas e depoimentos de várias pessoas que reconheceram o suspeito como autor do crime, além de denúncias anônimas e depoimentos de pessoas que estavam próximas do local ajudaram nas investigações. No entanto, o delegado afirmou que não pode divulgar o nome do suspeito antes de ele ser indiciado e processado pela autoridade policial. Porém, ele confirmou se tratar de um homem, de 30 anos, que seria usuário de entorpecentes.
O Delegado confirmou que o suspeito confessou a autoria do crime. Em relação à identificação da vítima, o próprio suspeito teria reconhecido o corpo. Entretanto, o laudo cadavérico do Instituto Médico-Legal (IML) com a identificação oficial do corpo ainda não foi emitido. Ribeiro confirmou apenas que os dois homens em moradores de rua por opção, pois eles tinham um local onde faziam sua higiene, alimentação e tinham família na região. Ambos são de Irati.
O delegado ressalta que o laudo da necropsia elaborado pelo IML vai indicar se a vítima foi queimada ainda viva ou se houve algum tipo de lesão anterior ao incêndio, que pudesse ter provocado a morte. “Muito embora esteja em um estágio avançado de carbonização em que foi encontrado o corpo, pode ser que o IML consiga identificar”, frisou.
Em depoimento, o suspeito confirmou que uma discussão ocorrida dias antes teria sido o principal motivo do crime. “Em dias anteriores, houve sim um entrevero, uma briga entre o autor e a vítima, muito embora eles fossem supostos ‘amigos’, o que acabou nesta tragédia”, comentou.
O suspeito foi conduzido para a Delegacia de Irati, onde deve permanecer detido à disposição da Justiça. A partir de agora, o inquérito será encaminhado para a Justiça, que irá apreciar o caso. O homem responderá por homicídio qualificado e por incêndio devido à proporção que o fato tomou. A pena a ser aplicada pode chegar a até 30 anos de prisão.
Prisão preventiva
A prisão preventiva decretada contra o suspeito de causar o incêndio no Centro de Eventos Italiano não tem prazo pré-definido e pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou da ação penal, quando houver indícios que liguem o suspeito ao delito. Ela em geral é pedida para proteger o inquérito ou processo, a ordem pública ou econômica ou a aplicação da lei.
A ideia é que, uma vez encontrado indício do crime, a prisão preventiva evite que o réu continue a atuar fora da lei. Também serve para evitar que o suspeito atrapalhe o andamento do processo, por meio de ameaças a testemunhas ou destruição de provas, e impossibilite sua fuga, ao garantir que a pena imposta pela sentença seja cumprida.
Incêndio
O incêndio ocorreu na madrugada do dia 26 de fevereiro. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado em uma edícula, localizada nos fundos do Centro de Eventos, e se espalhou rapidamente por toda a estrutura do estabelecimento. Uma pessoa morreu carbonizada dentro da edícula. O Corpo de Bombeiros utilizou quatro caminhões e mais de 200 mil litros de água para controlar o incêndio.